Nada melhor do que o aconchego, a acomodação do corpo, mente e ambiente, aquele status em que o indivíduo pode desfrutar da tranquilidade de que está fazendo sua parte na terra, pra alma e, por isso, se sente bem no ambiente.
São João da Boa Vista é de cara um convite para isso. Uma das cidades mais claras do mundo, um clima gostoso, ao pé de uma serra cinematográfica… é inevitável essa paixão por São João. Seu povo hospitaleiro “por bosta”, cidade segura para os padrões de São Paulo, gente bonita, nossos aposentados na praça, nossa cultura, nossa educação… e falar em educação então?!
Somos aqui um bolsão de cultura sobre todos os aspectos, da arte, da música, até a cultura educacional profissionalizante. Para nossa microrregião, na média Mogiana, somos uma espécie de liderança em opção de cursos técnicos e universitários. Nossas instituições, tanto federais, estaduais, como particulares oferecem um “aconchego universitário” ao munícipe regional muito adequado, pois traz para perto dele uma opção profissionalizante prática e aplicável.
É natural que profissionais almejem ter um bom trabalho, com boa renda e com reconhecimento para que ele possa expandir seus serviços ao maior número de pessoas possíveis, mas, não é tão simples assim chegar num status pleno de servir, ganhar e estar aconchegante como descreve o parágrafo inicial.
É certo que, muita coisa mudou no conceito de aconchego e profissão da década de 70 para cá. Comparado a hoje, o profissional iniciante nas gerações passadas seguiam um tempo completamente diferente de ascensão de carreira. Eles literalmente amadureciam, “pastavam” como um calouro, planejavam suas carreiras há longo prazo vislumbrando um pouco de tranquilidade econômica (após metade da jornada), cresciam não só no conceito financeiro, mas também na hierarquia institucional, na moral do negócio, na ética da profissão, nada além ou aquém do juramento. Encontravam aconchego, não no prazer do conforto, mas sim, na batalha que forja o caráter e ensina. Muitos profissionais formados aqui mesmo em nosso berço universitário abriram fronteiras longe daqui, oferecendo o serviço que às vezes falta em rincões distantes.
Na atualidade, o bem sucedido pode ser muito mais rápido, o status do aconchego e profissão pode até estar dentro do quarto, sem passar por nada de hierarquia, deslocamento, estresse, enfim, pode ser um jovem formado que vende seu serviço na internet, passa a maquininha sem fio, é dono do seu negócio e escolhe onde quer ficar no maior conforto possível pra si mesmo, sem essa história dos antigos de forjar caráter, passar por etapas, conhecer setores… não, não é preciso, a velocidade é outra e a relação também. Relação que eu digo é com o país, com o mundo, não só com pessoas numa troca de: “te faço o serviço e você me paga”.
A reflexão que quero fechar o texto é fazendo esse paralelo de que muitas vezes precisamos levar nosso trabalho, nossa profissão de uma forma mais encorpada, num formato de servir e não só de vender, não se preocupar apenas com o aconchego e no prazer de viver as coisas somente boas que o dinheiro pode trazer, mas no prazer de servir independente do conforto, levar o serviço onde precisa, onde às vezes não é aconchegante, mas é necessário. A profissão é servir, o aconchego é saber disso, não é trabalho gratuito, é gratificação para alma, é incorporação no meio ambiente desse “Brasilzão” que tanto tem para crescer.

Plinio Bruno Aiub é médico veterinário especializado em animais silvestres e professor universitário.




