Circo e espelho

A vida imita o circo ou o circo retrata a vida?!

Existe essa fala na própria televisão que, quando criticada pela opinião pública sobre o “peso” que dá em suas teledramaturgias, cheias de paradigmas e tabus postos em tela, em alto e bom som, com a nitidez das interpretações dramáticas de artistas liberais.

A matéria dá: a telenovela é o espelho da sociedade!

Um pouco de verdade tem em tudo isso, sim! A vida humana é um pouco de arte teatral. Muito, em algumas vezes. Encenamos a vida com a quantidade de informações lúdicas que temos em nosso cérebro. No auge do circo, que faz aniversário este mês, (dia 27), temos um marco na arte do picadeiro, um espaço aberto que, no passado, chamava como atrações, personagens bizarros que exploravam, na arte, aquilo que a sociedade via como defeito ou anomalia.

O homem realmente estava no palco da verdade, assim como mostra a tristeza do palhaço, a paixão do trapezista, a história dos anões, a mulher barbada …. Mas, tudo, tudo, sem julgamento de ética ou moral. Era pura arte, como criação de Deus, onde não há defeito ou diferença; onde não se precisa de classificação para ser alguém. A arte bastava.

Os animais também estavam lá. Eles encantavam a todos. Muitos na vida, naquela época, só viam animais no circo. Era um fascínio estarrecedor ver o elefante no banquinho; o tigre se subjugar; os poodles em fileiras e saltos e todos os outros que ali representavam, sem querer, sem receber, sem ter sua vida!

Mas, isso passou! Muito disso já se foi!

Os animais se foram; palhaços já somos; mulheres e homens, outros gêneros também já somos. Temos mulheres barbadas, paixões ardentes, histórias malucas… O picadeiro virou o dia a dia e as cortinas se abriram. Os animais se libertaram apenas de uma modalidade de prisão. Ainda continuamos a explorá-los. De certa forma, o reflexo do espelho virou a própria vida e, agora, não precisamos mais tomar um banho, pagar e ir com a família assistir ao espetáculo no  circo, comendo pipocas. Talvez algumas pessoas estejam fazendo isso e nos assistindo. Nós, no picadeiro da vida! A humanidade continua sendo diversa e linda e a arte nunca pode ser direcionada. Ela é livre e deve ser boa como Deus fez em toda a Sua obra.

A arte é Dele! Encenemos em seu nome!

Plínio Aiub é médico veterinário especialista em animais silvestres

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