Por Bruno Manson
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Uma das lideranças mais carismáticas do catolicismo, o papa Francisco morreu, aos 88 anos, na manhã de segunda-feira (21), em sua residência oficial, na Casa Santa Marta, no Vaticano, em Roma (ITA). Argentino, Jorge Mario Bergoglio, faleceu devido a um acidente vascular cerebral (AVC) e por insuficiência cardíaca.
O pontífice ficou internado por 38 dias em virtude de uma bronquite que evoluiu para uma pneumonia bilateral. Mesmo após receber alta, ele mostrava sinais de uma saúde fragilizada.
No Domingo de Páscoa (20), visivelmente debilitado, o líder religioso chegou a aparecer na sacada da Basílica de São Pedro para a mensagem de Páscoa Urbi et Orbi, deixando sua última pregação para a Igreja Católica e o mundo, bem como o seu derradeiro passeio no papamóvel.

SANJOANENSES
À frente da Igreja Católica por quase 12 anos, Francisco foi o papa número 266. Em 13 de março de 2013, durante o segundo dia do conclave para eleger o substituto de Bento XVI, o religioso foi escolhido como o novo líder do catolicismo – inclusive contra sua própria vontade, segundo ele mesmo admitiu. Na época, o jornal O MUNICIPIO trouxe cobertura completa da eleição do papa, reportando os principais acontecimentos ocorridos antes da confirmação do nome do pontífice e também trazendo com exclusividade algumas curiosidades daquele momento histórico, como o uso do incenso produzido em São João da Boa Vista, pela empresa Milagros, na missa de inauguração do pontificado. Anos depois, em dezembro de 2015, o empresário Martinho Rocha, dono da marca, teve um encontro com Francisco, na abertura da porta da Misericordia, quando lhe entregou um turíbulo com a naveta [recipiente onde se coloca o incenso] e os incensos Misericordiae, criado para ocasião, e o Urbi et Orbi.

Conhecido por retratar diversas autoridades religiosas, além da idealização de diversas obras para igrejas e capelas, o artista plástico sanjoanense Lucas Zofanetti teve a oportunidade de estar pessoalmente com o Francisco em 2018, no Vaticano. Acompanhado da esposa Thatiane, ele entregou ao pontífice uma de suas obras: a pintura de Nossa Senhora dos Surdos.
ENCONTRO EM ROMA
Natural de Aguaí, o padre Guilherme da Silva Marrichi Dias já atuou como vigário paroquial na Catedral São João Batista, entre fevereiro à agosto de 2024, e agora está estudando e residindo em Roma, e já teve a oportunidade de encontrar-se com Francisco. “Tive a graça de vê-lo pela primeira vez na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, e aqui em Roma, sempre o via na janela do Palácio Apostólico para a recitação do Angelus aos domingos. Mas, no dia 31 janeiro deste ano, tive a honra de me encontrar pessoalmente com ele na abertura do Ano Judiciário da Rota Romana (Tribunal Eclesiástico de última instância que lida com as questões relativas à nulidade matrimonial) e ele, com o humor que lhe era característico, depois de perguntar de que lugar do Brasil eu era, acrescentou: ‘Você, que é brasileiro, também pensa que cachaça é água?’, brincou. O encontro foi fotografado e está entre as recordações mais estimadas do padre. “Tenho uma fotografia deste momento que guardarei com muito carinho”, frisou.
LEGADO
Francisco teve sua trajetória como líder da Igreja Católica marcada por gestos de humildade e posicionamentos firmes sobre temas sociais e ambientais. Como primeiro papa jesuíta e latino-americano da história, ele conduziu a Igreja em um período de grandes transformações, enfrentando desafios internos e externos com um olhar voltado para a misericórdia e a renovação. Seu papado foi caracterizado pela defesa dos imigrantes, a luta contra a desigualdade e por um chamado urgente para a preservação do meio ambiente. Ele aproximou a Igreja Católica dos mais pobres e se tornou um símbolo de diálogo e inclusão, consolidando seu legado como um dos pontífices mais influentes do século XXI.

NOTA DE PESAR
A Diocese de São João da Boa Vista emitiu uma Nota de Pesar pelo falecimento de Francisco, onde destaca o trabalho realizado pelo papa ao longo desses anos no comando da Igreja Católica. “Em oração, pedimos ao Senhor que acolha Sua Santidade em sua infinita misericórdia e que continue a guiar a Igreja com o mesmo Espírito de amor e renovação que caracterizou seu pontificado. Descanse em paz, Papa Francisco. Obrigado por ter sido um verdadeiro pastor, um servo dos servos de Deus, e por ter nos mostrado, com palavras e atitudes, a ternura do Evangelho”, consta na nota assinada pelo bispo Dom Eugênio Barbosa Martins.
DESPEDIDA
A Igreja Católica iniciou as cerimônias para se despedir de Francisco. Os ritos são divididos em três etapas, que vão desde a preparação do corpo até o enterro. A primeira ocorreu ainda na segunda-feira, quando foi confirmada a morte do pontífice e selado os aposentos papais. A partir desta quarta (23), quando o corpo for levado à Basílica de São Pedro, os fiéis poderão prestar as últimas homenagens. O funeral será sábado (26) às 10h no horário de Roma – 5h no horário de Brasília, quando será celebrada a Santa Missa Exequial na Basílica de São Pedro, presidida pelo cardeal Giovanni Battista. Logo após, o corpo do pontífice seguirá em procissão até a Basílica de Santa Maria Maggiore, onde será sepultado.
(Colaborou Pedro Souza)




