São João ainda aguarda chegada do teste DNA-HPV, exame que detecta câncer do colo do útero

Por Ana Paula Fortes
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O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a disponibilizar em parte do País um exame inovador que promete revolucionar a prevenção do câncer do colo do útero. O teste DNA-HPV reconhece a presença do papilomavírus humano (HPV), responsável pela maioria dos casos da doença, antes mesmo do aparecimento de lesões ou da evolução para um câncer em estágio inicial, o que amplia as chances de tratamento precoce e cura.

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Apesar da divulgação do Ministério da Saúde constar que o teste já está disponível no Estado de São Paulo, em São João da Boa Vista ainda não tem previsão para recebê-lo. Em nota ao jornal O MUNICIPIO, o Departamento de Saúde informou que ainda não recebeu este novo exame para detecção do HPV. “Em contato com a Diretoria Regional de Saúde – DRS XIV nos foi informado de que ainda não existe uma previsão da chegada deste novo teste para os municípios componentes da região”, relatou a pasta.

A previsão do Ministério da Saúde é que, até dezembro de 2026, o exame esteja disponível em todo o território nacional, alcançando 7 milhões de mulheres por ano. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa representa um avanço significativo no combate à doença. Estima-se que cerca de 20 mulheres morrem por dia devido ao câncer do colo do útero, o que corresponde até seis vezes mais que os casos de feminicídio em alguns estados. “Com diagnóstico mais rápido e tratamento precoce, podemos salvar muitas vidas”, afirmou.

AVANÇO

Para o oncologista Fernando Pessuti, da Unicamp e da Clinion, a inclusão do exame na rede pública pode mudar o cenário da prevenção no Brasil. “O câncer de colo do útero é a terceira neoplasia maligna mais incidente entre mulheres no país, com mais de 17 mil novos casos estimados entre 2023 e 2025. Ele causa 6,5 mil mortes por ano, ou seja, uma morte a cada 90 minutos. Atualmente, 70% dos diagnósticos são feitos em estágios avançados, quando as chances de cura não passam de 40%. O teste de HPV antecipa o diagnóstico em até dez anos e é considerado o padrão ouro mundial para a detecção da doença”, destacou.

O médico reforça ainda a superioridade do DNA-HPV em relação ao papanicolau. “Enquanto o papanicolau identifica lesões já existentes, o novo exame detecta o vírus antes de qualquer alteração celular, o que torna possível iniciar um acompanhamento mais cedo e reduzir significativamente as mortes”, explicou.

O Ministério da Saúde prevê oferecer não apenas os insumos, mas também treinamento especializado para os profissionais do SUS, além do suporte de um “Super Centro para Diagnóstico do Câncer”, que deverá reduzir de 25 para cinco dias o prazo para liberação de resultados.

Apesar dos desafios logísticos, Pessuti acredita que a medida também contribuirá para reduzir desigualdades regionais. “No Nordeste, o câncer do colo do útero é o que mais mata mulheres. A oferta de um exame de alta performance, com intervalo maior entre as coletas, pode ampliar a adesão e garantir rastreamento mesmo em áreas remotas”, avaliou.

PREVENÇÃO

A prevenção vai além do rastreamento. Estima-se que 80% das mulheres sexualmente ativas entrarão em contato com o HPV em algum momento da vida. Embora, na maioria dos casos, o organismo elimine o vírus espontaneamente, ele pode evoluir para lesões e, com o tempo, para câncer. Por isso, o oncologista ressalta a importância da vacinação contra o HPV e do uso de preservativos como medidas complementares. “O rastreamento é fundamental, mas é preciso continuar fortalecendo campanhas de conscientização para que as mulheres entendam o risco e a importância de se proteger e realizar os exames”, concluiu Pessuti.

INOVAÇÃO

O teste DNA-HPV deve substituir o papanicolau como principal forma de rastreamento. O exame tradicional passa a ser indicado apenas para a confirmação nos casos positivos. Além disso, o intervalo entre um teste e outro será ampliado de três anos. No caso do papanicolau, para cinco anos com o novo método. Outra vantagem destacada pelo Ministério da Saúde é a eliminação da necessidade de repetir a coleta quando o resultado é inconclusivo, já que a mesma amostra pode ser utilizada para todos os exames necessários. Para as mulheres, o acesso será simples basta marcar uma consulta ginecológica regular em uma Unidade Básica de Saúde. O governo federal também anunciou que, em breve, será possível realizar a autocoleta do material ginecológico em casa, opção voltada para mulheres que enfrentam dificuldade de acesso ao sistema de saúde ou resistência ao exame.

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