Por Bruno Manson
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As recentes mortes de dois bebês que passaram pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) causaram uma grande comoção em São João da Boa Vista e fomentaram um protesto para reivindicar melhorias na área da saúde. A manifestação ocorreu na noite de segunda-feira (5) e teve como ponto de concentração a prefeitura. Vestidos de preto e com cartazes em punho, familiares das duas crianças mortas, mães e pessoas da comunidade que aderiram à causa desceram até o prédio da Câmara Municipal e ocuparam o auditório, onde exigiram providências dos vereadores, cobrando a fiscalização dos serviços prestados na rede municipal.
A sessão ordinária transcorreu com um clima pesado. Durante a Tribuna Livre, os manifestantes deram as costas para a vereadora Aline Luchetta (Rede), a qual falava sobre as propostas que pretendia levar ao Poder Executivo, visando a melhora no atendimento na saúde. Diante da situação, ela preferiu encerrar o discurso e lamentou o ocorrido. A partir daí, a situação começou a ficar cada vez mais delicada.

REIVINDICAÇÕES
Duas manifestantes foram convidadas a ocupar a Tribuna Livre e expressaram a indignação com a atual situação da rede municipal de saúde, em especial a UPA. “Eu sou mãe. O meu filho de dois meses passou por um diagnóstico errado. Se não fosse uma médica do posto de saúde, meu filho estaria internado ou talvez nem estaria em casa hoje. A gente está cansada!”, declarou.
Entre os principais problemas que elas apontaram está a falta de médicos capacitados na Unidade de Pronto Atendimento, uma vez que há clínicos gerais atendendo crianças e errando laudos, dificultando assim o tratamento correto de doenças. Também houve queixas em relação a triagem dos pacientes e as filas de espera que duram horas.
Em meio às denúncias feitas, as mães ainda citaram que há médicos não examinam os pacientes e emitem os diagnósticos por meio de consultas ao Google e Inteligência Artificial. Diante dos relatos, elas cobraram os representantes do Poder Legislativo. “A gente não quer vereador na porta da UPA fazendo live. A gente quer vereador entrando lá e fiscalizando!”, declarou uma das participantes do protesto.

CONFUSÃO
Bastante emocionado, o avô de um dos bebês mortos se manifestou e cobrou firmemente uma postura da Câmara Municipal em relação a estes casos. A partir daí, houve tumulto e até mesmo atritos envolvendo alguns vereadores. A Polícia Militar foi acionada para conter os ânimos na ocasião. Apesar do tom acalorado das discussões, a manifestação transcorreu sem nenhum incidente.
BEBÊS
Anthony Gabriel Dias, de 2 meses e 7 dias, faleceu no sábado (3). Segundo familiares, ele havia sido atendido e liberado duas vezes pela equipe médica da UPA antes do óbito. A família afirma que houve negligência no atendimento e pretende buscar medidas legais para que o caso seja investigado.
Outro caso semelhante foi registrado no dia 30 de abril, quando Maitê Sossai Bueno, também de 2 meses, morreu após passar quatro vezes por atendimento na unidade. A família relatou que a bebê sofreu pelo menos seis paradas cardíacas antes de falecer.
As duas crianças compartilhavam o mesmo diagnóstico: bronquiolite, uma inflamação das pequenas vias aéreas que dificulta a respiração, causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR). A coincidência dos casos e a sequência de liberações médicas levantam questionamentos urgentes sobre a capacidade da UPA em lidar com essa condição, especialmente em bebês tão vulneráveis.
OUTRA MORTE
Além das duas crianças, durante a manifestação também foi lembrada a morte de Aron Igor Pacheco Faria, de 38 anos, que faleceu na UPA na noite de 23 de abril. Ele já tinha passado pela unidade no dia anterior e foi encaminhado para a Santa Casa ‘Dona Carolina Malheiros’, onde recebeu alta médica em menos de 24 horas. A morte dele levantou indagações sobre a alta médica precoce no hospital e os procedimentos adotados na UPA, expondo a frágil situação em que se encontra a saúde pública sanjoanense.
PREFEITURA SE MANIFESTOU
Na segunda-feira (5), a Prefeitura de São João da Boa Vista emitiu uma nota lamentando as mortes ocorridas na Unidade de Pronto Atendimento, se solidarizando com as famílias, especialmente pela perda das duas crianças, e relatando as providências tomadas.
“É importante informar que estamos numa época do ano em que doenças respiratórias, como a bronquiolite, são mais comuns. Isso aumenta o número de atendimentos e a gravidade dos casos na UPA. Ao mesmo tempo, o Ingex, que administra a UPA há apenas dois meses, tem procurado junto com o Departamento de Saúde melhorar o atendimento deste equipamento com a contratação de mais profissionais”, destacou a administração municipal.
Diante disso, a prefeitura informou que foi determinada a abertura de uma investigação para entender tudo o que ocorreu nos atendimentos realizados na UPA e verificar eventuais falhas. “As medidas necessárias serão tomadas com base no resultado dessa investigação, dentro dos princípios da legalidade. Reiteramos nossa solidariedade às famílias e estamos à disposição para qualquer dúvida”, concluiu.
COMISSÃO
No mesmo dia, o prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (PSD) publicou uma portaria nomeando uma comissão composta por servidores para apurar os óbitos dos bebês, ficando estabelecido o prazo de 60 dias para finalização dos trabalhos e apresentação do relatório conclusivo. O grupo é presidido por Ludimila Borato Barros Zan e conta com a participação de Rafael Hermann de Faria, Nair Gomes Pereti Cremonesi, Érika Bertholdo Rabello Monteiro e Waleska Helena De Oliveira Sabino.




