Acusado de matar cachorra ‘Café’ diz que não se lembra do crime

Por Marcelo Gregório
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Sem pôr os pés no Fórum de São João da Boa Vista, o psicólogo Antonio Carlos Zogbi Perette, acusado de matar brutalmente a cachorra ‘Café’, participou mais uma vez de forma remota da segunda audiência de instrução, debates e julgamentos, que aconteceu na tarde da segunda-feira (11). Conforme apurado pela reportagem do O MUNICIPIO, em seu depoimento, o réu teria afirmado à juíza dra. Elaní Cristina Mendes Marum que “não se lembra do crime, mas que se arrepende”.

Na frente do Fórum: ativistas mais uma vez acompanharam o julgamento do réu (Divulgação/Graciana Burkle)

Diante da suposta contradição, uma das testemunhas de acusação, que atua como policial civil, teria afirmado durante a audiência que em toda a sua trajetória profissional nunca havia visto um crime tão cruel, como o que matou a ‘Café’. Acerca de possíveis latidos do animal, que teriam incomodado Perette e o incentivado a cometer a barbárie, o policial disse que nenhum dos vizinhos ouvidos pela investigação havia reclamado que o animal fazia barulho.

ATIVISTAS

Três ativistas que acompanham o caso desde o início e pedem a condenação do psicólogo foram autorizadas pela juíza a assistirem aos depoimentos na sala de audiência do Fórum, mesmo que a Defesa solicitasse à magistrada que elas deixassem o local para não ‘inibirem’ o réu. Todavia, a decisão de Marum foi mantida e as protetoras permaneceram.

As testemunhas a favor do acusado, que incluiu o psiquiatra dele, um amigo e um primo, teriam discursado que não são de frequentar a casa do réu, nunca souberam da cachorra e apenas relataram que Perette é um rapaz bom. Os advogados de Perette seguem defendendo que ele tem insanidade mental e, por isso, precisaria passar por perícia no Instituto de Medicina Social e de Criminologia (Imesc). A reportagem do O MUNICIPIO entrou em contato com a Defesa, que ficou de se manifestar, mas até o fechamento desta edição não houve retorno.

PERÍCIA

Assim que ouviu as testemunhas, de ambos os lados, a juíza decidiu que aguardará por 30 dias se o Imesc, autarquia vinculada à Secretaria Estadual da Justiça e Cidadania, emitirá resposta acerca da data da perícia. Somente após esta avaliação especializada é que a terceira audiência deverá ser agendada. As ativistas da causa animal, que expuseram cartazes pedindo justiça, também querem que o acusado pelo crime da cachorra tenha o registro profissional de psicólogo extinto, em razão da insanidade mental alegada.

RELEMBRE O CASO

A cachorra ‘Café’ foi brutalmente morta no dia 30 de abril, no bairro Perpétuo Socorro, em São João. Segundo a perícia, Perette usou uma escada e pulou o muro da residência dele para atacar o animal de estimação que ficava no quintal da Boutique Filomena Cecílio. A cachorra teve fratura no maxilar e, para fugir das agressões, entrou na casinha de plástico. Em seguida, o psicólogo teria fechado a saída do abrigo e ateado fogo, impedindo que ‘Café’ saísse. A cadela conseguiu escapar somente depois que a casinha havia derretido.  Mesmo resgatada com vida, a cachorra não resistiu e morreu dez horas depois.

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