Sanjoanense participa de livro de memórias estudantis

CLOVIS VIEIRA

[email protected]

A médica sanitarista sanjoanense Marta Salomão está entre os autores do livro ‘Não Nos Calamos’, lançado na sexta-feira (24) em São Paulo (SP), no bar Canto Madalena. A coletânea reúne depoimentos de 15 estudantes da então recém-criada Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu (FCMBB), nos anos 1960. O foco da obra são memórias daquele tempo.

Na época, o Centro Acadêmico Pirajá da Silva congregava todos os cursos: Medicina, Medicina Veterinária, Biologia e Agronomia, e foi o polo de ligação entre estes estudantes. Os depoimentos que compõem este livro registram como esses estudantes “vivenciaram momentos decisivos para a consolidação da FCMBB, para o combate à ditadura e para a constituição de uma consciência crítica em suas vidas pessoais e profissionais por mais de 50 anos”, informou a editora Terra Redonda.

Lançamento: folheto de divulgação traz algumas informações sobre o conteúdo da coletânea recém lançada (Divulgação/Editora Terra Redonda)

SANJOANENSE

“O foco de todos os que escreveram para o livro é contar sua história de vida, desde suas origens até um pouquinho de sua vida profissional”, disse Marta Salomão. Ela completa dizendo que o seu texto se fixou mais na vida de estudante, reportando em menor escala sobre o seu trabalho na saúde pública. “O meu texto [no livro] é muito curto, porque eu sou muito sintética, mas há colegas ali que contaram seus fatos com detalhes; eu não sou assim”.

Marta revela que, ao escrever a sua participação, teve acesso a fatos na memória dos quais ela nem se lembrava mais. “Relembrar a história é sempre importante para quem vem depois da gente. Foi um período duro da ditatura militar, que nós tivemos e enfrentamos. Isso faz parte da história recente do Brasil, que nós não podemos deixar esquecer”, finalizou.

DITADURA

Em um contexto singular da história brasileira, em plena ditadura empresarial-militar, o centro acadêmico funcionou como um importante ambiente de formação política. Reivindicando melhores instalações, bem como condições de estudo e de trabalho para discentes e docentes, foi possível iniciar um movimento de enfrentamento ao regime com uma pauta ‘neutra’, apoiada por professores e população local.

O conteúdo do livro mostra como o aprendizado desses primeiros anos sedimentou um compromisso com um Brasil mais justo, desdobrando-se em atividades de militância nas diversas áreas em que cada uma e cada um passaram a atuar profissionalmente. “A orientação do partido clandestino Ação Popular nas lutas locais foi o fio condutor para uma formação engajada, a partir da qual fizeram seus próprios caminhos”, concluiu a editora.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here