A manutenção de prédios históricos em São João da Boa Vista

Hoje é dia de lembrar aos leitores do jornal O MUNICIPIO de algo muito importante: o patrimônio histórico material de São João da Boa Vista deve ser valorizado, antes que desapareça. Sim, é necessário preservar o conjunto de bens físicos que possuem valor histórico, cultural e social para garantir que futuras gerações possam compreender e se conectar com suas raízes. É sabido que esses bens podem ser móveis ou imóveis, mas neste artigo o foco é a manutenção dos prédios históricos da.

Sem dúvida, os prédios históricos representam muito mais do que a permanência de meras estruturas arquitetônicas do passado. Na verdade, são testemunhas materiais da história, da cultura e da identidade de São João. Por oportuno, a saudosa professora, escritora e historiadora Emília Viotti da Costa (1928-2017) nos deixou um importante alerta: “Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado”.

Nesse sentido, a manutenção de prédios históricos desempenha um papel vital na preservação do patrimônio cultural. Essas edificações frequentemente exibem estilos arquitetônicos únicos, técnicas construtivas singulares e materiais que não são utilizados atualmente. Cada detalhe, como ornamentos, janelas e tijolos, conta uma história sobre o período em que o prédio foi construído, refletindo os valores, as tecnologias e as aspirações de outrora. Além do valor cultural, a conservação desses edifícios também traz benefícios econômicos e sociais, pois prédios históricos bem conservados atraem turistas, estimulam o comércio local e valorizam o entorno urbano. Cidades com áreas históricas bem cuidadas se tornam destinos procurados, gerando receitas e promovendo o crescimento sustentável. Por outro lado, essas construções também criam um senso de pertencimento e orgulho entre os moradores, fortalecendo a identidade comunitária.

Não obstante, a manutenção de prédios históricos exige cuidado e planejamento adequados. O recém-empossado administrador municipal de São João terá o premente e inadiável desafio de proteger as edificações que moldaram a história sanjoanense, as quais estão sendo ameaçadas pela transformação urbana e pelo mercantilismo imobiliário.

Um exemplo a ser destacado com grande preocupação foi a demolição de um tradicional casarão localizado num raio de 300 metros do Theatro Municipal, mais precisamente na esquina das ruas Saldanha Marinho com Teófilo de Andrade. Este imóvel foi construído como residência urbana pelo Coronel Domingos Theodoro de Azevedo Sobrinho no ano de 1894. Portanto, algumas perguntas são inevitáveis: como evitar que equívocos dessa natureza aconteçam novamente? Qual é o verdadeiro papel do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São João da Boa Vista (CONDEPHIC)? Por que esse órgão consultivo se mostrou tão débil a ponto de não conseguir evitar a demolição de um importante prédio histórico em nossa cidade?

Enfim, preservar prédios históricos não é apenas uma forma de homenagear as gerações anteriores, é sobretudo assumir um compromisso com o futuro por meio do investimento na memória, na identidade e no legado que desejamos deixar para as próximas gerações de sanjoanenses que certamente virão depois de nós.

Antonio Artequilino da Silva Neto é historiador, doutor em Linguística, mestre em Educação, escritor e professor.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here