Monsenhor Eugênio assumirá Diocese de São João dia 7 de abril

Por Marcelo Gregório
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O novo bispo da Diocese de São João da Boa Vista, monsenhor Eugênio Barbosa Martins, 63, — nomeado pelo papa Francisco — está pronto para assumir o posto católico. A cerimônia de ordenação, posse e celebração está programada para o dia 7 de abril, às 9h, no ginásio Nildes Fontão de Souza — Centro de Integração Comunitária (CIC). Residente em Roma, na Itália, desde 2011, o religioso disse em entrevista exclusiva ao O MUNICIPIO que a chegada ao Brasil está prevista para a primeira semana de março.

Monsenhor Eugênio: novo bispo deixará Roma após 12 anos (Divulgação/Arquivo Pessoal)

Residente na capital italiana, há 12 anos, o mineiro de Araguari foi eleito e reeleito como superior geral da Congregação do Santíssimo Sacramento, em 2011 e 2017 — em mandatos de seis anos. Na quinta-feira (25), teve início a atividade de transição do cargo, que será ocupado pelo padre indiano Philip Benzy Romician. O retiro espiritual, considerado uma das mais importantes etapas para a coordenação episcopal, terminará na sexta-feira (2).

Monsenhor Eugênio deixará Roma, rumo ao Brasil, seis dias depois. No entanto, antes de chegar em São João, ele passará por Belo Horizonte (MG) e, em seguida, Uberaba, no Triângulo Mineiro, onde reside a sua família. O próximo passo será um diálogo presencial com o administrador apostólico Dom Moacir Silva, arcebispo de Ribeirão Preto (SP), que está, momentaneamente, à frente da Diocese de São João. “É uma grande expectativa iniciar os primeiros contatos com a realidade que marcará a minha missão nos próximos anos. Sempre gostei de atuar nas atividades pastorais e nestes últimos 12 anos tive um serviço específico aqui de coordenação como superior geral e estou com grandíssima disposição em retornar ao Brasil e iniciar uma nova etapa da minha vida a partir de uma coordenação de um trabalho mais diretamente com as comunidades, pessoas, o clero, os religiosos e religiosas, enfim, a atividade pastoral. E vou doar no máximo que eu puder”, declarou o bispo eleito.

CONVITE DO PAPA

Terminado o mandado como superior-geral do Santíssimo Sacramento, em Roma, monsenhor Eugenio afirmou ao O MUNICIPIO que retornaria ao Brasil para fazer parte de uma comunidade sacramentina na capital mineira. Mas, foi comunicado pelo líder máximo da Igreja Católica que teria outra missão pela frente: assumir a Diocese de São João. “Eu recebi o chamado do papa Francisco inicialmente com muita surpresa e confesso com certa apreensão. Eu não sou um jovenzinho, sou [um] padre já com 63 anos, porém, a igreja através dessa nomeação do papa Francisco quis contar com a minha experiência de vida num contexto de visão mais internacional. Após três dias do primeiro convite, com uma experiência de reflexão, de oração e compartilhas com o meu diretor espiritual, respondi positivamente a este chamado contando essencialmente com a infinita misericórdia de Deus que sempre nos acompanha e nos ampara nos nossos desafios”, pontuou.

VISITA ÀS PARÓQUIAS DA REGIÃO

Assim que assumir a Diocese de São João, monsenhor Eugenio deverá visitar os 18 municípios que compõem a unidade. Segundo ele, os encontros não serão para conhecer geograficamente as cidades, mas saber da realidade dos seus habitantes, incluindo lutas, sofrimentos, alegrias e conquistas. “Eu terei a oportunidade e o prazer de ir aprofundando o conhecimento a esta nova realidade para mim. Com isso, vou conhecendo as pessoas e como elas estão organizadas nas comunidades, nas paróquias, nas ações sociais e em todos os envolvimentos que compõem a vida da igreja”, destacou Martins.

DESAFIOS DO 7º BISPO

Sétimo bispo da Diocese de São João, monsenhor Eugenio substituirá Dom José Carlos Brandão Cabral, que pediu renúncia em novembro do ano passado por motivo de doença. Quanto aos desafios que terá pela frente, o novo bispo assegurou que o principal objetivo será testemunhar a Eucaristia. “Nós, como consagrados religiosos, vivemos em comunidades de vida na construção com todos os leigos e leigas. A celebração eucarística, como a igreja nos ensina, [tem] o modo especial de oração que é a adoração eucarística diante do Santíssimo Sacramento. O carisma que marca a minha existência como religioso membro da congregação como presbítero e agora como futuro bispo da igreja de São João da Boa Vista será a partir da celebração da eucaristia acentuando a sinodalidade que a igreja pede neste momento histórico”, pontuou.

TRAJETÓRIA NA ITÁLIA

Em Roma desde 2011, monsenhor Eugenio foi eleito o superior-geral da Congregação do Santíssimo Sacramento, após assembleia que reuniu representantes de 30 países. Em 2017, foi reeleito em uma conferência realizada nos Estados Unidos. Depois de 12 anos, o mandato terminou em novembro de 2023. “Nós fizemos pela primeira vez na história da congregação, a celebração do capítulo geral na Ásia, especificamente, no Vietnã. É uma província muito florescente, são mais de 160 religiosos padres e a importância hoje da presença da igreja na Ásia nos fez também puxar para que esta celebração do nosso capítulo fosse nesta região. Ali, nós elegemos o meu sucessor que é o primeiro indiano como superior geral da nossa congregação”, contou.

A SERVIÇO DOS IRMÃOS

Confiante em desenvolver um trabalho com eficiência na Diocese de São João, monsenhor Eugenio já aproveitou para agradecer a todas as manifestações de apoio desde o momento em que foi nomeado pela papa Francisco. “E com isso, peço orações de todos os cristãos católicos para que eu possa viver com muita fidelidade esta missão que a igreja me pede. Cada bispo é chamado a ter um lema que orienta o exercício do seu ministério episcopal e, no meu caso, eu escolhi o versículo 5 do cap. 13 do Evangelho de São João. Lá está escrito: ‘ e começou a lavar os pés dos discípulos’. Neste contexto, tem aquele gesto profético de Jesus de ir, se levantar, tirar o avental e começar a lavar os pés dos discípulos. Essa é uma expressão para nós muito importante [em que] nós vimos que viver a eucaristia é colocar a nossa vida a serviço dos irmãos e irmãs. Lavar os pés, dentro daquela cultura, é considerado um dos serviços mais humildes e desqualificados. Era um serviço feito pelos escravos e Jesus se iguala a esse serviço para dizer que a sua entrega é infinita e total. É uma inspiração tanto ousada [eu] querer imitar Jesus nesse sentido, mas é a iluminação que eu trago para o exercício da minha missão para a Diocese de São João da Boa Vista”, concluiu.

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