
O crescimento das bancadas evangélica e de segurança pública no Congresso ocorrido nas eleições de 2018 estimulou os partidos a buscarem candidatos com esse mesmo perfil para o pleito municipal deste ano. O discurso também é o mesmo que predominou nas eleições presidenciais e resultou na vitória do militar da reserva, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), possuindo um forte apelo conservador. Nunca se usou tanto o nome de Deus ou se falou tanto em segurança nas declarações e nas propagandas dos candidatos, como se tem visto neste ano.
Em entrevista ao portal Uol, o cientista político e professor Tiago Borges explicou que ‘colar’ a imagem dos partidos a nomes conservadores é parte de uma estratégia utilizada para fisgar votos. “É uma estratégia óbvia de imputar marca de sargento, bispo, para que os eleitores se identifiquem com esse perfil. Também se pretende fazer pensar que essas pessoas seriam incorruptíveis, devido aos cargos ligados à ordem”, declarou.
RELIGIOSOS
De acordo com os registros de candidaturas apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 8,7 mil candidatos adotaram títulos religiosos nos nomes que serão apresentados nas urnas nessas eleições. Entre os títulos, o mais utilizado é o de pastor/pastora, com mais de 51% dos casos (4.426 candidatos), seguido por irmão/irmã, com 41% (3.561 nomes). Como concentram a maior parte das candidaturas, os postulantes ao cargo de vereador apresentam também o maior número de títulos religiosos. Na sequência, aparecem os candidatos a vice-prefeito e, por último, os candidatos a prefeito.
Em São João da Boa Vista, três candidatos a vereador adotaram títulos religiosos nos nomes neste pleito. O número é menor em comparação a disputa eleitoral sanjoanense de 2016, quando quatro candidatos adotaram o título religioso no nome.
Já neste ano, conforme consta no sistema DivulgaCandContas (Sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais), o bloco de partidos que apoiam Maria Teresinha de Jesus Pedrosa (DEM) conta com um apóstolo candidato da REDE, enquanto que a coligação de Patrícia Magalhães (PSDB) traz um pastor inscrito pelo PSDB e uma pastora pelo PL.
MILITARES
Além do aumento de candidatos com títulos religiosos, o pleito atual é o que contabilizou o maior número de candidatos policiais e militares dos últimos 16 anos. Em números absolutos, são 6,7 mil postulantes aos cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador em todo o País, superior ao total registrado em 2012. O aumento dessas candidaturas também é de 12,5% em relação à eleição de 2016. Esses números, no entanto, podem ser ainda maiores, segundo especialistas, porque há casos de policiais ou militares que se autodeclaram apenas servidores públicos.
Neste ano, o pleito sanjoanense conta com quatro candidatos inscritos que adotaram alguma patente militar no nome de campanha – na última eleição municipal houve apenas um registro deste tipo. O PSD, por exemplo, conta com dois cabos da Polícia Militar apoiando a candidatura de Francisco Arten (PSD). Já o PSDB conta com um tenente e o PL com um sargento, ambos da coligação que apoia Patrícia.
PROFESSORES
Em meio ao forte apelo conservador presente nestas eleições, também foi registrado um expressivo aumento no número de candidatos professores este ano. Em comparação ao último pleito, houve 7,7% de aumento nos postulantes aos cargos. Em 2016 foram 22.801 professores disputando as eleições, enquanto que este ano são 24.560. Entretanto, houve uma queda na proporção deles perante o número total de candidatos – de 4,9% para 4,5% do todo.
Em São João, o total de 11 candidatos adotou a profissão no nome de campanha – o número é bem maior em comparação ao pleito de 2016, que teve seis nomes inscritos. A maior parte deles pertence ao bloco que apoia Arten – que também é professor. Ao todo são quatro candidatos: dois professores pelo PSD, um pelo PDT e outro pelo Republicanos.
Já o DEM tem três candidatos professores apoiando Teresinha. O PSB e o PODE contam com dois nomes, compondo a base de candidatos que apoiam José Eduardo dos Reis (PSB). Além destes, a coligação de Patrícia conta com um professor pelo PMB, enquanto que a Frente Democrática de Elenice Vidolin (PSOL) traz uma professora pelo PT.


