IGNÁCIO GARCIA
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Tema de reportagem na edição do jornal O MUNICIPIO em 30 de abril, a história do sanjoanense João Batista Tassoni, 65, que há pelo menos dois anos sofre com fortes dores no quadril e vive o dilema em busca de cirurgia para implantar uma prótese, ainda pode estar longe de acabar.
Procurado novamente nesta semana, ele, que está desempregado por conta da condição de saúde, conta que teve avaliação médica agendada com ortopedista na Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros, em São João da Boa Vista (SP), poucos dias depois do jornal reportar o caso. A avaliação no hospital foi marcada para 11 de maio.
De acordo com Tassoni, na data, compareceu à Santa Casa, mas, para o espanto dele, o especialista escalado estava designado ao atendimento de casos pediátricos. O médico o atendeu, mas o dispensou da avaliação.
Segundo o paciente, o especialista teria dito que suposta “falha” possivelmente ocorrera no agendamento junto ao “sistema” — banco de dados— do próprio Departamento Municipal de Saúde, e que Tassoni deveria procurar a Pasta para esclarecer o problema.
Conforme a reportagem apurou, como o agendamento prévio e chamado foram feitos por meio do Centro de Especialidades Médicas (CEM) de Vargem Grande do Sul (SP) — o histórico de saúde do desempregado tem atendimentos e registros em unidade de saúde daquele município—, uma amiga que o acompanhava no dia da avaliação fora posteriormente ao CEM e, de acordo com ela, a informação obtida foi que teria havido “erro no setor que fez o agendamento no departamento de Saúde de São João”.
Prestes para completar dois meses — na segunda-feira (11) — do novo impasse vivido por Tassoni na Santa Casa, a consulta de avaliação ainda não foi reagendada e ele continua “sobrevivendo”, conforme diz, às dores constantes que têm, em virtude do problema no quadril. “[As dores] Pioraram ainda mais! Antes eu conseguia sair de casa para fazer uma caminhada no entorno. Agora nem isso! É dor durante o dia, é dor à noite, que não tem me deixado dormir”, afirmou.
SEM RESPOSTA
O MUNICIPIO enviou alguns questionamentos à Prefeitura, inclusive sobre o suposto erro no agendamento do paciente de 65 anos com um ortopedista que atendia casos pediátricos, quando o problema será solucionado e se novamente será agendada a avaliação dele. No entanto, no começo da tarde desta sexta-feira (8), sem as respostas, a assessoria da prefeitura apenas informou que “o Departamento de Saúde está se inteirando sobre o acontecido e na próxima semana comentará sobre o fato”.

Sanjoanense é uma das centenas de pessoas na lista de espera
O caso do desempregado João Batista Tassoni, 65, morador do bairro Santa Edwiges, em São João, não é o único. Ele é um dos 2.000 sanjoanenses que esperam por algum tipo de procedimento cirúrgico, apenas na Santa Casa. Impossibilitado de trabalhar e com as constantes dores que sente pelo problema no quadril que se arrasta há pelo menos dois anos, ele passou a fazer uso de bengala para poder caminhar e, desde outubro de 2021, aguarda pela cirurgia.
De acordo com ele, que também teve encaminhamento de médico ortopedista que atende no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Casa Branca (SP), a indicação é para a colocação de uma prótese.
Com o caso se arrastando nos bancos de dados do Departamento de Saúde de São João, o desempregado continua à espera pela sonhada cirurgia —considerada eletiva— chegue logo, ainda que permaneça enfrentando os dilemas que têm passado. Enquanto isso convive com as dores.
“Já faz [mais de] dois anos que estou com este problema, mas no último ano piorou. Quando caminho, sinto como se uma das pernas tivesse encurtado, encolhido”, completou à reportagem quando da primeira entrevista.
Na quarta-feira (6), após a Prefeitura de São João publicar no perfil oficial no facebook que havia zerado a fila de pessoas que aguardavam por cirurgia de catarata, enquanto alguns internautas ‘comemoraram’ a notícia, outros passaram a cobrar sobre demais procedimentos cirúrgicos.
“[…] agora vocês poderiam ver as cirurgias de vesícula. Já estou na fila tem mais de dois anos e nada. E, assim como eu, tem muitas pessoas sofrendo esperando; acredito que a cidade de São João também teria como trabalha em cima desta questão”, postou a sanjoanense Lidiane Lemes. “E as outras cirurgias, quando vai começar a fazer?”, questionou Angela Maria Sorci. “Agora pode fazer consultas para zerar a fila de oftalmologista”, disse Karol Matias Zeh Muniz.

Saúde dispõe de aporte para custear procedimentos cirúrgicos
Na mesma reportagem do O MUNICIPIO, publicada em 30 de abril, o diretor municipal de Saúde, Fábio Ferraz, afirmou que o Departamento Municipal de Saúde dispunha de aporte de R$ 5 milhões — destinados pela Secretaria Estadual da Saúde, e já no caixa da Prefeitura— para custear exames e cirurgias, entre elas as eletivas—consideradas de menor gravidade—, e zerar a fila na Santa Casa. Fora este recurso, o titular da Pasta havia comentado que a Prefeitura já mantém investimento em saúde, através de contrato firmado com o hospital, na ordem de R$ 35 milhões por ano, média de R$ 3 milhões/mês.
Naquela ocasião, segundo Ferraz, a pretensão era contratar 200 cirurgias mensais, com previsão de sanar a espera em, no mínimo, 10 meses. Do montante, fatia de R$ 2 milhões para procedimentos eletivos, R$ 1 milhão para cirurgias ortopédicas, R$ 1 milhão para operações de catarata e R$ 1 milhão para exames já cadastrados no departamento e aguardando chamado.
Ainda na mesma oportunidade, o diretor de Saúde explicou que o quadro chegou ao montante de 2.000 pacientes em espera por conta da pandemia da Covid-19, que por dois anos contribuiu para estancar tais procedimentos. “Só foram realizadas cirurgias de urgência. Mas antes mesmo da pandemia já tínhamos uma demanda, porque, infelizmente, temos mais procura do que oferta destas cirurgias. Temos pessoas, dependendo da especialidade, [esperando] desde 2018. São dois anos antes da pandemia”, lembrou.
Já neste ano, o titular da Pasta informa que o departamento está retomando os procedimentos junto à prestadora (Santa Casa). “Temos contratualizado, em média, de 54 a 56 cirurgias por mês. Mas, agora, com este recurso, de R$ 5 milhões, que a prefeita Teresinha negociou junto ao Governo do Estado, [por meio] da Secretaria [Estadual] de Saúde, isso vai proporcionar que a gente faça a compra, através de mutirões, para acelerar esta fila”, disse.
Em 26 de abril, inclusive, as negociações tinham sido abertas com a equipe do hospital. Segundo ele, a expectativa do governo municipal era que a Santa Casa conseguisse — além das cerca de 54 cirurgias mensais já contratadas— realizar mais 200 procedimentos/mês. “Até mesmo usando os fins de semana, que a Santa Casa tem uma capacidade maior de atender, para que a gente consiga, num menor espaço de tempo, atender o maior número de pessoas”, reforçou.




