Movimento pró-armas pede criação de lei em São João

Por Bruno Manson
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A Câmara Municipal recebeu um ofício com um pedido polêmico: a implantação de uma lei municipal que reconheça a atividade de atirador desportivo como “de risco”. O documento foi encaminhado via e-mail à Casa de Leis na quinta-feira (1º), curiosamente, dois dias antes de um empresário armado protagonizar uma confusão em uma choperia no centro de São João.

Projeto: com reconhecimento como atividade de risco, atiradores poderão portar armas em qualquer lugar (Reprodução)

No e-mail, Mariana relata que está encaminhando esta mesma proposta à diversas cidades do Estado de São Paulo. “Reforço que é importante a apresentação desse projeto de lei para que possamos avançar a pauta com o presidente Jair Messias Bolsonaro, assim, garantimos o porte de arma regular aos cidadãos de bem”, justificou a militante.

Na mensagem, a secretária pede o apoio do Poder Legislativo nesta causa e ainda pede que, caso a proposta prospere, seja gravado um vídeo para divulgação nas redes sociais.

JUSTIFICATIVA

Atualmente, o Decreto nº.: 9.846/19 determina que colecionares, atiradores e caçadores possam portar arma de fogo – curta municiada, alimentada e carregada, pertencente a acervo cadastrado no Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma) – apenas no trajeto entre o local de guarda autorizado e os de treinamento, instrução, competição, manutenção, exposição, caça ou abate.

Conforme o documento enviado, o Projeto de Lei tem o objetivo de reconhecer o risco da atividade e a efetiva necessidade do porte de atirador desportivo. Segundo os autores, o intuito disso é estar resolvendo um “grave problema, que é dos atiradores desportivos não terem meio de defesa, no caso de serem atacados pela criminalidade nos deslocamentos que se fazem necessários em sua atividade, quando transportam bens de valores, e de grande interesse aos criminosos – armas e valores”.

Ainda consta a seguinte argumentação na proposta enviada: “Neste sentido, os atiradores que visitam nosso município para o turismo desportivo estarão sujeitos a serem vitimados pela criminalidade ao deixarem o clube para se deslocarem ao seu hotel, pousada ou residência nesta urbe, ou para ir simplesmente jantar em um restaurante local, visto que por se tratar de município pequeno é muito fácil para a criminalidade ficar na porta de clubes e seguir o itinerário dos frequentadores”.

FORA DA PAUTA

Conforme apurado pela reportagem do O MUNICIPIO, o Projeto de Lei sugerido pelo movimento pró-arma não entrará tão cedo na pauta da Câmara Municipal. Isso se deve aos recentes episódios envolvendo atiradores e vítimas sanjoanenses, bem como a animosidade política atual. De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, para evitar polêmica, os vereadores, por ora, preferem não apresentar esta medida.

EPISÓDIOS RECENTES

AGRESSÃO EM CHOPERIA
No sábado (3), um empresário de Vargem Grande do Sul foi preso após se envolver em uma briga no banheiro de uma choperia na região central de São João. Na ocasião, ele sacou uma pistola e apontou para um dos clientes do estabelecimento. Na ocasião, o indivíduo ainda agrediu um dos amigos da vítima com coronhadas. Houve briga e várias pessoas saíram correndo do local, temendo disparos. O sujeito foi preso e encaminhado ao Plantão Policial, sendo liberado no dia seguinte após a audiência de custódia. O nome do agressor não foi divulgado por questões de segurança, uma vez que tem mais armas em sua residência.

Apreendida: empresário sacou arma durante discussão em choperia no centro de São João (Divulgação/Notícias Policiais)

Conforme apurado, o vargengrandense responderá pelos crimes de tentativa de homicídio, agressão e porte ilegal de arma – pois, apesar de ter o registro de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) e a pistola se apresentar regularmente registrada, o empresário não tinha autorização de porte irrestrito, ou seja, não poderia estar armado naquele local.

MOTORISTA MORTO

No dia 7 agosto, o motorista de ônibus sanjoanense Lindomar Benedito da Silva, de 34 anos, foi morto com um tiro em Mogi Guaçu.

O crime ocorreu no Jardim Novo 2, a poucas quadras da casa onde morava. Ele foi baleado após ter batido o carro contra um veículo que estava estacionado, pertencente ao empresário Luis Paulo Lucateli Furlan, de 30 anos. Ao ouvir a batida, o proprietário saiu de casa e atirou contra o automóvel da vítima. A bala atravessou a lataria e atingiu Lindomar nas costas.

Vítima: Lindomar Benedito da Silva morreu após ser baleado próximo de sua residência (Reprodução/Redes Sociais)

Luis Paulo foi preso em flagrante e liberado após audiência de custódia. Ele tinha registro como caçador, atirador e colecionador e entregou três armas à Polícia Civil após o incidente.
Lindomar era casado e deixou três filhos, de 14, 13 e 3 anos. Seu corpo foi velado e sepultado em São João. Sua morte teve repercussão nacional, sendo tema de reportagens de diversos veículos de comunicação. Enlutada, a família do trabalhador sanjoanense ainda clama por Justiça.

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