Em tempos de dificuldades, o brasileiro sempre demonstra que é um povo generoso e que não suporta ver o semelhante sofrer. E em São João da Boa Vista, os cidadãos nutrem este sentimento de generosidade, o que tem resultado em uma infinidade de ações em prol dos que mais precisam.
Nas últimas semanas, uma em especial chamou a atenção: as prateleiras solidárias. Quem começou esta iniciativa foi o empresário Tony Correa, da Calldan, que há cerca de 20 dias já está com sua prateleira na frente da loja. “Minha esposa viu isso em outra cidade e chegou me contando. No dia seguinte já peguei uma prateleira, mandei adesivar e coloquei na porta da loja com alimentos. A repercussão foi incrível”, contou.
Segundo Correa, em torno de 15 pessoas passam diariamente pela loja para pegar alimentos na prateleira e o empresário já pensa em uma nova ação. “Com a volta do funcionamento do comércio, vou fazer diferente. Vou tirar a prateleira e vou cadastrar essas pessoas para que possamos ajudar realmente aqueles que precisam. Quem sabe até com cestas básicas para as mais necessitadas”, adiantou.
Ele comemora o sucesso e o fato de outras ações semelhantes terem surgido na cidade após a sua iniciativa.

ONG VOA
Composta por uma juventude bastante atuante e presidida pelo jovem Tarcísio Munhoz, a ONG Voa também implantou uma prateleira solidária na cidade, há cerca de uma semana.
Repleta de alimentos, ela está instalada em frente ao bar Canecão, localizado à avenida Dona Gertrudes, no centro de São João, e tem sido procurada por pessoas de diversos cantos da cidade.
“A ideia surgiu no intuito de dar suporte emergencial às pessoas que estão em vulnerabilidade no município. Ela não vai resolver o problema, mas vai dar um suporte. Muitas pessoas transitam por ali, catadores de reciclagem, de papelão, pessoas que ficam no sinal vendendo produtos. Queremos atingir um público que, como ONG, ainda não conseguimos atender”, afirmou Munhoz.
O presidente da ONG explica que aqueles que precisam devem pegar os alimentos, mas pede que as pessoas que têm condições possam passar por lá em doar alimentos. “Podem deixar os alimentos no Dom Caneco [Canecão], qualquer coisa não perecível e que é comum na cesta básica”, conclamou.
Munhoz revela estar surpreso com a quantidade de pessoas que estão procurando pela prateleira em busca de alimentos e, por isso, pede ajuda dos sanjoanenses para arrecadar mais mantimentos para a ação. “Vem gente de toda a cidade, é impressionante. E não podemos deixar ninguém passar fome por aqui”, disse.
A ONG Voa é uma das principais entidades que atualmente amparam pessoas carentes e marginalizadas da sociedade.

NOVAS INICIATIVAS
Após Tony Correa e a ONG Voa implantarem as prateleiras, a ideia foi ‘copiada’ por diversos outros comerciantes, demonstrando o espírito de solidariedade que existe em São João. Quem passa pela Dona Gertrudes já observa diversas prateleiras ao longo da avenida.


