Por Ana Paula Fortes
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Com o início do inverno, surgem os tradicionais problemas de ressecamento da pele, agravados pelas temperaturas mais baixas e pela umidade relativa do ar que despenca. Com isso, as queixas de pele áspera, rachada, descamação e até coceiras aumentam consideravelmente, exigindo atenção redobrada aos hábitos de higiene e hidratação.

Estudos da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) indicam que oito em cada dez brasileiros relatam algum desconforto na pele no inverno, quando a umidade pode ficar abaixo dos 30%, valor considerado crítico pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma das razões para o inverno ser propício para aparecimento de quadros do tipo é levantada pelos banhos mais quentes, assim como o eventual uso de roupas que estavam guardadas por muito tempo.
CUIDADOS
Segundo a dermatologista Lígia Nasser de Rezende, o clima frio e seco, associado a banhos mais quentes e prolongados, diminui a produção das glândulas sebáceas e sudoríparas, levando ao ressecamento cutâneo.
Diante disso, ela recomenda evitar água muito quente, hábito comum devido ao tempo frio, preferindo temperaturas mornas. “O uso de buchas e esponjas deve ser restrito a situações em que a pele está muito suja, pois elas podem agravar o ressecamento. É importante também optar por sabonetes menos abrasivos e mais hidratantes”, explicou.
A hidratação após o banho também auxilia a evitar o ressecamento da pele. A especialista sugere o uso de hidratantes mais emolientes, cremosos e consistentes por serem ideais para repor a barreira cutânea. “Produtos com ureia, ceramidas e dexpantenol são eficazes, mas é importante se atentar a qual produto deve ser escolhido de acordo com o tipo de pele”, destacou.
O ressecamento intenso pode piorar condições como a dermatite atópica, causando coceira e irritação. Trata-se de um problema corriqueiro, mas muito incômodo e nesta época do ano, elas surgem com mais frequência. Para amenizar os sintomas, Lígia recomenda banhos rápidos, mornos e o uso generoso de hidratante logo após secar a pele.
Apesar do frio, o protetor solar não pode ser esquecido. “Mesmo em dias nublados, a radiação UV está presente, principalmente em regiões como a nossa, onde os dias continuam claros”, alertou.
Além disso, a dermatologista observa que o inverno é a época ideal para tratamentos com ácidos e procedimentos mais agressivos, já que a menor exposição ao sol reduz os riscos de manchas e queimaduras.
A dieta também influencia na saúde da pele. A especialista explica que alimentos ricos em ômega 3 e 6, vitaminas A, C e E, zinco e selênio ajudam a manter a integridade cutânea. “Sopas, chás e frutas com alto teor de água também contribuem para a hidratação”, complementou. No entanto, a médica adverte: “Suplementos vitamínicos só devem ser usados sob orientação profissional”.
Em meio a esses cuidados, Lígia destaca que regiões mais expostas, como lábios e mãos, merecem atenção especial. “O uso de hidratantes labiais e cremes para as mãos ajuda a evitar rachaduras e descamação”, finalizou a dermatologista.


