Por Bruno Manson
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A Polícia Civil está à procura de E.P.S, um dos suspeitos de arquitetar o assassinato do coletor de recicláveis Claudinei Salles da Silva, 57, conhecido popularmente como Canhão. A vítima morreu após ter sido atropelada por um Volkswagen Gol, na noite de 7 de novembro de 2021, na região central de São João da Boa Vista. Na ocasião, o motorista fugiu e iniciou-se uma minuciosa apuração para descobrir os envolvidos neste fato.
Ao analisar imagens registradas por câmeras de segurança, o Setor de Investigações da Polícia Civil constatou que o atropelamento não foi acidental, mas sim de um ‘evento doloso’, ou seja, intencional.

EMBOSCADA
Por meio das gravações analisadas, a Polícia Civil conseguiu identificar todo o trajeto percorrido por Claudinei momentos antes de ser atropelado. Após sair de um bar situado à avenida Brasília, ele foi seguido por um Volkswagen Gol. Durante o trajeto, o catador de recicláveis foi atingido pelo carro no cruzamento das ruas Padre Josué e Oscar Janson, em uma manobra de emboscada. Segundo o relatório policial obtido com exclusividade pelo O MUNICIPIO, as gravações evidenciam que o condutor do veículo atropelou a vítima de forma proposital e fugiu em seguida. O carro foi encontrado dias depois, abandonado em uma propriedade rural e sem as placas.
CONFISSÃO
No dia 10 de novembro, J.P.S., 29, apresentou-se na delegacia de Pederneiras (SP) e confessou ter atropelado Claudinei. Conforme apurado, após o atropelamento, ele fugiu para esta cidade, permanecendo na casa de familiares.
Na época, o rapaz alegou que queria apenas “dar um susto” e não tinha a intenção de matar o catador de recicláveis, declarando ainda que estava sozinho durante o crime. Contudo, a versão não convenceu a equipe de investigação. Com isso, o indivíduo teve prisão temporária determinada pela Justiça e foi transferido para a Cadeia Pública de São João da Boa Vista.
PARTICIPAÇÃO NO CRIME
A apuração do caso prosseguiu e os policiais civis descobriram que E.P.S., pai de J.P.S, estaria presente no cenário do crime e também havia fugido para Pederneiras após o atropelamento.
O Setor de Investigações elaborou um relatório com imagens de câmeras de segurança, mapas, horários e a ilustração do caminho delitivo, congruente com a prova testemunhal também reunida no inquérito policial, o que apontou a autoria do crime para ambos os suspeitos. O trabalho de investigação também concluiu que houve a cooperação e divisão de tarefas entre pai e filho – na vigilância e no acompanhamento da vítima – antes do crime.
“Em que pesem as alegações de possível insanidade do increpado [J.P.S], apresentadas pela defesa (razão estratégica de se isolar na autoria do crime), bem como de que Eduardo estaria em casa no momento em que se deram os fatos, o insistente e bem desenvolvido trabalho de investigação realizado pelos sobreditos policiais civis, demoliu por completo a versão dos autores”, consta no relatório da Polícia Civil.

PROCURADO
O Poder Judiciário já acolheu a representação de prisão preventiva de E.P.S. No entanto, ele encontra-se foragido até o momento e a Polícia Civil buscas pistas do paradeiro dele. Enquanto isso, o filho J.P.S permanece preso, à disposição da Justiça. Ambos foram enquadrados no crime de homicídio qualificado, ou seja, quando há a intenção de matar por um motivo específico.
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