
Enquanto boa parte dos setores da economia demitiu durante a pandemia e enfrenta sérios problemas financeiros, a construção civil vem contrariando as previsões e crescendo a cada dia.
O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção (ICEI-Construção) subiu 7,7 pontos entre julho e agosto, informou na segunda-feira (24) a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O indicador chegou aos 54 pontos, ultrapassando a marca que indica o início de um cenário confiante (50). Em julho, o índice estava em 46,3 pontos.
Segundo a CNI, essa foi a quarta alta seguida do indicador, após quedas expressivas em março e abril – meses mais afetados pela crise provada pela pandemia da Covid-19.
Em São João da Boa Vista, o cenário da construção civil também acompanha esse otimismo, com aquecimento em vendas, obras e oferta de empregos.
Isso é o que garante Ródion Moreira, presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de São João da Boa Vista.
“A indústria da construção civil dentro da pandemia teve um comportamento interessante. No início, tivemos algumas más notícias, de demissões de diversos postos de trabalho que foram suprimidos, até por conta de ajustes que as empresas tiveram que fazer em razão das paralisações. Toda a cadeia foi prejudicada”, contou.
No entanto, Moreira explica que com o passar dos dias os empresários foram entendendo e visualizando as oportunidades. “Tivemos, de uns 40 dias para cá, até recontratações em alguns setores como cerâmico, aço e até a criação de mais postos de trabalho dentro dessas empresas. Algumas que demitiram 100, por exemplo, recontrataram 120. Tivemos essa movimentação”.
PEQUENAS E MÃO DE OBRA
O engenheiro ressalta que as pequenas construções praticamente não pararam e que a oferta de mão de obra aumentou consideravelmente, o que também contribuiu para aquecer o setor. “Com o tempo, as coisas foram se ajeitando. Até por conta de surgimento de nova mão de obra. Aquelas pessoas que trabalhavam em alguns setores, como alimentício, de festas, por exemplo, migraram para a construção civil, o que é natural de acontecer dentro do mercado. E com essa oferta de trabalho, algumas obras retornaram; outras começaram. Até pela demanda que era baixa e oferta de mão de obra alta, algumas pessoas decidiram fazer essas pequenas obras, pequenos reparos”, detalhou.
Assim, a construção civil, garante o presidente da AEA, teve papel fundamental para acolher muitos profissionais que perderam emprego durante a pandemia. “Surgiram novas oportunidades no mercado para essas pessoas. Temos garçons que estão atuando como eletricista, como encanador, até porque faziam isso como bico e agora acabou virando o principal ‘ganha pão’ do trabalhador”.
SÃO JOÃO
Em São João, Moreira fala em um aquecimento intenso desde junho, um reaquecimento do setor. E isso é observado, segundo ele, pela procura de empreendedores para a realização de projetos e diversos assuntos relacionados à realização de empreendimentos. “Em conversa com órgãos públicos, fomos informados que a demanda por projetos para serem analisados e aprovados, em prefeitura e corpo de bombeiros, tem sido grande”, apontou.
E a expectativa é que isso continue. “O mercado está começando a se abrir de novo, as cidades estão começando a funcionar novamente, não como era, mas com agendamentos e virtualmente. E vemos que as construções não param. Aqui em São João temos uma representação muito grande do PIB local, chegando a 10%, 15% do faturamento da cidade. E isso em termos de obras legais, que são aprovadas na Prefeitura”.
PREÇOS ALTOS
Em razão do aquecimento do setor, com a oferta alta de mão de obra, insumos básicos – cimento, tijolos e areia – estão em falta e os preços subiram exponencialmente. “O material da construção civil teve aumento de 250% e semanalmente está subindo. Estamos tendo escassez de insumos básicos, como tijolos, cimento, areia. E não estamos mais conseguindo controlar o custo de obra no mês. Semanalmente está subindo tudo e estão faltando os materiais, o que elevou o custo”, revelou.
Por fim, ele diz que o setor deve continuar crescendo, mas acredita que os custos, prazos de entrega e insumos sejam adequados até o final do ano e, em 2021, os preços estejam justos e os prazos de entrega mais estreitos.




