Barulho intenso durante o trabalho traz riscos à audição

Por Pedro Souza
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O ambiente de trabalho pode ser muito perigoso para a audição, dependendo da atividade profissional do indivíduo. Por isso, resolvemos debater sobre esse ‘inimigo invisível’ na véspera do Dia do Trabalho.

A poluição sonora é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) o segundo maior agente poluidor ambiental, depois da poluição do ar.

Músicos, carpinteiros, operadores de áudio, motoristas e outras dezenas de profissões estão expostas a ruídos no dia a dia, o que pode gerar muitos impactos na vida auditiva da pessoa.

PREVENÇÃO HOJE EVITA PROBLEMAS AMANHÃ

Bruno Henrique Apolinario é operador de rádio em São João da Boa Vista há nove anos e fica em média quatro horas por dia com o fone de ouvido escutando algum tipo de som.

“Se eu ficar com o fone de ouvido em uma altura elevada por muitas horas pode me ocasionar alguns problemas auditivos, por isso eu tento evitar ao máximo, mas sei que nessa profissão corro riscos”, disse.

O som alto atinge diretamente o ouvido, dependendo do volume e do tempo de exposição ao ruído, existem riscos de perda de audição a médio e longo prazo.

Até o momento, o operador de áudio não sofreu com incômodos ou algum tipo de falha de comunicação com familiares e amigos, mas procura sempre deixar o volume na média. “O que me ajuda bastante é que evito usar fone de ouvido fora do trabalho; quando preciso, nunca deixo no último volume, isso pode até me deixar surdo”, comentou.

Poluição sonora: Bruno Apolinario ‘convive’ com fone de ouvido quatro horas por dia (Foto: Reinaldo Bebedetti)

O SOM QUE VEM DA RUA

De acordo com a OMS, sons acima de 55 decibéis (dB) já apresentam alguma forma de desconforto para a audição humana. Em um ambiente normal de trabalho, como um escritório, o ruído pode chegar a até 80 dB. Já os motoristas de ambulância apresentam danos auditivos com certa frequência, pois o barulho do cotidiano costuma atingir 120 decibéis.

Motorista especializado do Departamento Municipal de Saúde de São João há 13 anos, Wagner Renato Calderaro Junior rodeia-se de muitos ruídos no trânsito, como motores, buzinas, vento, sirene, entre outros. “Quando iniciei como motorista no Departamento de Saúde, trabalhei no antigo Pronto Socorro e naquela época São João ainda não contava com o serviço do Samu, então os atendimentos de emergência com o uso da sirene eram frequentes”, falou.

Conforme alguns resultados de exames clínicos, Renato já constatou uma pequena perda na audição, devido aos ruídos da profissão. A Prefeitura de São João em conjunto com o Setor de Vigilância e Saúde do Trabalhador fornecem exames periódicos nesse sentido, e, se necessário, o encaminhamento para o tratamento.

Motorista: Wagner Renato Calderaro Junior constatou pequena perda na audição por conta dos ruídos da profissão (Divulgação/Arquivo Pessoal)

“Até o momento não me incomodou, porém, a preocupação fica por conta do tempo exposto aos ruídos, podendo ter uma perda significativa na audição futuramente, atrapalhando minha comunicação. Mas procuro me cuidar, pois a prevenção é muito importante para nossa própria saúde, assim podemos servir àqueles que mais precisam com mais atenção e qualidade”, completou.

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