Maioria das escolas privadas não terá aulas presenciais

Carteiras distantes: uma das medidas de segurança adotadas no Experimental Integrado (Divulgação/Assessoria Experimental Integrado)

Com a notícia de que a rede particular de ensino em São João da Boa Vista estava autorizada a retomar as aulas presenciais em 7 de outubro, algumas escolas estão adequando suas dependências para receber os alunos de volta – como é o caso do Colégio Experimental Integrado -, outras realizaram pesquisas junto aos pais para, juntos, definirem que atitude tomar e há ainda as que farão reuniões nos próximos dias, para decidir a situação. Mas a maioria não retomará.

BEM-VINDOS DE VOLTA
O Colégio Experimental Integrado está adequando toda a estrutura da escola, em cada segmento, do ensino infantil ao pré-vestibular, seguindo as exigências, os protocolos e as medidas de segurança que regem a volta às aulas, tudo de acordo com as recomendações da Diretoria de Ensino e da Vigilância Sanitária de São João.

“Antes mesmo da pandemia, já contávamos com uma estrutura adaptada para a tecnologia. Atualmente, ela permite, com equipamentos ideais e de maneira adequada e profissional, a transmissão simultânea das aulas às famílias que decidirem por manter os filhos estudando em casa”, disseram as mantenedoras e diretoras do Experimental Integrado, Maria Cecília Perez e Selma Bertolli, que reforçam que a dinâmica educacional é diferente para cada idade e segmento.

AGUARDAM E ESTUDAM O RETORNO
No Externato, a decisão sobre o retorno presencial, segundo a diretora Ana Aparecida Aguiar Andrade, será tomada após o dia 13 de outubro.

“Vamos amadurecer a ideia para depois decidir, porque foi feita uma pesquisa junto aos pais e mais de 90% deles não querem este retorno. Nós temos esta pesquisa que nos apoia. Vamos esperar os feriados de outubro para decidir”, enfatizou Ana.

Situação parecida ocorre no Colégio El Shadai e a também diretora Aparecida Braganholi revela que “ainda estão entrando em um acordo junto às famílias para decidir quanto ao retorno presencial das aulas. E vamos rodar uma pesquisa junto aos pais, para decidir de comum acordo.”

Já Christopher Campos, gestor do COC, pontua que tem um funcionário para cuidar desta parte de montar os protocolos sanitários na escola, mas ainda não definiram o retorno e iriam discutir os planos de ação em reunião, na manhã desta quarta-feira (30).

ATÉ O ANO QUE VEM
No Anglo São João, a direção informa que o ensino médio não voltará às aulas presenciais – estas seguirão somente online até o final de 2020, como medida de segurança.

O mesmo se aplica às unidades de educação infantil e fundamental – no Acalanto/Anglo -, onde as aulas presenciais não serão retomadas, como consta da carta que a coordenação pedagógica desta escola encaminhou aos pais, na terça-feira (29).

“O que se tem observado em outros setores que decidiram pelo retorno de atividades presenciais é que, mesmo com todos os cuidados de distanciamento, higienização, sanitização e com uso de máscaras, é impossível garantir que não haja contágio pela doença [Covid-19] sem um bom sistema de rastreamento de contatos e testes aplicados em larga escala, inviáveis hoje em nosso País”, dizia um trecho desta carta.

Angélica Westin de Almeida Azevedo Batista, diretora do Dom Bosco/Pingo de Gente, conta que a escola é outra que seguirá com aulas virtuais.

“Fizemos uma pesquisa e pouquíssimos pais mandariam os filhos à escola. E também porque o online deu tão certo que, para você ter uma ideia, temos crianças de 2 anos fazendo aula online e até acho que, mesmo se tudo voltar, eles vão continuar preferindo o online”, afirmou.

No Colégio Objetivo, como informa Perla de Cássia Bovo Vieira, a coordenadora, as aulas não devem retornar presencialmente este ano. “Nós, por motivo de segurança dos alunos, pais, parentes e funcionários, continuaremos com as aulas no sistema online até o final do ano, cumprindo normalmente o calendário determinado pela Diretoria de Ensino. Se algum pai quiser aula presencial, o que por enquanto nenhum quis, a gente vai montar um calendário”, esclareceu.

O QUE PENSAM OS PAIS
A advogada María Paula Untura e Silva Estevam, mãe de Luís Antônio, de 22 anos, que estuda na USP, e Luís Otávio, de 18, aluno do curso pré-vestibular, observa que, apesar das aulas online terem se mostrado eficazes em diversos aspectos, nenhum método é capaz de substituir o presencial – mas considera temerário o retorno às aulas.

“Penso que, no decorrer dos dias, os alunos possam descuidar-se, seja na retirada da máscara, seja na lavagem inadequada das mãos e até mesmo no contato muito próximo com os colegas. Isso, se ocorrer, pode levar ao aumento significativo de transmissão do vírus”, disse Maria Paula.

A professora de inglês Amanda Gorks, mãe do Lucca, de 4 anos e meio, considera a situação extremamente complicada. “De um lado estão nossos pequenos, confinados em casa, sem o contato dos amigos, professores e atividades pedagógicas presenciais. Do outro, há a questão da saúde, que está em primeiro lugar. Tenho, sim, receio de contágio caso voltem as aulas”, declarou ela.

Já o médico neurocirurgião Leonardo LoDuca, que é pai de Luigi, de 12 anos, e Marina, de 9, respectivamente alunos do 7º e 3º ano, é a favor do retorno híbrido das aulas – uma parte presencial e outra remota.

“Crianças que têm contato com pessoas do grupo de risco deveriam permanecer em casa. As outras, em aula presencial (distanciamento vertical). Caso a escola deles [dos filhos do médico] retorne às atividades, eles voltarão a frequentar”, concluiu LoDuca.

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