
A corrida por uma vacina que seja eficaz e segura contra a Covid-19 continua pelo mundo todo e no Brasil não é diferente.
Por aqui, diversas empresas continuam realizando os testes da segunda e terceira fases em busca de conseguirem demonstrar a eficiência do seu produto e obter o registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A Pfizer, por exemplo, já entregou à agência os dados referentes aos estudos não-clínicos e clínicos de fase 1 e 2 da vacina contra a Covid-19 desenvolvida em parceria com a BioNTech. O procedimento foi adotado pela Anvisa para acelerar o processo de liberação de vacinas contra a doença causada pelo novo coronavírus. O órgão regulador tem até 20 dias para analisar os documentos.
Outra vacina que estaria com estágios de testes avançados é a Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac. Porém, esta vacina é palco de uma briga ideológica e política entre o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que pretende produzir o imunizante no Instituto Butantan, e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), desafeto declarado da China.
Doria vem dando declarações de que, se a vacina for aprovada pela Anvisa, já terá cerca de 15 milhões de doses para serem aplicadas já em dezembro e mais 45 milhões até abril.
Já o governo federal, por meio do Ministério da Saúde, anunciou que se reuniu, nas últimas semanas, com cinco laboratórios cujas vacinas encontram-se em fase avançada de desenvolvimento. Foram recebidos representantes das indústrias americanas Pfizer, Janssen e Moderna, com a indiana Bharat Biotech e o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF). Algumas delas já aderiram ou estão pleiteando adesão ao consórcio internacional de vacinas.
A Pasta anunciou que deverá assinar cartas de intenção não-vinculantes com as empresas para permitir uma futura aquisição de doses.
As vacinas que o Brasil comprar terão que possuir registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ter o preço máximo regulado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) e receber recomendação de incorporação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) no Sistema Único de Saúde (SUS).
AQUISIÇÃO
De acordo com o Ministério da Saúde, a Pasta já tem acordos contratuais para a possível aquisição de 142,9 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19, que poderão imunizar pelo menos um terço da população brasileira, assim que concluídas as etapas de segurança, eficácia e registro. Se tudo ocorrer da maneira planejada, em 2021, o Brasil já poderá produzir na Fiocruz, de forma autônoma e com tecnologia nova, mais 110 milhões de doses de vacinas, garante o governo federal.
Uma das apostas de Bolsonaro é a parceria entre a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a AstraZeneca, que poderá começar em abril de 2021 a produzir a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford.
OTIMISMO
A médica sanitarista sanjoanense Marta Salomão, que já presidiu o Instituto Adolfo Lutz, afirma que as vacinas para a Covid estão sendo criadas em um ritmo nunca antes visto. “Vamos ter vacinas seguras e com poder de conferir imunidade no início de 2021. Mas a vacinação da população mundial ainda demorará mais tempo. Vai depender dos esforços da OMS e dos governos dos países”, sinalizou.
Segundo ela, a produção de vacinas em escala para vacinar a população, necessária para barrar a pandemia, demorará todo o ano de 2021. “O preço das vacinas será um dos fatores limitantes a muitos países”, apontou.
Marta Salomão diz que o principal desafio neste momento é a posição do governo federal, que tem que fazer as definições de quem deve ser vacinado e adquirir as vacinas necessárias, provavelmente de vários produtores.
“A logística da vacinação vai depender da vacina escolhida, pois o transporte, a conservação das várias vacinas que estão sendo produzidas, são muito diferentes. Variam da necessidade de serem conservadas a menos 70 graus, o que será impossível no Brasil e em grande parte do mundo, ou em geladeiras com 2 a 8 graus como a maioria das vacinas hoje utilizadas no SUS”, detalhou.
Sobre a briga política envolvendo a vacina Coronavac, Marta garante que o produto chinês, associado ao Instituto Butantan, tem sido muito seguro e parece garantir boa imunidade também na fase 3, como outras. “É uma vacina de produção tradicional e se sua proteção for confirmada, será uma boa vacina para o Brasil pela facilidade de transporte e conservação. A discussão nas redes sociais mostra desconhecimento dessa vacina e também de outras, pois a vacina de Oxford também tem componente importante vindo da China e foi adquirida pelo Governo Brasileiro”, finalizou.
São João registra 53 novas infecções por Covid-19 em cinco dias e acumula 1.193 casos
São João da Boa Vista registrou 53 novas infecções pela Covid-19 em cinco dias e acumulou, na sexta-feira (27), 1.193 casos do novo coronavírus desde o início da pandemia. Na segunda (23) eram 1.140 contaminações na cidade. De acordo com boletim da Prefeitura de São João, o total de pacientes recuperados era de 1.124.
Do total acumulado (1.193), 40 pacientes estão com o novo coronavírus em atividade, sendo que 39 são mantidos em isolamento em casa e um (1) sanjoanense estava internado no município.
Em relação aos óbitos por Covid, a cidade mantem-se com 29 mortes, sendo 26 delas causadas pela Covid-19 e três por outras causas, mas com a presença do Sars-Cov-2.
Já as pessoas que testaram negativo para a doença somam 1.973 e nenhuma esperava por resultado de exame.
Ainda segundo o informativo, atualizado às 17h, São João já registrou o total de 3.564 pessoas suspeitas de terem contraído o novo coronavírus, sendo que 3.166 foram notificadas com exames e 398 são monitoradas (casos suspeitos leves em acompanhamento domiciliar e que farão exame ao final do monitoramento).
Com um sanjoanense internado, além de pacientes de outras cidades, a taxa de ocupação hospitalar ficou em 40% na Ala UTI Covid e 16% na Ala Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros. Já o Hospital e Maternidade Unimed teve índice de 0% na Ala Covid e 0% na Enfermaria Covid. A taxa de isolamento foi de 42%. (I.G)




