
Representantes do governo do Estado realizaram, na quarta-feira (6), o 1º Seminário de Gestão Pública, reunindo todos os prefeitos de São Paulo, onde foram apresentados detalhes do plano de vacinação contra a Covid-19, mantido para 25 de janeiro.
“O programa tem como público-alvo a população superior a 60 anos, o equivalente a 7,5 milhões de pessoas. Esse grupo corresponde a 77% das mortes. Por isso a prioridade para esse grupo, assim como trabalhadores de saúde, indígenas e quilombolas, que contemplam 1,5 milhão”, afirmou Jean Gorinchteyn, secretário de Estado da Saúde.
As prefeituras serão encarregadas de tarefas como a aplicação das doses, o atendimento ao público e parte da logística do transporte e armazenamento, mas dependem do governo estadual para o fornecimento das doses no prazo e em quantidade suficiente.
CORONAVAC E SERINGAS
Já na quinta-feira (7), o Instituto Butantan anunciou que a eficácia da vacina CoronaVac, desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac, é de 78% contra casos leves de Covid-19 e 100% contra casos moderados e graves.
Segundo o infectologista Sergio Cimerman, do Instituto Emilio Ribas, o Instituto Butantan tem capacidade de produzir 1 milhão de doses por dia. A previsão do governo estadual é vacinar 100% da população do Estado até o final do ano de 2021.
Na manhã desta sexta (8), o Butantan oficializou a solicitação de uso emergencial da CoronaVac à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O órgão prevê que a análise do pedido emergencial leve até dez dias. Caso seja aprovada, esta autorização permite a imunização de grupos de risco como idosos e profissionais da saúde.
O governo do Estado também afirmou que possui quantidade necessária de seringas e agulhas para iniciar a vacinação em São Paulo; já o Departamento de Saúde local também já adquiriu estes equipamentos em número suficiente para a vacinação de toda a população local. “Os grupos prioritários serão respeitados e as condições específicas serão divulgadas oportunamente”, afirmou a prefeita municipal, Maria Teresinha de Jesus Pedrosa (DEM).
A aquisição de seringas e agulhas para campanhas de imunização sempre ficou a cargo de estados e municípios. Porém, em dezembro de 2020, o governo federal resolveu centralizar a compra no Ministério da Saúde, mas o edital só foi aberto em 16 de dezembro. Na última quarta (6), o governo cancelou as negociações após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmar que a compra só ocorrerá quando “os preços voltarem à normalidade”.

CONFUSÃO EM BRASÍLIA
Após coletiva realizada também na tarde de quinta (7), o general Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, disse que o governo federal pretende iniciar ainda neste mês a imunização com a vacina CoronaVac, porém não deu detalhes sobre o plano, criticou a imprensa e voltou a taxar as notícias sobre os “vai e vens do governo federal” como “fake news”.
O discurso é emulado em nível local pelos apoiadores do presidente e negacionistas, que atacam todas as informações sobre a pandemia em São João – inclusive as publicadas pelo O MUNICIPIO. São comentários que vão desde incapacidade de interpretação de dados até xenofobia e negacionismo explícito.
A despeito desses ataques, O MUNICIPIO continua cumprindo com seu dever de fazer jornalismo sério, informar e alertar a população sobre a real situação da pandemia na cidade, como, aliás, vem fazendo há mais de um século.
Regras da quarentena ainda devem ser endurecidas, mesmo com imunização
O Centro de Contingência ao Coronavírus em São Paulo organizou um subgrupo para elaborar um novo projeto de contenção da Covid-19 no Estado. A ideia ganhou peso após o final de dezembro, quando praias ficaram lotadas e as pessoas se reuniram para as festas.
Na visão dos membros do comitê, há um clima de “fadiga” na sociedade em relação à pandemia. Eles acreditam que as pessoas dificilmente voltarão a respeitar as regras sanitárias caso não haja um endurecimento ainda maior das restrições da quarentena.
Sobre eventuais restrições, a prefeita municipal Maria Teresinha de Jesus Pedrosa (DEM) afirmou que “[é] totalmente contrária às medidas radicais de fechamento do comércio, porém, durante o seminário da última quarta, o governador deixou bem claro que os municípios que não seguirem suas determinações não receberão verbas e irão para o final da fila de pedidos de recursos, o que traria um prejuízo muito grande para a população”.
O Centro de Contingência é uma pasta independente, que conta com infectologistas e epidemiologistas, e foi criado pelo governo paulista com o objetivo de sugerir e guiar as ações no controle da pandemia da Covid-19. A nova proposta será encaminhada para análise do governador João Doria (PSDB) na semana que vem.




