Por Mariana Mendes De Luca | @marianamdeluca
O ano era 2017 e eu levava para o bloquinho de Carnaval uma garrafa de vinho branco e uma taça. Naquela época, era preciso gostar muito de vinho para curtir a folia com um vinho refrescante sem culpa.
E foi nesse mesmo ano, e de maneira muito inteligente, que começamos a ver um movimento onde produtores do Rio Grande do Sul surfaram em uma onda global e começaram a produzir as primeiras latas de vinho no Brasil.
Essa onda surgiu nos anos 2000, mas há quem diga que ela já havia sido testada na década de 1930 nos Estados Unidos, quando enlataram as primeiras bebidas. Porém como era difícil manter a estabilidade dela, já que os métodos de produção visavam o envase na garrafa de vidro, a ideia foi descartada, sendo recuperada quase 70 anos depois, em virtude da praticidade do consumo do vinho.
Talvez, praticidade seja a maior qualidade dos vinhos em lata, já que com ela, fica mais fácil levar o vinho para vários lugares, como teria sido no meu Carnaval lá em 2017 por exemplo.
Entre outras qualidades do vinho em lata, temos uma maior resistência da embalagem se comparado a garrafa de vidro, uma maior proteção contra a luz e um melhor tempo de resfriamento, mas o ponto que mais me chama atenção, é que por ser hermeticamente fechada, garante que o oxigênio não entre, mantendo assim o vinho como tem de ser, isolado de qualquer influência externa.
Porém, existem algumas questões onde não devemos colocar nossa expectativa e uma delas é na qualidade dos vinhos que serão enlatados, pois ali certamente não teremos os maiores destaques da enologia.
Os vinhos em lata encontrados no mercado hoje, são vinhos produzidos por um processo menos demorado e específico para esse tipo de envase. Não encontramos por exemplo vinhos que descansaram por meses em uma barrica de carvalho, ou ainda, que depois de envasados, foram armazenados até sua comercialização para um melhor amadurecimento da bebida. Também não temos aqueles que são frutos de uvas específicas ou que exigiram uma complexa produção.
A grande parte deles são vinhos descomplicados, frutos de um movimento que busca praticidade e que vem ganhando a atenção dos olhares atentos de enólogos reconhecidos e vinícolas renomadas, para que em lata, nos seja entregue uma boa bebida.
A proposta da lata é casualidade, portanto, não faria sentido termos um vinho complexo, que exija do nosso paladar uma melhor percepção para apreciar suas propriedades.
Eu compararia um vinho em lata com aqueles que nos são servidos em resorts e ambientes semelhantes, a preocupação para estes não é sua complexidade, mas sim, sua refrescância, seu aroma e claro, sua temperatura de serviço.
Para isso, o vinho em lata é perfeito!
Pois hoje, as mais de 15 marcas comercializadas no Brasil, nos trazem a refrescância perfeita para apreciar a bebida na beira da praia, no bloco de Carnaval e até mesmo, para preparar um drink.
E aí eu chego em um dos pontos que mais me são favoráveis no vinho em lata, a quantidade. E quem já comprou uma garrafa de vinho, usou uma pequena quantia para um drink e acabou descartando o restante dela, vai entender perfeitamente o motivo pelo qual eu aprovo o vinho em lata.
Sendo assim, se a proposta é manter a casualidade, por que virar sommelier no meio do bloco de Carnaval?
Um brinde com um vinho em lata (e na lata) e até A Próxima Taça!




