
O estoque de sedativos para intubação de pacientes nas alas de UTI (Covid e Geral) da Santa Casa Dona Carolina Malheiros, em São João da Boa Vista, deve durar para mais três dias. A previsão foi confirmada pelo diretor-geral do hospital, Carlos Guisasola. Segundo ele, no entanto, a posição pode oscilar em função da quantidade de pacientes intubados.
O diretor também alerta sobre a possibilidade de faltar medicamentos por conta da alta demanda de internações. “Existe esse risco. Não fomos afetados ainda por essa situação, mas estamos atentos, colocando nossos pedidos de compras com prioridade máxima”, afirmou.
Em virtude da baixa nos estoques, o hospital já informou o governo do Estado, por meio da Diretoria Regional de Saúde (DRS-14), bem como a Secretaria de Saúde do Estado (via Prefeitura de São João), acerca da preocupação em relação às entregas após sexta-feira (9).
De acordo com o diretor-geral, diante do cenário desenhado pela pandemia, tem tomado providências junto a fornecedores.
“Nossa equipe de farmacêuticos e médicos já fizeram ajustes e montaram novos protocolos de medicações que aumentaram muito as alternativas de medicamentos e estamos cotando e vendo a disponibilidade destes medicamentos. Isto já estava sendo feito desde início de março, pois, apesar da imprensa ter noticiado isto recentemente, nós já estávamos avaliando esse risco de desabastecimento e procuramos nos proteger antecipadamente. Já fizemos compras de medicamentos alternativos e estamos agora com uma terceira lista de alternativas”, disse.
Questionado sobre até quando a Santa Casa conseguirá manter os atendimentos e as internações em UTIs se o estoque de anestésicos estiver acabando, Guisasola relata que dependerá da demanda de pacientes.
“Mas, com segurança, vamos até dia 10 de abril [domingo]. Temos expectativas de receber mais um lote de medicamentos [para sedação] nesta próxima semana e, neste caso, vamos avançando mais dias nessa previsão. Semana passada [31 de março] recebemos mais um lote de medicamentos”, afirmou.
Entretanto, na segunda-feira (5), o diretor-geral apontou que ainda há dificuldades em fazer aquisições dos medicamentos e que continua, diariamente, em contato com fornecedores para pressionar por entregas.
“Atualmente, a situação é preocupante, pois saímos de estoques de segurança que tínhamos para 30 dias e estamos agora trabalhando com estoques para sete a dez dias. É difícil fazer previsões, pois os fornecedores estão com estoques limitados devido à grande procura e nós não temos ainda uma estabilização de quantidade de pacientes que permita fazer previsões de consumo”, revelou.
RISCO DE SUSPENDER ATENDIMENTO
Guisasola garante que a Santa Casa não trabalha com o cenário de suspensão de atendimento, porque ainda tem estoques a as expectativas de receber mais lotes nesta semana. “Evidentemente é um tema que nos causa muita apreensão, e, portanto, eu pessoalmente tenho me envolvido diariamente com o pessoal de compras e da farmácia, em um comitê de crise, e acompanhamos online os nossos estoques, os pedidos de compras e as remessas que chegam, de medicamentos”, reforçou.
UNIMED SOB CONTROLE
A reportagem também questionou a Unimed Leste Paulista (ULP) acerca da possibilidade de desabastecimento. Em nota, a instituição informa que, até o momento, o estoque de medicamentos anestésicos está sob controle para realizar atendimentos aos pacientes de Covid-19 e demais patologias.
Destaca ainda que mantém constante contato com fornecedores de tais drogas para assegurar o abastecimento seguro do Hospital e Maternidade Unimed (HMU) de acordo com a demanda necessária.
“Porém, é importante ressaltar que não sabemos por quanto tempo teremos essa escassez no mercado, por isso, diariamente as estratégias são avaliadas com o objetivo de manter nossa prestação de serviço com segurança”, informou.
Não há remessa prevista para chegar pelo Estado ou governo federal
O diretor-geral comenta que “ainda não” tem alguma nova remessa prevista para chegar via Estado ou governo federal e que o hospital recebeu um pequeno lote no sábado (3), que garante apenas poucas horas de sedação.
“Semanalmente informamos através [por meio] de um sistema via web todas nossas necessidades e estoques. Através desses dados, que são centralizados pela Secretaria de Estado da Saúde, são feitos os remanejamentos. Esta semana já comunicamos [na segunda (5)] a informação de alerta sobre nosso estoque. Posso dizer que estávamos na semana passada [30/3] em uma situação privilegiada em relação aos outros hospitais do interior, mas, já a partir desta semana, estamos em uma situação de atenção”, alertou.
A expectativa, agora, é de receber um lote de sedativos cujo pedido foi feito em meados de março. “Se o fornecedor cumprir a entrega prometida, ficamos mais tranquilos pelos próximos 15 [14] dias. Estamos, também, com a previsão de receber um lote de Bloqueadores Neuro Musculares nos próximos dias e isso nos garante a realização de cirurgias por mais 15 [14] dias”, disse, finalizando que tem contato diário – e online – com a Diretoria de Farmácia da Diretoria Regional de Saúde (DRS-14), para posicionar sobre os estoques e acompanhamento da situação.
Em meio a estresse, hospital contrata mais de 50 profissionais de enfermagem
Com aumento de mais de 210% no número de leitos criados desde fevereiro até segunda-feira (5), a Santa Casa Dona Carolina Malheiros fez a contratação de mais de 50 enfermeiras e técnicos em enfermagem.
“Saímos de dez leitos de UTI e 12 de Enfermaria, totalizando 22 leitos no final de fevereiro, para 12 leitos de UTI e 35 leitos de Enfermaria, totalizando, hoje, 47 leitos. Já temos equipes de médicos formadas e contratadas e estamos finalizando processo de contratação de mais enfermeiros e técnicos para atender ao recente aumento de quatro leitos [semana passada]”, afirmou o diretor-geral do hospital, Carlos Guisasola.
Segundo ele, há um turnover (volume) de funcionários acima do normal devido às condições de pressão e estresse que acontecem derivado da pandemia e da grande quantidade de pacientes que recebem diariamente.
“Até o momento, apesar das dificuldades de carência de mão de obra qualificada, ainda estamos conseguindo repor as equipes. Para esta semana, esperamos fechar mais um ciclo de contratação com mais enfermeiras e técnicas de enfermagem e assim completar as equipes e fechar todas as vagas em aberto”, concluiu.




