Tema da redação do Enem remete ao Janeiro Branco

Redação do Enem: enfocou o tema saúde mental e seus estigmas sociais, que a pandemia de Covid-19 ajudou a ‘inflacionar’ (Reprodução/Concursos MEC)

O Exame Nacional do Ensino Médio – Enem 2020 – teve início no domingo (17) e trouxe como tema da redação ‘O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira’.

Coincidentemente neste mês, a Campanha Janeiro Branco chama a atenção para a importância da procura por ajuda especializada, ao se deparar com problemas de ordem emocional ou saúde mental, os quais não se deve ignorar.

O foco sobre a saúde mental, colocado sobre a redação do Enem, levou a reportagem do O MUNICIPIO a conversar com a psicóloga Mariana Galli Sorita Menezes, que atua com terapia familiar sistêmica e sexualidade humana.

“Eu tenho certeza de que esse tema [sobre saúde mental] se deve à pandemia. Nós nunca passamos por nada parecido antes. Pelo menos a nossa geração e a anterior à nossa. Então, com certeza, está associado. Há a questão do isolamento, dificílima para nós, que sempre vivemos em sociedade; as inúmeras incertezas quanto se vai ou não ter vacina; as perdas, o luto; trabalhar em casa, enfim, tudo isso gera um stress, uma ansiedade enorme”, observou.

Mariana pontua que, neste momento, mais do que nunca, torna-se evidente a importância de cuidar da saúde mental.

“Nós estamos muito acostumados a cuidar do nosso corpo, da alimentação, da vida financeira, do lazer… e a saúde mental vai sempre ficando negligenciada. É preciso lembrar que, se a mente não está bem, o resto também não está”, alertou.

Sobre a Campanha Janeiro Branco, a psicóloga lembra que foi criada em 2014, por Leonardo Abraão, na cidade de Uberlândia – e ele passou a fazer várias palestras sobre o assunto, na intenção de começar o ano falando a respeito de saúde mental.

De Uberlândia, a Campanha foi se ampliando e hoje, além de todo o Brasil, vários países vizinhos aderiram ao Janeiro Branco.

“O Janeiro Branco representa o início de um ciclo. No final do ano também são muitos os sentimentos intensos, as pessoas fazem um levantamento do que conquistaram, quais foram as suas metas, às vezes em festas de família nem todos têm isso bem resolvido. E muitas pessoas vão ao psicólogo no final de ano. Percebemos mesmo que aumenta a frequência de pacientes. Janeiro é um novo começo, um novo ano, em que se pode traçar novas metas. E a cor representa uma folha em branco, para escrever uma nova história”, justificou.

Sobre a importância de reconhecer que precisa de ajuda e buscá-la junto a profissionais, Mariana cita que Freud já dizia, ‘o que a boca cala, o corpo fala’.

“Muitas vezes, nós não paramos para tentar entender o que estamos sentindo, por que agimos desse ou daquele jeito, como temos digerido a vida, as pessoas, as coisas. E isso tem um impacto muito grande em relação ao nosso corpo. Tudo o que fica mal resolvido dentro de nós, tudo o que não compreendemos pode, sim, se transformar em doença, porque o corpo precisa ‘pôr para fora’. É preciso ressignificar tudo o que está lá dentro, entender o passado, nossas questões. E existe um tabu muito grande na sociedade, de que psicólogo é para doenças graves. Não. Ele pode te ajudar a passar por uma fase difícil, a superar um luto, a atingir um objetivo e vários outros pontos. É importante entender que autoconhecimento e autocontrole podem melhorar infinitamente nossa qualidade de vida”, finalizou.

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