Por Pedro Souza
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A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), de aplicar um “tarifaço” de 50% sobre produtos importados do Brasil gerou forte repercussão no comércio exterior e já provoca inquietação em diferentes setores da economia. Em São João da Boa Vista, onde as exportações vêm crescendo de forma significativa, o anúncio caiu como um balde de água fria em produtores rurais e empresários do agronegócio.

A taxação de 50% se refere a uma proposta de elevar as tarifas de importação aplicadas aos produtos que entram nos EUA vindos do Brasil. Na prática, todos os itens brasileiros vendidos para o mercado norte-americano ficariam 50% mais caros ao chegarem lá, devido à cobrança de impostos extras na alfândega americana. Essa alta nos custos pode deixar os produtos brasileiros menos competitivos em relação aos de outros países ou mesmo em relação aos produtos locais dos Estados Unidos.
A medida faz parte de uma revisão mais ampla das políticas comerciais dos EUA, que também pode atingir outros 186 países ou regiões. No caso do Brasil, impacta diretamente produtos do agronegócio. Itens, aliás, que São João e região produzem em grande escala e vendem ao mercado externo com frequência.
PREOCUPAÇÃO
Segundo dados do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), os Estados Unidos foram o país que mais comprou produtos de São João entre janeiro e julho deste ano. No total, o município exportou US$ 45,9 milhões no período, dos quais US$ 23,5 milhões vieram de produtos ligados diretamente ao campo, como café, cana-de-açúcar, pastagem, milho e soja.
Em nota oficial, o Ciesp manifestou profunda preocupação com a decisão do governo norte-americano. A entidade afirma que a medida extrapola os limites da diplomacia e serve como instrumento de disputa pessoal e ideológica entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Ciesp também ressalta que não há argumentos sólidos que justifiquem a tarifação de 50% contra o Brasil e que a soberania brasileira, assim como a de qualquer país, deve ser respeitada.
REFLEXOS EM SÃO JOÃO
Os reflexos já começam a ser sentidos em São João da Boa Vista. De acordo com Edson Cabral, chefe da Casa da Agricultura, o impacto será percebido em diversas frentes. “Vai afetar as exportações, os produtores estão muito preocupados. Os juros para financiamento rural subiram, a linha de crédito encareceu. É um momento delicado”, destacou.
A tendência é de aumento no custo de produção e redução das margens de lucro. “Vai comprometer todo mundo. Os preços de insumos como adubos e equipamentos já estão subindo. Com menos exportações, sobra mais produto aqui dentro e isso tende a derrubar os preços no mercado interno”, completou Edson.
Com uma base econômica voltada para o agronegócio, São João se destaca na produção de café, cana-de-açúcar, milho, soja e pecuária de corte. São justamente esses produtos os mais afetados pela proposta americana, o que coloca a cidade e seus produtores em alerta máximo.
Mesmo com a elevação de 20,9% nas exportações da região no primeiro semestre, que totalizaram US$ 377,5 milhões, o clima de incerteza se instalou entre os produtores. A dependência de mercados internacionais torna a economia regional vulnerável a decisões tomadas a milhares de quilômetros de distância.
O impacto não se limita à exportação. Com produtos encarecidos e menos competitivos no exterior, a tendência é que eles sejam redirecionados ao mercado interno. Isso pode provocar quedas nos preços dentro do país, pressionando ainda mais os produtores locais.
Para São João, resta agora acompanhar com atenção e cautela os desdobramentos dessa disputa, que começou com números e tarifas, mas pode causar efeitos bem reais no campo, na cidade e na economia local.




