Farmacêutico ‘familiar’: figura é resgatada no País

Por Clovis Vieira
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Em tempos anteriores, diante da dificuldade de acesso a médicos, grande parte da população recorria aos conhecimentos do farmacêutico de confiança. Acolher e orientar os clientes e acompanhar a evolução de tratamentos são ações que ainda fazem parte do dia a dia desse profissional. O que se percebe, atualmente, é a necessidade do retorno da figura do farmacêutico, como orientador e, mesmo, amigo da clientela.

Acolhimento: papel do farmacêutico sempre foi o de orientar e acompanhar clientes (Reprodução/Google)

“Eu gostaria muito desse resgate. A gente percebe que aquele estabelecimento do farmacêutico familiar está sendo deixado de lado. Mas com o amor que temos pela profissão, eu confio em que aquela forma de atendimento volte”, apostou Sidney Ramos da Silva, 53, que há 42 anos atua em drogarias em São João.

Na própria farmácia, Silva garante que sempre praticou essa forma de acolhimento: “É um sistema com o qual procuramos trabalhar, a partir do que aprendi com meus ‘professores’ Paulo Abdal e Jair Morgabel, na farmácia Drogamérica”.

São João registra, na história, alguns nomes muito conhecidos de gerações anteriores, que militaram atrás de um balcão de farmácia. Entre eles, João Maniassi, que atendia na praça José Pires; Alfredo Almeida, na rua Saldanha Marinho; Braz Nicola Sabino, na praça Gov. Armando de Salles Oliveira; e Leôncio Rezende, também na praça José Pires. Quantas são as narrativas carinhosas e de profissionalismo que envolvem estes farmacêuticos e tantos outros atuais.

PROFISSÃO

O Dia Internacional do Farmacêutico, celebrado em 25 de setembro, destaca que a atuação desses profissionais vai muito além do tradicional atendimento em balcão. Muitos desempenham um papel crucial na clínica farmacêutica, fornecendo cuidados individualizados e coletivos e também se envolvendo na comunicação e educação em saúde. Com formação profissional, ele pode sugerir hábitos saudáveis aos clientes.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que, no último ano, os farmacêuticos conquistaram a segunda posição na geração de empregos formais no País, ficando atrás apenas dos enfermeiros. Em 2022, houve aproximadamente 49 mil contratações com registro em carteira, em comparação com as 31,3 mil de 2021, representando um aumento de 56%. Sinal de que o cliente deseja um profissional presente na farmácia, a maior parte do tempo.

PRESENÇA

A Lei 13.021/14, publicada em agosto de 2014, impõe que a presença desse profissional seja obrigatória em todos os estabelecimentos farmacêuticos, enquanto o comércio funcionar. A esse profissional é vedado receitar medicamentos que exigem prescrição médica; mudar remédios indicados por médico; e realizar procedimentos de execução exclusiva por médicos.

O site g1 trouxe em reportagem de 2017 que “Nos chamados consultórios farmacêuticos, o farmacêutico pode avaliar o conjunto dos remédios que o paciente está tomando quanto a possíveis interações, orientar sobre a melhor forma de tomar a medicação, ouvir o paciente sobre sua evolução clínica, fazer contato com o médico ou outros profissionais da saúde que acompanham o paciente para discutir o tratamento e indicar medicamentos isentos de prescrição médica”.

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