Novas tecnologias permitem levar ‘magia’ à tela do cinema

Por Daniela Prado
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Seja por prazer, interesse ou mera curiosidade, espectadores que gostam de ficar assistindo aquelas letrinhas que sobem pela tela depois que o filme acaba sabem quanta gente trabalha nas produções audiovisuais, seja no cinema, TV, documentários ou outras produções.

São muitos os créditos finais, nominando quem faz o quê, centenas de profissionais por trás das câmeras, diretamente envolvidos nas muitas etapas do processo de produção e distribuição de conteúdo, em especial, de entretenimento.
Quando os créditos ‘sobem’ nas telas, na maioria das vezes, revelam um conceito que, de certa forma, expressa a importância das funções.

Para José Dias Paschoal Neto, jornalista, documentarista e professor dos cursos de Comunicação do UniFAE, não é uma regra, mas a ‘turma de cima’ apresenta os profissionais da linha de frente — atores e atrizes, produtores, diretor geral, direção de fotografia, editores, roteiristas, compositores de trilhas sonoras, animadores, entre outros.
“A ‘turma de baixo’, essencial para o sucesso do projeto, envolve as equipes de pesquisas, assistentes em todas as áreas, operadores técnicos diversos, figurinistas, continuístas, maquiadores e outras funções descritas nas associações de classe que estão diretamente relacionadas com as produções audiovisuais”, pontuou.

Funções em um filme: para os atores ‘aparecerem’, inúmeros profissionais trabalham antes, durante e depois às filmagens (Reprodução/Infoescola)

Paschoal Neto acrescenta que todos estes profissionais atuam, basicamente, em quatro grandes áreas conceituais, que são a pré-produção; produção; finalização; e pós-produção.

“Mas a convergência das mídias, com a possibilidade de assistir conteúdos em múltiplas telas; as ofertas de interatividade por meio de informações que se complementam e da participação das audiências nas redes sociais; o crescimento das plataformas de distribuição por streaming pela internet e as inovações nas tecnologias de exibição, games e animação, apenas para citar algumas novas realidades comunicacionais, ampliaram, em muito, o mercado de trabalho com a exigência de novos perfis profissionais, que se somam aos tradicionais do mercado”, destacou.

Doutor em Artes Visuais pela Unicamp, ele enfatiza que o cinema, a TV e até a produção de conteúdo profissional, seja de entretenimento, jornalístico, publicitário ou de marketing, estão baseados em modelos de negócios que dependem das audiências.

“Públicos que, ao se apropriarem das tecnologias de informação e comunicação, em especial, os celulares, podem escolher o que, quando e como assistir. Este protagonismo das audiências provocou mudanças nas formas de distribuição e nas estratégias de comunicação, engajamento, participação e monitoramento dos usuários. Profissionais de TI, como criadores de aplicativos e mobilidade, distribuidores, gestores de mídia social, analistas de comportamento, entre outras tantas novas profissões, estão surgindo por conta destas mudanças nos fluxos informacionais entre quem faz e quem consome conteúdo”, apontou.

Paschoal: “Há um horizonte desafiador e cheio de oportunidades.” (Arquivo Pessoal)

Como exemplo mais recente deste cenário, o professor cita o filme ‘Não olhe para cima’ (Don’t Look Up), de Adam McKay, produzido e distribuído pela Netflix em 2021 e que já é o terceiro mais visto da plataforma, devendo chegar ao topo, em breve.

“O filme foi pensado para gerar engajamento das audiências. A forma de tratar o tema, o apocalíptico meteórico – que não é novo, mas é universal -, a escolha dos atores e atrizes, as estratégias nas redes sociais para promover o filme e gerar compartilhamento por conta de questões da destruição ambiental, do medo da pandemia, da sensação de desamparo social, de polaridade política. Tudo pensado para o filme ser um evento. E deu certo”, observou.

Paschoal Neto finaliza com a análise de que muitas pesquisas apontam as profissões que ainda serão criadas por conta da tecnologia. “Com certeza, há um horizonte desafiador e cheio de oportunidades para novos talentos no jornalismo, na publicidade, cinema, TV, internet e na comunicação de maneira geral. Criatividade, boa formação e empenho são elementos essenciais para os jovens se aventurarem nas novas descobertas”, concluiu.

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