
O atropelamento de um gato-do-mato em Águas da Prata (SP) tem mobilizado autoridades públicas e instituições em busca de alternativas junto à concessionária Renovias para evitar acidentes deste tipo na região. O caso ocorreu no domingo (23) e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, causando comoção e chamando atenção para este problema que ocorre há muitos anos.
O felino foi encontrado pelo advogado Rui Souza, presidente da Associação Bikers Mogiana, enquanto pedalava pelas imediações da Cascatinha. Na ocasião, o animal estava caído no meio da pista, chamando a atenção de um casal de Amparo (SP) que passava de carro pelo trecho e parou para socorrer. “Ela é veterinária e até tentou reanimar o bicho, mas já era tarde demais”, comentou o ciclista, que acompanhou todos os procedimentos.
Sensibilizado, ele postou o ocorrido nas redes sociais, o que gerou um grande debate. “Aquela área é de preservação. É necessário que se faça um trabalho de colocar placas”, afirmou.
MOBILIZAÇÃO
Como este é um problema antigo e que já foi alvo de várias reivindicações no passado, Souza afirmou que a Associação Biker Mogiana estará aderindo à causa e já estuda a elaboração de um documento para encaminhar à Renovias. O objetivo é solicitar a sinalização adequada do local, entre outras medidas visando evitar o atropelamento de animais e oferecer mais segurança na rodovia. Segundo ele, a medida vem de encontro com a postura da Prefeitura de Águas da Prata, que também está cobrando melhorias da concessionária.
EXEMPLO
Uma alternativa adotada em várias rodovias são as cercas de direcionamento de fauna. Estas estruturas têm a função de direcionar os animais para passagens subterrâneas, evitando acidentes. Na região, estas barreiras podem ser observadas em diversos pontos da rodovia que liga Casa Branca a Porto Ferreira.
PROPOSTA
Criado em 2018, o Ge-Core (Grupo de Estudos de Corredores Ecológicos) surgiu com o objetivo de promover estratégias para a conservação da biodiversidade e estabelecer políticas públicas em meio ambiente. O projeto piloto abrange São João da Boa Vista e Águas da Prata, municípios que estão inseridos no bioma Mata Atlântica.
O grupo surgiu com a ideia de propor os chamados corredores ecológicos, porções de ecossistemas que promovem a ligação entre áreas fragmentadas, garantindo o deslocamento de animais e a dispersão de sementes. “Muitas vezes esses animais ficam ilhados e, na busca de comida ou reprodução, acabam atravessando rodovias e invadindo fazendas. A consciência de todos da região, de que as matas devem ter este tipo de conexão, é o que vai ajudar a preservar essas espécies”, explicou a bióloga e educadora ambiental Camila de Oliveira.
CRESCIMENTO URBANO
A criação de travessias subterrâneas e outros tipos de passagens para os animais já é uma realidade em muitos municípios. Para Camila, ações deste tipo são essenciais devido ao crescimento urbano. “Como a cidade está cada vez mais expandindo o meio urbano, os animais acabam ficando sem espaço para sobreviver”, relatou. “Antes da cidade crescer, ela tem que ser planejada pensando no meio ambiente”, observou a bióloga.



