Livro de Jaime Splettstoser traz São João antiga nos almanaques

Por Clovis Vieira
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Discretamente, sem noite de autógrafos, o acadêmico e historiador sanjoanense Jaime Splettstoser Jr. lançou mais um livro em que o foco é a história da cidade: ‘São João da Boa Vista nos Almanaques’, com o subtítulo ‘Como a cidade foi apresentada nestas publicações desde 1858 até 1910’. A obra faz parte do projeto do escritor ‘Documentos interessantes para a história de São João da Boa Vista e região’, sendo que este é o volume II. Os exemplares foram diretamente para livrarias e bancas de jornal.

História: Splettstoser traz o passado para o leitor de hoje (Clovis Vieira/O MUNICIPIO)

Nesta obra, o autor se apresenta apenas como ‘organizador’: “Aqui não se trata de um trabalho meu, pois eu apenas reuni informações de diversas fontes, atualizei a linguagem e coloquei esse conteúdo na ordem cronológica dos acontecimentos retratados nos almanaques”, afirmou. Para compor esse novo livro, Splettstoser disse ter consultado em torno de 8 a 10 fontes, sendo que as publicações mais antigas ainda estão disponíveis na internet. Outras, foram adquiridas por ele em formato de fac-símile, que são reproduções dos originais de 1858 e 1873, por exemplo.

LANÇAMENTO

A maioria do que consultou são almanaques da Província de São Paulo. Apenas dois deles são sanjoanenses, publicados por Antônio Gomes Martins em 1903 e 1910, dos quais ainda restam algumas cópias. “As que eu tive acesso são cópias de cópias de cópias, algumas delas faltando páginas… Então eu decidi que já era tempo de organizar esse material para que não se perca esse conteúdo. Os originais, mesmo, não existem mais”, lamentou.

Jaime explicou o porquê de não ter feito, ainda, um lançamento oficial deste livro que revela parte da história sanjoanense nos moldes tradicionais, com noite de autógrafos etc. “Essa história de lançar um livro dá muito trabalho! Os colegas da Academia de Letras de São João da Boa Vista já me convocaram para fazer isso, mas eu expliquei que, na hora certa, a gente reúne esses dois, mais outro que está para ser publicado e fazemos um lançamento só”.

MAIS HISTÓRIA

O projeto ‘Documentos interessantes para a história de São João da Boa Vista e região’ tem como principal objetivo transcrever documentos que sejam interessantes para a história sanjoanense, afirmou o escritor. O primeiro volume reuniu informações sobre Jerônimo Dias Ribeiro, um sargento que atuou na segunda metade do século XVIII, comandando a região e defendendo o território paulista contra as investidas dos mineiros, que visavam avançar sobre o Estado. Um terceiro volume do projeto está em finalização, trazendo incontáveis documentos sobre inventários e outros assuntos que contam a história do município.

Entre as muitas descobertas interessantes na composição desta obra atual, a diferença na ortografia de muitas palavras chamou a atenção de Splettstoser. “Eu transcrevi, em todos esses livros, a linguagem original dos documentos a que tive acesso. Só de fazer isso, já percebi a mudança da ortografia, a existência de alguns termos que eu não conhecia”. E cita como exemplo, durante a inauguração da Santa Casa de Misericórdia, o aparecimento da palavra ‘sentina’. Na dúvida, pesquisou e descobriu que se trata de banheiro, toalete.

AMOR PELA HISTÓRIA

Até que os almanaques se tornassem populares, editados por laboratórios como o do Biotônico Fontoura, trazendo fases da lua, anedotas, receitas entre outras curiosidades, as publicações anteriores eram bem diferentes, mais sérias. “Eles descreviam as autoridades municipais, os políticos, os advogados, médicos, farmacêuticos… Eram como se fossem uma internet daquela época”. E traziam, ainda, os nomes de proprietários de terras e de fazendas, sua produção anual e outras informações nesse sentido. A quem se destinavam esses antigos almanaques? “Eu penso que eram destinados à elite, mesmo, que tinha alguma escolaridade e poder aquisitivo para comprar um livro desses em 1902 ou 1910, por exemplo”.

Com vários interesses ao longo da vida – como os diversos idiomas universais que conhece e a química em que tem formação acadêmica – Jaime nutre o mesmo amor pela história. “Eu gosto muito da história de São João; quanto mais eu a estudo, vejo que preciso retroceder no tempo para entender não só a cidade, mas também a região em que estamos, como ela foi formada, entre outros pontos interessantes que compõem sua história”, concluiu.

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