Vice-reitor da PUC fala sobre o momento católico no País

Por Clovis Vieira
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O sanjoanense José Benedito de Almeida David, 77, padre há 52 anos, falou com O MUNICIPIO sobre questões importantes da Igreja Católica Apostólica Romana, especialmente no Brasil. Ordenado Presbítero em 1972, exerceu seu ministério presbiteral na Catedral São João Batista, em São João da Boa Vista, até 1985 – também exerceu as funções de coordenador da Pastoral de Juventude e coordenador diocesano de pastoral.

Em 1974 iniciou a carreira como professor de Teologia no Instituto Teológico São Paulo (ITE-SP), na capital paulista; e em 1978 ingressou na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp) fazendo parte da equipe de fundação do curso de Teologia daquela instituição de ensino superior. Além do magistério na Teologia, exerceu na PUC vários cargos administrativos, além de reitor e, atualmente, é vice-reitor e membro associado da sociedade mantenedora.

José Benedito de Almeida David: “Todos têm lugar no coração de Deus. Todos merecem respeito” (Clovis Vieira/O MUNICIPIO)

O MUNICIPIO: Teologia é um curso ainda procurado?

José Benedito de Almeida David: Sim, é um curso que tem sido bem procurado. É dirigido, especialmente, à formação de futuros padres, mas também aberto aos leigos. Os seminaristas embora estudem na universidade, residem nas casas de formação de sua própria diocese ou congregação religiosa. Trata-se de um curso que promove o conhecimento e o aprofundamento da fé e da doutrina católica; ali é oferecido além dos estudos bíblicos, as várias áreas da Teologia.

O MUNICIPIO: Ainda há procura pela profissão de sacerdote?

José Benedito de Almeida David: Aqui na Diocese de São João, essa procura tem se mantido estável; nós estamos com um número considerado bom de padres. Ou seja, aqui não há falta de padres. O que se percebe é que no Brasil nas grandes cidades esse número se apresenta menor, diferente das dioceses do interior. Mas, no geral, a procura por essa formação continua, e em alguns lugares é crescente.

O MUNICIPIO: É possível fazer um paralelo entre o papa Leão XIV e o papa Francisco?

José Benedito de Almeida David: Cada pessoa tem as suas próprias características. Costumo dizer que ‘Deus cria cada um de nós e quebra a forma…’ O que eu tenho observado é que o papa Leão XIV continua aquilo que o papa Francisco começou. Diferente em algumas questões, é claro, mas basicamente continua com as mesmas preocupações relativas à paz no mundo, às guerras e conflitos existentes, à miséria, aos sistemas econômicos que nem sempre favorecem a equidade e a dignidade na vida das pessoas. Ainda, a preocupação com uma ‘Igreja em saída’, peregrina da esperança e missionária.

O MUNICIPIO: Essas escolhas do papa Francisco são uma ‘evolução’ na Igreja Católica?

José Benedito de Almeida David: Não se trata, eu diria, de uma evolução na doutrina católica, mas uma evolução pastoral. A doutrina é sempre a mesma, é o Evangelho que não muda. A aplicação do Evangelho pelo papa Francisco evidentemente manifestou muito a preocupação dele com as questões fundamentais como: a presença da Igreja no mundo contemporâneo; questões relativas ao respeito à dignidade humana; o cuidado com o planeta Terra, que ele chamava de “nossa casa comum”. Tem a encíclica Laudato Si, que completa 10 anos em 2025, que é um verdadeiro chamado da atenção de todos para o cuidado com a ‘casa comum’. Este foi, inclusive, o tema da Campanha da Fraternidade este ano.

O MUNICIPIO: Qual será o futuro da Igreja Católica?

José Benedito de Almeida David: É evidente que a Igreja Católica vai, conforme a época, procurando dar respostas às perguntas que vão surgindo naquele momento histórico. O Evangelho existe para ser vivido e, para isso, ele tem que se encarnar na realidade atual. A experiência da fé é fonte de sentido para a nossa vida, para as nossas escolhas, para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Assim portanto, a missão da Igreja é continuar, para o presente e para o futuro, anunciando a proposta de Jesus para que construamos um mundo de acordo com o coração de Deus que ama todos os seres humanos e toda a sua criação.

O MUNICIPIO: As pessoas estão perdendo a fé em Deus?

José Benedito de Almeida David: Eu vejo que o mundo continua o mesmo! Tem gente de todo tipo, de todo lado, com as mais variadas experiências religiosas. Algo que a consciência da Igreja Católica vai descobrindo cada vez mais, e proclamando, é que Deus ama a todos e quer ser de todos. Todos têm lugar no coração de Deus. Todos merecem respeito. As várias religiões são experiências diferentes, mas todas elas devem receber o mesmo respeito, indicam a presença do Transcendente na vida humana. Para mim, que sou cristão e católico, esse é o caminho, mas para uma outra pessoa o caminho pode ser diferente. O importante, de fato, é o diálogo e o encontro entre as pessoas o encontro e o diálogo entre as religiões. Eu acredito que essa relação entre religião-paz, religião-desenvolvimento, religião-dignidade humana e religião-busca de justiça são valores que estarão sempre presentes.

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