Por Bruno Manson
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Para celebrar o Dia dos Povos Indígenas, comemorado em 19 de abril, o Departamento de Cultura inaugurou uma exposição no Museu Armando Salles de Oliveira. Organizada por Maria da Glória Medeiros Silva, chefe do Serviço de Arquivo e Museu, a mostra tem a curadoria de Luiz Pedro Dragão Jerônimo, sanjoanense e doutorando na USP, cuja tese aborda a História Social de São João da Boa Vista. O evento é aberto ao público e segue até o dia 3 de maio.

A abertura oficial da exposição foi realizada na quarta-feira (16) e contou com a presença da diretora de Cultura, Lucelena Maia, e também um convidado especial: o indígena Maksuara Kadiwél, da etnia Terena, natural de Aquidauana (MS).
Amigo de longa data do comerciante de ervas Antônio César Ferreira Soares, da Praça Armando Salles, ele participou do evento para prestigiar a exposição e dialogar com estudantes sobre a medicina dos povos originários.
Maksuara é ator e produtor cultural. Ele foi o primeiro indígena brasileiro a atuar no cinema nacional, estreando no filme Quilombo (1984), de Cacá Diegues. Ganhou destaque como protagonista no longa Avaeté – Semente da Vingança, que lhe rendeu prêmios nos festivais de Cannes e Moscou. Participou ainda de diversos documentários, séries, curtas-metragens e novelas, incluindo o remake de Renascer (2024), de Bruno Luperi, onde interpretou Francisco Cunha, o Chico das Mortes.
A EXPOSIÇÃO
A mostra apresenta utensílios domésticos confeccionados com casca de coco e destaca a riqueza da medicina tradicional indígena. A cultura dos povos originários é profundamente enraizada em saberes transmitidos oralmente de geração em geração, sempre em harmonia com a natureza e o meio ambiente.
É importante ressaltar que a medicina indígena não é homogênea: cada povo possui práticas, rituais e conhecimentos próprios, moldados pelas características ambientais e culturais de suas regiões. Trata-se de um saber complexo, que une tradição, espiritualidade e ciência ancestral.
CONVITE À COMUNIDADE
Durante a abertura, Lucelena Maia destacou a importância da iniciativa e o empenho da equipe do museu. Ela aproveitou a ocasião para convidar a população a visitar a exposição. “Quero destacar o trabalho da Glorinha, que é sempre muito cuidadosa, dedicada e criativa. Não poderíamos deixar o Dia dos Povos Indígenas passar em branco. Ela criou essa oca com elementos que representam a história e a cultura indígena. Tivemos ainda a honra de receber Maksuara, que compartilhou histórias emocionantes sobre o seu povo. É uma experiência rica, de troca de saberes e de valorização da nossa história. Fica aqui o convite para que todos os sanjoanenses venham conhecer um pouco mais sobre os povos originários do Brasil”, destacou.


