Retinoblastoma ameaça a saúde de bebês e crianças

Por Clovis Vieira
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O apresentador Tiago Leifert postou um vídeo-depoimento em suas redes sociais, que causou impacto principalmente em famílias com filhos menores de 5 anos: a ameaça do retinoblastoma. Trata-se de um tumor raro, identificado exclusivamente nos primeiros anos de vida da criança. O que Leifert deseja é despertar a atenção dos pais para quê os sinais não passem despercebidos. Responsável por pequena porcentagem dos cânceres infantis, ele ocorre em lactentes e bebês, sendo raro em crianças com mais de 10 anos.

Principal sintoma: reflexo branco na pupila, conhecido como ‘sinal do olho de gato’, está presente em 90% dos casos (Reprodução/Via Google)

CONDIÇÕES

“Esse tipo raro de câncer ocular representa 3% dos cânceres infantis, com uma média de 400 casos por ano. Ele ocorre com maior frequência em crianças com idades entre 2 e 5 anos”, confirmou o médico oftalmologista Antônio Heleno Montanhani. E acrescenta que a principal causa é o fator genético ou hereditário, causado pela mutação genética do gene Rb1. “Quem teve essa mutação, tem 50% de chance de passar a condição para seus descentes”, disse.

De acordo com o médico, esse fator pode acometer um ou os dois olhos e é mais comum em crianças com menos de um ano de idade. “A outra causa é denominada ‘esporádica’, que se desenvolve somente em um dos olhos, pela mutação das células e sua multiplicação descontrolada”, afirmou.

Heleno aponta como principal sintoma, presente em 90% dos casos, um reflexo branco na pupila, conhecido como ‘sinal do olho de gato’, chamado de Leucocoria. “Percebe-se, principalmente, nas fotos frontais da criança. A doença pode ser detectada através do Teste do Reflexo Vermelho, feito pelo médico neonatologista ou nos primeiros anos de vida, por meio dos exames de rotina, feitos pelo oftalmologista”, contou.

TRATAMENTO

Indagado pela reportagem, Montanhani informou que o tratamento varia de acordo com o tamanho, localização e se o tumor está disseminado ou circunscrito. Para isso são utilizados procedimentos como a quimioterapia, radioterapia, braquioterapia, laser e tratamento oftalmológico específico para cada caso. “A maioria dos casos de retinoblastoma é curável”, tranquilizou. “Por isso, é fundamental que os pais façam consultas periódicas ao oftalmologista na primeira infância de seus filhos (0 a 6 anos), para descartar qualquer possibilidade de doença ou conseguir um diagnóstico precoce de retinoblastoma”, concluiu.

O dia 18 de setembro é marcado como o Dia Nacional de Conscientização sobre o Retinoblastoma. Considerada a primeira causa de morte por doença em crianças (8% do total) e a segunda causa de óbito em geral, o câncer infanto-juvenil responde por 7.930 novos diagnósticos a cada ano, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para o triênio 2023-2025. Entre os tipos mais comuns de tumores na faixa etária até 19 anos estão: leucemia, linfoma e tumores do sistema nervoso central.

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