Um estudo do Lowy Institute, da Austrália, colocou o Brasil na última posição de um ranking lista que avalia a atuação de governos de 98 nações no enfrentamento da pandemia. Para formular a lista, foram considerados seis critérios: casos confirmados; mortes pela doença; casos e mortes por milhão de habitantes; proporção de diagnósticos positivos por testes; e exames feitos a cada mil pessoas. Os pesquisadores analisaram as 36 semanas seguintes de cada país após a confirmação do 100º caso de Covid-19.
O Lowy Institute é uma organização independente e não partidária de políticas internacionais. Desenvolve pesquisas de alta qualidade e perspectivas distintas sobre as tendências internacionais que moldam a Austrália e o mundo.
A gestão governamental mais efetiva à pandemia foi realizada na Nova Zelândia (1ª posição), no bloco de melhores práticas estão Vietnã, Taiwan, Tailândia e Austrália (8ª). O desempenho do Brasil é pior de todos (98ª posição), abaixo dos vizinhos Chile (89ª), Bolívia (93ª) e Colômbia (96ª). Os Estados Unidos estão na 94ª posição. A China, país em que os primeiros casos da doença foram registrados, não foi avaliada por falta de transparência de dados sobre testagem.
Desde o início da pandemia, o governo brasileiro trocou de ministro da Saúde duas vezes, chegando a deixar a pasta sem um chefe titular por quatro meses, no período em que o país passava pela primeira onda da Covid-19. A gestão da pandemia pelo governo federal também é marcada por falas do presidente Jair Bolsonaro, que minimizou a gravidade da pandemia e discursou contra o uso de máscaras e medidas de quarentena que fecharam o comércio.
A melhor gestão foi da Nova Zelândia, que se precaveu com duras políticas de lockdown e testagem em larga escala tão logo surgiram os primeiros casos no país. São 300 mil testes por milhão de habitantes. O país tem a média de 330 mil testes por milhão de habitantes, cerca de 22 vezes mais que o Brasil, que fez apenas 15 mil testes por milhão de habitantes. Até o final de janeiro a Nova Zelândia, de pouco mais de 5 milhões habitantes, registrava apenas 2.299 casos e 25 mortes pela doença.
O problema do Brasil, na baixa testagem da Covid não se resume à falta de uma política pública centralizada. Há também questões práticas como a importação de insumos para produzir os kits de testes, uma vez que o país tem tecnologia para a produção dos kits de testagem, mas faltam os insumos.
O estudo destaca que a Covid-19 se espalhou por 199 países com mais de 90 milhões de casos confirmados. Quase 10% deles estão no Brasil, que registrou 8.996.876 casos e 220.261 mortes até 28/01. Desde a confirmação dos primeiros casos, o país não conseguiu controlar a transmissão nem o número de mortes. O país está sob observação pela explosão de casos e mortes em Manaus, aliada ao surgimento de uma variante mais severa do novo coronavírus.
O levantamento aponta um bom desempenho da Europa no enfrentamento da primeira onda da doença, mas com queda brusca após a chegada da segunda onda. Países da Ásia e a Oceania conseguiram manter maior estabilidade durante o período analisado, e países das Américas, no geral, foram piores avaliados. Considerando renda, países mais desenvolvidos atuaram melhor contra a pandemia do que aqueles em desenvolvimento, mas no fim do período analisado, todos se nivelaram com notas mais baixas.
Este ranking confirma o que pesquisadores brasileiros já tinham concluído pela observação dos dados desde o começo da pandemia: que governo brasileiro não se preparou, e adotou resposta pequena, lenta e insuficiente para enfrentar crise.
A pandemia se espalha rapidamente e não há coordenação de ações pelo governo federal, alega que o STF o proibiu de agir, o que não é verdade. Assim não cria planos de contenção, não cria diretrizes, não conversa com a população, não colocar propaganda na televisão instruindo a população do que fazer, de como se proteger. Pelo contrário, mantém um discurso negacionista desde o começo. Essa falta de coordenação obriga os prefeitos a tomar decisões que precisam de maior arcabouço de conhecimento e de técnicos.

Luciel Henrique de Oliveira, doutor em Administração (FGV), professor e pesquisador do UniFAE




