Fluxo intenso de visitantes na Estrada da Serra da Paulista preocupa moradores

Paiol do Paco: antigo imóvel foi destruído durante incêndio na segunda (27); moradores acreditam que origem seja criminosa (Divulgação/Arquivo Pessoal)

Com o advento da pandemia de Covid-19, parte significativa da população sanjoanense tem buscado atividades físicas ao ar livre, seja caminhando, pedalando, visitando cachoeiras ou mesmo passeando em meio às estradas rurais no entorno de São João. E o aumento do fluxo de visitantes começa a gerar transtornos aos moradores dessas áreas e também pode colocá-los sob risco de atropelamentos ou outros tipos de acidentes, conforme apurou o O MUNICIPIO.

CAMINHADAS
Uma das principais situações apuradas refere-se às caminhadas regulares na Estrada da Serra da Paulista, trajeto de cerca de 18 km, com curvas e sem acostamento asfaltado.

Segundo um grupo de moradores locais ouvidos pela reportagem – que preferiu não se identificar -, motoristas que trafegam pelo local demonstram receio de, ao desviarem dos pedestres, acabem invadindo o lado contrário da via, ocasionando colisões frontais com veículos – ou mesmo atropelamentos.

De acordo com as fontes, o fato se torna ainda mais complicado aos finais de tarde e início de noite, quando a estrada recebe vários grupos de esportistas, muitos, inclusive, trajando roupas escuras, o que pode comprometer a visibilidade dos condutores de veículos.

INVASÕES DE PROPRIEDADES
A invasão de propriedades privadas também tem sido recorrente na região. Rotineiramente, cercas de arame farpado têm sido cortadas para a passagem de motos, ‘gaiolas’ e outros tipos de veículos.

Adeptos às trilhas ‘marcam’ árvores e pedras, para sinalizar o percurso a ser seguido por outros praticantes do esporte. E moradores relataram à reportagem que é cada vez maior o número de veículos não autorizados transitando pelas propriedades da região.

LINHA FÉRREA
Uma atividade que ganhou destaque nesse período de pandemia é o ferrotrekking – uma espécie de caminhada ao longo de trajetos de trilhos ferroviários. Em São João, o destino mais procurado é a “Ponte de Tajá”, na estrada de ferro que liga Águas da Prata (SP) a Poços de Caldas (MG) – hoje operada pela VL! Logística.

Com mais de 200m de comprimento e quase 50m de altura, a ponte tornou-se um dos pontos mais famosos da região usados pelas pessoas para fazerem fotos. No entanto, o problema desse passeio – que tem sido feito por em torno de 150 pessoas em cada final de semana – é que o ramal ferroviário ainda é utilizado para transporte de minério de bauxita para as indústrias de Poços de Caldas e acidentes podem acontecer.

INCÊNDIOS
Junto com ferrotrekking, proliferam-se ainda focos de incêndio – de origem acidental ou criminosa. No último sábado (25), foi registrado um incêndio próximo a um dos túneis da estrada de ferro. O fogo só foi controlado no domingo (26), após trabalho de moradores da região.

De acordo com a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA), causar incêndio florestal é crime ambiental e o infrator, além do pagamento de multa, e pode ter pena com prisão de seis a quatro anos.

Já na segunda (27), outro incêndio foi registrado em um antigo paiol situado na Serra da Paulista, conhecido como “Paiol do Paco”. Embora fechado há muitos anos, o local era muito conhecido por moradores da região, pois era um tradicional salão de bailes da comunidade rural da serra. Moradores acreditam que este último tenha origem criminosa, uma vez que o local estava fechado há anos, sem energia elétrica ou outro material comburente.

RACHAS E AGLOMERAÇÕES
Conforme já noticiado pelo O MUNICIPIO, motoqueiros têm se reunido no km 14 da estrada da serra para disputarem rachas e beberem aos finais de semana. Moradores relatam que a situação tornou-se habitual com a pandemia, como forma de escapar das aglomerações, o que mais tem acontecido nestes encontros.

ASSOCIAÇÃO
Procurada pela reportagem, a presidência da Associação Amigos da Serra da Paulista voltou a falar da questão do trânsito na estrada e informou que, em 2018, requereu a sinalização vertical e horizontal da via junto à Prefeitura de São João.

“Houve um processo administrativo com a solicitação, com todos os fundamentos do Código de Trânsito Brasileiro [CTB], mas a Prefeitura informou, à época, que buscaria recursos junto ao governo estadual e arquivou nosso pedido. Após o arquivamento, entramos com uma ação civil pública e a Justiça sanjoanense entendeu que a associação não tinha legitimidade ativa para propor a ação. No estatuto da associação, ele [juiz] entendeu que ela cuida de meio ambiente, não cuida de trânsito. Então, extinguiu a ação. Mas nós tentamos até via judicial”, relembrou o presidente João Augusto Michelazzo Bueno.

DIRETORIA DE TRÂNSITO E SEGURANÇA
A Prefeitura de São João foi procurada para comentar acerca da preocupação apontada pelos moradores da região da Estrada da Serra da Paulista.

Em resposta, o coronel Ademir Aparecido Ramos, diretor de Trânsito e Segurança, pede, nesse momento, que as pessoas tenham consciência dos riscos que estão se expondo ao caminharem na faixa de rolamento destinadas aos veículos.

“Devem fazer isso somente pelo acostamento e como sabem, não são apropriados. Por outro lado, os motoristas e motociclistas também precisam dispensar toda atenção para não colocar em risco esses novos usuários daquele local”, informou.

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