Simplesmente, Pelé!

Passei minha infância em meio às saudáveis brincadeiras da época, início dos anos 1960, no nosso palco preferido, a Esportiva, onde no Campo do Renner – atrás do principal – jogava com amigos o futebolzinho de cada dia. Crescemos ali ouvindo um nome, comentado incessantemente pelos adultos: um tal de Pelé, artilheiro do Santos, o melhor time do mundo!

Mas, quem era Pelé, na realidade, perguntávamos. Afinal, tínhamos como principal veículo de comunicação o rádio, aquela caixinha quadrada, verdadeira fábrica de ilusões. Nas vozes de Fiori Gigliotti, Pedro Luís e tantas outras feras da locução ficávamos a imaginar as peripécias de um garoto que surgia encantando o mundo da bola.

Ainda sem um time definido para torcer, com meus 10 anos tive tudo para ser santista. Mas, pensei comigo: como pode alguma agremiação tirar títulos do famoso Santos, de Pelé? A sutileza de Ademir da Guia me direcionou a torcer pelo Palmeiras.

Voltando a falar do Rei, o vi em campo pela primeira vez num jogo-treino da Seleção em Campinas, antes da Copa de 66, contra o Combinado Ponte e Guarani. Era mesmo tudo aquilo que diziam, diferenciado! Não mais parei de acompanhar sua genialidade, mesmo torcedor de outro clube.

Afinal, ter sido o mais jovem artilheiro do Campeonato Paulista (17 anos) e campeão mundial (aos 18), mais jovem bi mundial de Copas (em 62), maior artilheiro da Seleção (95 gols), maior artilheiro do futebol profissional (1281 gols), 10 vezes campeão paulista (1958, 60, 61, 62, 64, 65, 67, 68, 69 e 73), quatro Torneios Rio-SP (59, 63, 64 e 66), seis Campeonatos Brasileiros (61, 62, 63, 64, 65 e 68), um Campeonato Norte-americano (77, com o Kosmos), duas Libertadores e dois Mundiais de Clubes (1962 e 1963) e tri com a Seleção (58, 62 e 70), não deixa dúvidas sobre os motivos de Pelé ter sido o melhor do mundo.

E tem mais: sete Bolas de Ouro (Revista France Football), Atleta do Século (através do Comitê Olímpico Internacional), Maior Futebolista do Século 20 (Unicef), Título de Sir-Cavaleiro Honorário do Império Britânico (Rainha Elizabeth II), Embaixador para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Membro do Hall da Fama (pela cidade de Oneonta, em New York), Embaixador da Organização para Ecologia e Meio Ambiente (ONU) e Ordem Nacional do Mérito (Governo Brasileiro), entre outras honrarias, não é para qualquer um. Parabéns, Rei, pelos 80 anos de vida!

Leivinha Oliveira

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