Comunidade negra pede maior visibilidade social

Por Clovis Vieira
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“Aqui em São João, nós ainda esbarramos na falta de conscientização de empresários no sentido de promover a igualdade e, principalmente, a equidade (acesso de todos às mesmas oportunidades)”. Quem provoca essa discussão é a sanjoanense Maria de Lourdes Oliveira Juvêncio, presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra, que também é advogada e membro da Academia de Letras de Sã João da Boa Vista (Alsjbv). Referindo-se ao grupo que representa, a declaração de Juvêncio surge no mesmo momento em que uma multinacional líder em nutrição sustentável, localizada em Campinas (SP), realiza a segunda edição do projeto ‘Gerando Baristas’.

Formação escolar tardia: fator que destina aos jovens negros subempregos com o primeiro emprego (Reprodução/Via Google)

Essa ação tem por objetivo promover a formação básica de barista para jovens em situação de vulnerabilidade, com destaque para pessoas negras. A primeira edição do projeto foi reconhecida pela Aevo, uma startup de gestão da inovação e estratégia, na categoria ESG (Ambiental, Social e Governança, em inglês), ficando em 3º lugar no Prêmio de Intraempreendedorismo 2023.

“A experiência [nesse projeto] permite que os participantes contatem todos os elos da corrente do café, da colheita à xícara, apoiando a mudança social em suas vidas. Trabalhar a sustentabilidade social é um dos objetivos de negócio da nossa empresa e esperamos fazer a diferença na vida dos participantes e suas famílias”, explicou Márcio Luz, gerente-geral da multinacional.

ESCOLARIDADE

Apoiada em sua experiência de campo, a sanjoanense relata que, ao assumir o cargo no Conselho Municipal, realizou pesquisa de empregabilidade e de políticas públicas em São João, voltadas à comunidade negra. “O que sempre ouvimos é: ‘nós tratamos todos com igualdade e não fazemos qualquer distinção’; mas é preciso que haja essa distinção, pautada na defasagem que há na escolaridade de grande parte das pessoas negras, quando somente obtêm tardiamente sua formação escolar formal”. De acordo com Maria de Lourdes, é esse o fator que destina aos jovens negros subempregos como o primeiro emprego de suas vidas.

Completando essa ideia, Márcio Luz, gerente-geral da multinacional, aponta: “Um dos nossos objetivos [com o projeto ‘Gerando Baristas’] é transformar a vida dos jovens que moram na favela, dando insumos para que eles, além de capacitação profissional e entrada no mercado de trabalho, compreendam que possuem protagonismo para trilharem uma carreira de sucesso”.

SÃO JOÃO

Em um momento em que a cidade trabalha para fortalecer o turismo, Maria de Lourdes pergunta: “O que o empresariado, e mesmo a municipalidade, podem oferecer para a comunidade negra nesse setor? Se considerarmos São João uma cidade inclusiva, é preciso incluir essa comunidade na empregabilidade que oferece, não apenas nessa área turística, mas em outras que apresentam uma lacuna desses jovens em seus quadros de funcionários”.

Informação importante sobre esse universo é que, em suas pesquisas de campo, ela e seus companheiros de trabalho não encontraram nos levantamentos que fizeram quaisquer informações de percentuais de cargos ocupados por jovens negros. “Nós temos alguns projetos organizados para melhorar a situação geral, mas não conseguimos realizar parcerias visando essa equidade que citamos acima e essa igualdade de oportunidades”, encerrou.

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