Perfil: Luiza Medina cria novo teste olfativo premiado

Por Clovis Vieira
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Foto: Arquivo pessoal

Luiza Helena Chuque Medina, 25, estuda no quarto ano de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Como autora principal de um projeto, participou recentemente (30/novembro a 02/dezembro) com ele do Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia, ocorrido em Salvador (BA). Ali, apresentou trabalho científico criado em parceria com oito integrantes do Departamento de Otorrinolaringologia da Santa Casa, como única aluna desse grupo. O título é ‘Desenvolvimento de um novo teste olfatório para a prática clínica: Santa Casa de São Paulo Olfactory Test (SCOT)’.

Para sua alegria, o trabalho foi considerado o segundo melhor apresentado nessa edição do Congresso e o primeiro na área de rinologia. “É uma vitória das muitas pessoas envolvidas na realização desse trabalho”, apontou. “Essa apresentação entra no meu currículo e me ajuda com pontos para eu me tornar uma otorrinolaringologista um dia”. Outra conquista, digna de registro, é que a partir de agora a Medicina poderá se utilizar das descobertas de Luiza e seus parceiros no tratamento de pessoas que perderam o olfato como consequência da Covid-19.

NOVIDADE

“São poucos os testes disponíveis, atualmente, que identificam e tratam esse distúrbio de olfato”, explicou. O diferencial é que o teste desenvolvido pela equipe de Luiza, patrocinado pela indústria Firmenich de aromas e fragrâncias, tem maior durabilidade, os frascos utilizados nele são herméticos e excluem a contaminação paciente-paciente no momento de sua aplicação. “Nós melhoramos um teste que já tinha um bom potencial, o teste de Connecticut”, aplaudiu. Aqui, ela faz questão de apresentar o nome do orientador do trabalho: Marcel Menon Miyake.

Ela explica que, num congresso, os trabalhos podem ser apresentados de duas formas: com um pôster ou numa apresentação oral. Esta última tem maior prestígio junto à banca examinadora, que nesse caso foi formada por três pessoas. “Quando chegamos para apresentar o trabalho, tinha um pessoal da Santa Casa assistindo, tinha residentes de todo o Brasil. E a maioria das apresentações é composta por trabalhos de mestrado, sendo que o meu é uma iniciação científica porque eu ainda estou na faculdade e alunos da Medicina podem se inscrever num congresso”.

PROFISSÃO

Ao observar todos os acontecimentos em torno dessa vitória, a estudante de Medicina afirma: “Eu sempre quis ser médica, fiz três anos de cursinho e lutei muito para concretizar esse desejo. Em 2020, em plena pandemia de Covid 19, consegui entrar na Santa Casa”. Neste momento, sua lembrança volta ao tempo de colegial, quando havia apresentações das profissões futuras e ela sempre participava vestindo um jaleco branco, antecipando seu futuro como médica. Pior para o vôlei brasileiro, que ‘perdeu’ uma futura jogadora: Luiza recorda que na infância o seu desejo era se tornar uma atleta dessa modalidade esportiva.

A alegria de Luiza, como o esperado, contagiou toda a família. “Nossa, meus pais ficaram muito orgulhosos desse fato. Eles já estavam assim só pelo fato de eu apresentar esse trabalho num congresso de Medicina. E quando eu ganhei, então, foi uma festa, porque eu superei diversos trabalhos de mestrado e doutorado que também estavam concorrendo. Eles ficaram extremamente orgulhosos e eu me senti realizada”, encerrou.

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