Inteligência Artificial ameaça profissões

Por Ana Paula Fortes
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A inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas promessa para se tornar realidade no mundo do trabalho. Um levantamento realizado pela Microsoft, intitulado “Trabalhando com IA: medindo as implicações ocupacionais da inteligência artificial generativa”, analisou como diferentes profissões podem ser impactadas pela automação e revelou quais carreiras estão mais expostas às transformações tecnológicas.

Alerta: mudanças tecnológicas afetam a saúde mental dos trabalhadores (Divulgação/Shutterstock)

Segundo o estudo, profissões ligadas à produção de conteúdo, análise de dados e comunicação são as mais suscetíveis à automação. Já aquelas que dependem de habilidades manuais, presença física e conhecimento técnico especializado tendem a sofrer menos interferência direta da IA.

Entre as profissões com maior índice de aplicabilidade da IA estão intérpretes, tradutores, redatores, jornalistas, cientistas de dados, analistas de mercado e programadores. Atividades relacionadas a atendimento ao público, como telemarketing, recepcionistas e agentes de viagem, também aparecem na lista.

Já os profissionais de áreas que exigem habilidades práticas, como auxiliares de enfermagem, trabalhadores da construção civil, técnicos em saúde e operadores de máquinas industriais, aparecem como menos vulneráveis à substituição.

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores analisaram 200 mil interações anônimas entre usuários e o Copilot, sistema de IA da própria Microsoft. O estudo mapeou as tarefas mais pedidas, avaliou a capacidade da tecnologia em cumpri-las e mediu a proporção de trabalho realizada com seu auxílio.

As mudanças tecnológicas não afetam apenas o mercado de trabalho, mas também a saúde mental dos trabalhadores. A psicóloga clínica e do trabalho Ana Carolina Fernandes Soares alertou que os impactos podem ser ambíguos. “Equipes ligadas a alguns setores poderão produzir mais em menos tempo, principalmente nas tarefas repetitivas e operacionais, aumentando a possibilidade de atuarem em atividades mais estratégicas e criativas. Por outro lado, cargos podem desaparecer e os modelos de gestão terão de ser revistos”, afirmou.

A especialista destacou que, em áreas mais vulneráveis, os colaboradores podem enfrentar estresse, baixa autoestima profissional e o sentimento de serem descartáveis.

O medo de perder o emprego, segundo ela, pode comprometer o engajamento dos trabalhadores. “Se não houver políticas de recolocação e capacitação, muitos podem ser empurrados para a informalidade, acreditar que suas habilidades não têm valor e enfrentar sobrecarga emocional e quadros de ansiedade”, explicou.

Para evitar que a IA seja vista como inimiga, empresas e gestores precisam adotar medidas de apoio. Treinamento, capacitação contínua e comunicação clara são apontados como estratégias essenciais. “As organizações devem preparar suas equipes para esse novo cenário, oferecer apoio psicológico e mostrar que a IA pode ser uma ferramenta aliada. É fundamental evitar fantasias de substituição e preservar as relações humanas no ambiente de trabalho”, orientou a psicóloga.

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