Por Ignácio Garcia
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Em Vargem Grande do Sul, a Promotoria de Justiça instaurou um procedimento para investigar denúncias de, pelo menos, 30 gestantes que dizem ter sofrido violência obstétrica no Hospital de Caridade. De acordo com matéria do portal g1, os relatos citam mulheres que foram amarradas, xingadas e proibidas de ter acompanhantes, bem como pacientes que tiveram a vagina cortada durante o parto e até mesmo foram coagidas a “escolherem” a cesárea. Os casos aconteceram entre 1999 e 2022, conforme apuração feita pela jornalista e doula Eduarda Oliveira, responsável por coletar os relatos.
O Ministério Público informou que instaurou, na segunda-feira (5), a notícia de fato e foi determinada a expedição de ofício ao hospital, ao município e ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Os órgãos têm até 30 dias para responder.
Em nota, o Hospital da Caridade disse que nenhuma das denúncias procede, mas que está apurando as queixas. Por sua vez, o Cremesp disse que instaurará um processo de apuração dos casos e que poderá realizar vistorias no local, porém, as investigações tramitam sob sigilo determinado por lei. Já a Prefeitura de Vargem Grande do Sul não se pronunciou.

MORTE DE BEBÊ
Entre os 30 relatos compõem a denúncia feita ao MP, consta o caso de um bebê que teve a clavícula quebrada durante o parto: “A equipe médica não estava a postos quando o bebê de Luiza (nome fictício) começou a nascer. Porém, tudo parecia normal. A família foi pra casa, o bebê estava mamando normalmente, mas, na segunda semana de vida, a criança teve dificuldades para se alimentar.
A mulher procurou ajuda, mas sem sucesso e seu bebê foi perdendo peso. Quinze dias após o parto, Luiza procurou atendimento no Posto de Pronto de Atendimento (PPA). No local, como não haviam agulhas para crianças e o diagnóstico foi de desidratação, o bebê foi transferido para o Hospital da Caridade.
Já no hospital, o médico disse que assim que terminasse o soro, a bebê ia voltar a mamar e que ia receber alta. Porém, uma enfermeira orientou a família a procurar atendimento médico em Ribeirão Preto. A criança foi para a outra cidade e hospitalizada na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). Na nova unidade hospitalar, após a realização de exames, foi descoberto que a clavícula do bebê havia sido quebrada durante o parto e que ele tinha uma hemorragia grave no cérebro.
O bebê tinha apenas 12 dias, para Luiza os choros e o fato do neném não mamar era apenas cólica, não algo tão grave. Porém, descobriu que conforme a hemorragia aumentava, a criança foi parando de mamar e também tinha a fratura na clavícula, que a fazia sentia dor.
Devido à falta de alimentação, o bebê teve uma desidratação hipernatrêmica, que é quando há falta de sódio e o corpo começa a consumir toda a água que ela tinha no corpo, por isso aconteceu uma perda de peso tão severa. A criança faleceu por morte encefálica”.


