Por Ana Paula Fortes
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O Estado de São Paulo deu um passo importante na integração da cultura à educação: programa Guri nas Escolas. Fruto de uma parceria entre as Secretarias da Cultura, Economia e Indústria Criativas e da Educação, a iniciativa incorpora a música como componente essencial no currículo das escolas estaduais, oferecendo aos estudantes da rede pública a oportunidade de vivenciar a música de forma estruturada.

cognitivas e socioemocionais” (Divulgação/Arquivo Pessoal)
Com um investimento superior a R$ 9 milhões, provenientes da Secretaria da Educação, o Guri nas Escolas está em 97 unidades do Programa Ensino Integral (PEI), atendendo cerca de 20.370 alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.
O lançamento do programa ocorreu na sexta-feira (21), cerimônia na Escola Estadual ‘Professor Carlos Lencastre’, em Campinas (SP). A solenidade contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), dos secretários estaduais Renato Feder (Educação), Marília Marton (Cultura, Economia e Indústria Criativas), Gilberto Kassab (Governo e Relações Institucionais) e Marcelo Branco (Desenvolvimento Urbano e Habitação), a secretária executiva de Saúde, Priscila Perdicaris, além de prefeitos e parlamentares municipais da região. A meta do governo estadual é, até o final de 2025, chegar a 200 escolas, ultrapassando 42 mil vagas. Ainda não há informações de quando este projeto será implantado nas escolas estaduais de São João da Boa Vista e quais unidades serão contempladas.
COMO SERÁ?
O programa Guri nas Escolas visa enriquecer a formação dos alunos do Ensino Fundamental II e Médio, integrando a música de forma pedagógica ao currículo escolar. As aulas de música abordarão desde apreciação musical até composição e improvisação, alinhadas às seis dimensões do conhecimento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC): criação, crítica, estética, expressão, fruição e reflexão. Além disso, o projeto desenvolverá habilidades como memória auditiva, escuta ativa, coordenação motora e raciocínio lógico, competências que impactam diretamente no desempenho acadêmico dos alunos em outras disciplinas, como matemática e ciências.
INICIATIVA POSITIVA
Fundador da Orquestra Brasileira Inclusiva (OBI), que conta exclusivamente por pessoas com deficiência, o professor de música Carlos Henrique Toni aprovou a iniciativa do governo estadual. Na sua avaliação, o projeto trará muitos benefícios para crianças e adolescentes. “A música tem uma relação multidisciplinar, ela desenvolve habilidades cognitivas e socioemocionais, reduz a evasão escolar, além de melhorar o rendimento acadêmico”, relatou.
O músico e educador Luiz Braido defendeu a urgência do ensino musical. “A educação musical deveria ser tão fundamental quanto a social. Ela opera na esfera abstrata, modificando pensamentos, moldando caráter e influenciando atitudes. Muitos não percebem, mas a música é um pilar do desenvolvimento humano. Não se trata de formar profissionais, mas de ajudar cada indivíduo a compreender seu lugar no mundo”, afirmou.
De acordo com ele, esta iniciativa chega com décadas de atraso, mas pode representar um divisor de águas na educação paulista. “Nossa educação abandonada reflete a falta de interesse em formar cidadãos críticos. Será que querem mesmo mentes pensantes? Ainda assim, é um avanço crucial. Tenho certeza que mudará o futuro de muitas crianças”, disse. “Nem todos serão artistas, mas todos podem ser melhores seres humanos através da música”, concluiu o educador.




