Por Clovis Vieira
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Edição da quarta-feira (6) trouxe informações sobre a alfabetização na rede municipal de ensino. Desta vez, o foco são os sanjoanenses com 50 anos ou mais que estão frequentando a escola, muitos deles pela primeira vez. Estudam na Educação de Jovens e Adultos (EJA), uma modalidade da Educação Básica que permite ao estudante retomar e concluir os estudos. Pela rede estadual, antes disponível na Escola Estadual (EE) ‘Cel. Joaquim José’ e na EE ‘Padre Josué Silveira de Mattos’, a partir de 2023 somente a primeira escola oferece esse benefício. A falta de procura causou o encerramento na EE ‘Padre Josué’.

De acordo com informações da Diretoria de Ensino de São João da Boa Vista, estão matriculados no EJA Ensino Médio 167 alunos. Essa modalidade aceita matrículas de pretendentes com idades a partir de 18 anos. As aulas são noturnas e o ciclo é semestral. Em consulta à direção da EE ‘Cel. Joaquim José’, a informação é que, diante do sigilo exigido no prontuário do aluno, fica difícil saber quantos são aqueles com 50 anos ou mais. São atendidos por 23 professores, que ministram 12 disciplinas.
“Eu defino lecionar no EJA como uma experiência gratificante”, avaliou Syomara Dias, professora na modalidade, atuando no magistério há 20 anos. “Temos vários alunos que pararam de estudar a muito tempo e o mercado de trabalho exige que eles se atualizem. Estes têm entre 50 e 65 anos. Alguns dos nossos alunos já são avós e querem essa atualização”. A docente informa que um terço dos estudantes em sala de aula têm essas idades. “São alunos que desejam resgatar aquele tempo em que deixaram de estudar e admiram a falta de interesse dos jovens pelo estudo, atualmente”, encerrou.
MUNICIPAL
A Prefeitura de São João, por meio do Departamento Municipal de Educação, oferece duas modalidades de Educação de Jovens e Adultos (EJA), sendo uma dela projeto que subsidia os estudantes para dar prosseguimento em estudos futuros (o Projeto de Jovens e Adultos – Proeja) e o outro na modalidade a distância. Importante ressaltar que “o Programa não certifica, apenas atesta que o estudante o frequentou”, informou a diretora de Educação Eloisa Matielo Ribeiro.
O objetivo, de acordo com ela, é propiciar conhecimento e subsídios para que o aluno dê continuidade nos estudos através do desenvolvimento de competências e habilidades. Hoje, são oferecidas Turmas de Proeja nas Escolas Municipais de Ensino Básico (Emebs) ‘José Procópio do Amaral’, ‘Sarah Salomão’ e ‘Jose Peres Castelhano’. São oferecidas 25 vagas por Emeb, totalizando 125 vagas e formadas turmas desde que haja demanda. As inscrições acontecem durante o ano todo, de acordo com o interesse dos alunos.
Na Emeb ‘Dr. José Procópio Do Amaral’, há um estudante com 67 anos, dois com 74 anos e um com 50 anos, totalizando 4 estudantes igual ou acima de 50 anos. Os demais possuem abaixo da referida idade. Na Emeb ‘José Peres Castelhano’ há dois estudantes com 50 anos, um com 53 anos e um com 64 anos, totalizando 4 estudantes acima de 50 anos. Na Emeb ‘Sarah Salomão’ há um aluno com 50 anos, um com 53 anos, outro com 55 anos, um estudante com 56 anos, um com 57 anos, um aluno com 60 anos, um com 61 anos, um com 86 anos, no total de 8 estudantes nesta Unidade Escolar. No total da rede no EJA em 2023 são 16 alunos acima de 50 anos. Que somados ao EJA Virtual totalizam 22 estudantes acima de 50 anos hoje em São João na rede municipal. Dentre os estudantes ativos no EJA Virtual, apenas seis possuem mais de 60 anos.
Mobral foi programa de alfabetização criado na Ditadura Militar brasileira e durou 15 anos
Quando o assunto é alfabetização de adultos, o programa que mais rapidamente vem à mente de muitas pessoas é o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral). Ele foi instituído pelo decreto nº.: 62.455, de 22 de março de 1968, durante o governo Costa e Silva, na Ditadura Militar. Durante mais de uma década, jovens e adultos frequentaram as aulas do Mobral; o programa durou 15 anos e há muitas histórias a serem contadas.

A recessão econômica iniciada nos anos 1980 inviabilizou a continuidade do programa. A partir de 1985, com o fim do regime militar, a Fundação Mobral passou a se chamar Fundação Nacional para Educação de Jovens e Adultos-Educar. Em 1990, a Fundação Educar também foi extinta. “Trabalhei de 1974 a 1988 no Mobral, vinculada à prefeitura de São João”, disse a professora Tereza Baraúna.
Nesse período, coordenou o programa num grupo de cidades que incluiu Vargem Grande do Sul, Santo Antônio do Jardim, Casa Branca, Aguaí, Espírito Santo do Pinhal, São Sebastião da Grama, Águas da Prata além de mais duas localidades vizinhas de S.S. Grama, que formavam a área macro de São João. “Meu trabalho era semanal. Eu trabalhava quase 10 horas por dia e ainda proferia palestras e cursos para os professores, tanto pedagógicas, quanto do processo educativo específico de alfabetização de adultos”, lembrou.
De acordo com ela, aquele foi um tempo de trabalhar com pessoas humildes e carentes. “Nós trocávamos experiências de vida em nosso bate-papo, experiências aprendidas na labuta do dia a dia. Que gratidão eu sinto por ter participado desse trabalho”. Ela chegou a implantar salas de alfabetização no interior das cadeias de São João e de Pinhal, onde fazia a supervisão para os detentos serem avaliados “tendo sempre respostas muito positivas. Foi uma característica que fez diferença na produção do projeto”, finalizou.



