Novo Horizonte completa 36 anos de atuação em São João

Por Clovis Vieira
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Exatamente nesta quarta-feira (26), o grupo Novo Horizonte registra 36 anos de atividades junto à comunidade sanjoanense, prestando apoio a dependentes de bebidas alcoólicas. Desde o dia 26 de fevereiro de 1989, um sem-número de alcoólatras encontram suporte social e psicológico para reintegrar-se à sociedade, após terem vivido o que chamam de ‘inferno’ causado pela adicção ao álcool. Logo mais à noite, uma pequena festividade marcará a data. As reuniões do grupo ocorrem às quartas e domingos no Salão Diocesano, na Praça da Catedral, com entrada e participação aberta a todos os interessados.

Comunidade: grupo destaca que é a união entre os participantes que fortalece os objetivos dos Alcoólicos  Anônimos (Reprodução/Novo Horizonte)

“Depois da Cruz Vermelha, o grupo Alcoólicos Anônimos [AA, que completa 90 anos] está em segundo lugar salvando vidas. Se eu estou ‘limpo’ hoje, eu devo ao AA”, atestou o coordenador José Marcos Pestana. Desde 1986 participando dessas reuniões buscando escapar do vício, ele confessa que mesmo se sentindo recuperado, experimentou duas recaídas e, neste momento, faz três anos que mantém a sobriedade.

Outra função que exerce é ser o portador de mensagens ao alcoólico que ainda sofre com a situação. Em breve, deverá palestrar no grupo Amor Exigente, que atua como apoio e orientação aos familiares de dependentes químicos e às pessoas com comportamentos inadequados.

INFERNO

São João conta com três grupos realizando esse trabalho de apoio, reunindo em torno de 40 pessoas: Alvorada, Novo Horizonte e Crepúsculo. “Para falar a verdade, a minha vida no alcoolismo era um inferno, porque eu não vivia e não deixava a minha família viver; maltratei muito minha esposa, os meus filhos, a minha mãe, maltratei a mim mesmo”, confessou Pestana. Aquele período também registrou inúmeras perdas materiais e de oportunidades na vida dele. “Depois que eu conheci o AA, a minha vidaw mudou!”, declarou.

Ao receber o convite para integrar-se ao Novo Horizonte e participar das reuniões, ele conta que reagiu igual à maioria dos dependentes do álcool que negam essa condição: recusou-se fortemente a atender o convite de um colega que já era frequentador. Porém, aos poucos, esse amigo o convenceu a assistir a sua primeira reunião. “Hoje, eu faço de tudo para não sair daqui, não perco nenhuma reunião, procuro ajudar quem está precisando do mesmo socorro que eu precisei um dia, auxilio muitas famílias, coordeno reuniões; hoje, a minha alegria e estar aqui!”.

VÍCIO

Adicção é uma dependência física ou psíquica, ou seja, um vício que pode ser causado por substâncias ou atividades. É uma doença crônica, que pode ser psicológica ou física e que está associada a desequilíbrios cerebrais. O site da entidade (www.aa.org.br) informa que essa condição pode ser causada por substâncias como álcool, tabaco, drogas ilícitas e medicamentos psiquiátricos.

As consequências são assustadoras. A adicção ao álcool pode causar prejuízos à vida do adicto e daqueles que o rodeiam, pode ser difícil de controlar e pode ser difícil de libertar-se. E o pior: pode agravar-se progressivamente se não receber a atenção necessária e levar à morte. “Eu também busco muito pela espiritualidade, busco por Deus na minha vida e não falto às reuniões”, afirmou.

Atualmente os três grupos sanjoanenses não recebem patrocínio de qualquer ordem e são mantidos por pequenas doações de seus integrantes. A Igreja Católica disponibiliza gratuitamente o espaço do Salão Diocesano para essas reuniões.

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