Morte de bebê gera comoção e família clama por justiça

Por Bruno Manson
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A morte de um bebê na tarde de quarta-feira (14) tem colocado em xeque o atendimento da Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros, em São João da Boa Vista (SP). A família do natimorto acusa a instituição de negligência médica e até registrou um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil. O caso tem gerado grande comoção e até um protesto está sendo organizado para cobrar por justiça.

Santa Casa: morte do feto somente foi constatada na manhã de quarta-feira (14), data da cesárea (Arquivo/O MUNICIPIO)

Emili Isabele Pereira de Souza, de 18 anos, estava grávida de 40 semanas, porém, veio a ter complicações durante a gestação. Conforme apurado, a jovem começou a sentir dores e foi até o hospital, onde foi atendida e medicada com Buscopan — medicamento indicado para o alívio de desconfortos e dores abdominais devido a cólicas e espasmos. A família relata que, durante o atendimento, a médica disse que não havia vazamento de líquido amniótico na bolsa e que a paciente estava com incontinência urinária. Na ocasião, a gestante ficou em observação, fez um exame de cardiotocografia — que avalia a vitalidade fetal antes do nascimento — e foi liberada.

Conforme consta no boletim de ocorrência lavrado, na segunda-feira (5), Emili fez um ultrassom no UniFAE, onde foi constatado que estava tudo bem. Já na quarta-feira (7), ela sentiu dores e retornou à Santa Casa e foi examinada por um médico. Durante o atendimento, ele disse que não houve vazamento da bolsa e que a jovem estaria com um corrimento, receitando um medicamento e a liberando em seguida.

Na manhã de sexta-feira (9), a gestante teve um novo vazamento e foi novamente ao hospital, onde o médico lhe examinou e disse que a bolsa estava querendo dilatar. Uma cesárea foi agendada para quarta-feira (14) e a paciente foi liberada, sendo orientada a retornar caso a dor persistisse.

“VERGONHA E DOR”

No BO ainda consta que, na manhã de domingo (11), Emili voltou à Santa Casa sentindo dores e com vazamento. No entanto, a médica que lhe examinou disse que estava tudo normal e ainda teria alegado que a paciente estaria indo lá para passar “vergonha e dor”, uma vez que teria que ser submetida ao exame de toque.

A jovem foi para casa, no entanto, precisou retornar à noite ao hospital, uma vez que continuava vazando. Um médico a atendeu na ocasião e disse que ela apresentava um dedo de dilatação, alegando que estava tudo normal e a medicado com Buscopan. A gestante foi liberada sob a alegação que estaria com “ansiedade”.

ULTRASSOM

Seguindo as orientações médicas, Emili retornou à Santa Casa na manhã de quarta-feira (14) para realizar a cesárea. Contudo, ao realizar os exames, não foi possível ouvir os batimentos cardíacos do bebê. Diante disso, a jovem passou por um ultrassom e foi constatado que já não havia mais nenhum líquido amniótico na placenta e que o feto já não tinha mais sinais vitais.

CASO DE POLÍCIA

Sob a alegação de um problema no Centro Cirúrgico, a Santa Casa somente foi levar a gestante para a remoção do bebê por volta das 12h, após os familiares dela acionarem a Polícia Militar. O caso também foi levado ao conhecimento da Polícia Civil, sendo requisitados exames — necroscópico do bebê e também de corpo de delito para a Emili.

SANTA CASA

Em nota, a Santa Casa Dona Carolina Malheiros se posicionou sobre o caso e comentou a respeito do atendimento prestado a Emili pelos médicos obstetras. “Nestes atendimentos, exames para avaliação de possível sofrimento fetal resultaram todos normais em todas as datas, o que permitiu que ela fosse liberada e orientada pelos profissionais em todas as ocasiões a retornar em caso de alterações. Em sua última avaliação, dia 11 de setembro, a paciente foi medicada e fez novos exames, que apresentaram resultados dentro da normalidade, sem indicação de necessidade de cesárea de urgência. Ao ser liberada, a paciente fez o pedido para que a criança nascesse no dia 14 de setembro, data de seu aniversário. Desta forma, ficou então agendada sua cesárea para dia 14 de setembro, mas com expressa orientação de retorno imediato ao Hospital antes desta data caso algum sintoma de alerta ocorresse (orientada sobre estes sintomas de alerta)”, informou.

“Nesse período, de 11 a 14, não houve registro de comparecimento da paciente ao hospital, o que ocorreu somente na data prevista para a cesárea, dia 14 de setembro, quando foi constatado e confirmado o óbito fetal, natimorto, motivando o encaminhamento ao Instituto Médico Legal (IML). Diante da situação, a Santa Casa lamenta a ocorrência da fatalidade e informa que está à disposição da família para esclarecimentos e afirma que já iniciou todos os procedimentos legais para apuração dos fatos”, consta na nota.

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