Em sessão tensa, prefeita garante que pagará piso da enfermagem

Por Marcelo Gregório
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A prefeita de São João da Boa Vista, Maria Teresinha de Jesus Pedroza (PL), garantiu que no máximo até segunda-feira (16) aparecerá na conta bancária dos mais de 600 profissionais da área da saúde o esperado pagamento do Piso Nacional da Enfermagem. O anúncio da chefe do Executivo ocorreu na sessão da Câmara Municipal de segunda-feira (9), em meio a protestos e insatisfação de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem pela demora da liberação do dinheiro.

Desconfortável: Teresinha chegou a se irritar enquanto argumentava sobre o motivo do atraso (Fotos: Marcelo Gregório/O MUNICIPIO)

No auditório completamente lotado, Teresinha se mostrou claramente desconfortável e chegou a se irritar com sorrisos irônicos enquanto argumentava sobre o motivo do atraso. “Eu não entendi porque a moça lá está rindo. Tem alguma coisa errada?”, questionou a prefeita, após ‘flagrar’ a manifestação facial de uma profissional. Mesmo incomodada, a mandatária continuou o discurso e prometeu que a agonia terminaria. “Até segunda-feira vocês vão receber. Não vão receber até sexta porque tem o feriado. Pode conseguir [o pagamento] antes? Pode, mas eu não posso garantir. Então, a gente está dando um prazo para que vocês recebam todas as parcelas atrasadas”, assegurou a administradora da cidade.

Antes de divulgar a data do depósito, a prefeita se reuniu a portas fechadas com uma comissão formada por profissionais da enfermagem para tentar esclarecer a situação. A segurança do Legislativo precisou impedir que demais manifestantes adentrassem ao local da reunião para participar da conversa. “Nos reunimos com a prefeita para discutir o prazo máximo. Estava tudo muito subjetivo sobre o pagamento. Resolvemos fazer essa comissão para tirar tudo a limpo. A gente precisava de uma informação. Conversamos com a prefeita e alguns vereadores, e eles estipularam a data e explicaram o que ocorreu. E se comprometeram se caso não caísse [o dinheiro na conta] poderíamos comparecer novamente para reivindicar”, afirmou um enfermeiro que pediu para não ser identificado, com receio de que pudesse ser prejudicado.

ARGUMENTOS DO ATRASO

No plenário, a prefeita utilizou o argumento de que o piso da enfermagem estaria atrasado em São João porque houve falhas durante os trâmites com o governo federal. “Quando o piso da enfermagem foi anunciado todos os CPFs dos funcionários foram para o Ministério da Saúde. Um por um. O dinheiro não vem para a Prefeitura. O dinheiro vem no nome de vocês. Então, está no CPF de vocês. Só que dentro desse retorno que a gente teve houve erros. Teve que fazer planilha novamente. E dentro desse trâmite teve que fazer projeto, mandar para a Câmara, fazer cálculos. O Fábio [Ferraz], diretor da Saúde, tinha feito todos os cálculos porque veio [sic] errado do Ministério. Passar pelo administrativo, jurídico e finanças. Então, o trâmite não é tão pequeno, tem todo o seu processo”, explicou Teresinha.

Na sessão: parentes de técnica de enfermagem que teria sido demitida empunhavam cartazes

NOVOS VALORES

O Piso Nacional da Enfermagem foi estipulado em R$ 4.750,00 para enfermeiros, R$ 3.325,00 para técnicos de enfermagem e R$ 2.375,00 para auxiliares de enfermagem e parteiras. Em São João, devido ao Instituto Dra. Rita Lobato (IDRL) estar sob intervenção do Poder Executivo, os valores serão pagos aos contratados por meio da Comissão Interventora, que investiga supostas irregularidades envolvendo a Organização Social (OS). Na Santa Casa de Misericórdia ‘Dona Carolina Malheiros’, a direção do hospital já havia emitido um comunicado esclarecendo que o pagamento seria feito aos profissionais da enfermagem assim que o Poder Público fizesse o depósito.

DEMISSÕES

Horas antes da sessão da Câmara, quatro profissionais de enfermagem contratados pelo Rita Lobato, que estariam mais à frente das reivindicações para o pagamento do piso, teriam sido demitidos. Um dos desligamentos atingiu a técnica de enfermagem Marcela do Prado Souza. “A gente recebeu um comunicado para comparecer ao RH da empresa e de lá ficou sabendo que estava desligada da empresa. Não alegaram nenhum motivo. Falaram que vai mudar o quadro de funcionários. Basicamente foi isso.

Ela disse à reportagem que criou um grupo de WhatsApp para manter os interessados atualizados, mas o objetivo não deu certo. “Valeu a luta, não me arrependo. É lógico que a gente fica chateada porque agora eu perdi o meu emprego. Não somos contra a Teresinha, não somos contra vereador nenhum e não somos contra o Rita Lobato. O que a gente queria, graças a Deus, hoje foi definido. O piso da enfermagem vai ser pago na segunda-feira, graças a Deus. Por mais chateada que eu esteja, sinto que o meu dever foi cumprido”, encerrou Souza.

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