São João registra 426 novos casos de dengue em 20 dias

Cuidados: seleção de focos com larvas de mosquitos Aedes aegypti deve ser constante (Reprodução / Internet)

Em meio à pandemia de Covid-19, São João da Boa Vista teve aumento de 426 casos de dengue em 20 dias. No período de 2 a 22 de julho, os últimos dados de atualização executados pelo Departamento Municipal de Saúde mostraram um salto de 1.223 a 1.649, ou representam acréscimo de 34,8%.

Foi o registro mais expressivo desde que a epidemia de dengue foi decretada na cidade, em 21 de fevereiro, após a confirmação de 282 casos positivos. Isso significa que, após cinco meses, mais 1.367 pessoas foram infectadas pelo vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, um aumento de 484%.

Segundo o balanço, na cidade, o total de 1.649 casos ainda representa média de 235,57 contaminados por mês, sendo 8,12 casos computado por dia. De acordo com a Prefeitura, nenhuma morte causada pela dengue foi registrada.

Dos 2.484 casos notificados e acumulados de janeiro a 22 de julho, 1.649 são positivos – sendo 1.601 autóctones, que contraíram doença no município – e apenas 48 importados, oriundos de outras cidades, sejam eles do Estado de São Paulo ou de outra unidade da federação.

Ainda de acordo com o Setor de Vigilância Epidemiológica, 632 pessoas testaram negativo para dengue, enquanto 203 aguardavam resultados dos exames.

Separadamente, em relação às notificações no mesmo intervalo observado, embora tenham sido menores, subiram em 98, sendo 2.386 para 2.484.

Já em casos de crescimento autóctones, foram de 412, passando de 1.189 no dia 2 para 1.601 em 22 de julho (34,6%). Já os registros de outras cidades subiram em 14 casos, de 34 para 48.

Entretanto, em relação aos pacientes que aguardam resultados de exames, houve uma queda de 72,3%, diminuindo de 735 para 203. Os pacientes que testaram negativo também aumentaram em 222, de 410 para 632 (35,1%).

MEDIDAS
Na segunda quinzena de fevereiro, diante da situação crítica e decretação do status de epidemia, o prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (MDB) já havia reunido diretores municipais e profissionais do setor de Vigilância Epidemiológica e Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para definir estratégias mais rígidas de combate à doença.

Entre as ações, uma aplicação de multas para locais em que são encontradas larvas do mosquito Aedes aegypti. A penalização, conforme indicado pela Prefeitura na época, “é uma forma de fazer com que os imóveis, localizações ou administradores mantenham suas áreas (edificadas ou não) devidamente limpas”.

Portanto, moradores que impedem a entrada de agentes de Vigilância Ambiental e agentes Comunitários de Saúde para executar serviços de inspeção, verificação, orientação e aplicação de inseticida também são autuados e posteriormente multados, medida com base na Lei 3.798, de 26 de fevereiro de 2015, elaborado pelo Executivo e aprovado na Câmara Municipal.

Conforme a Prefeitura informou, na ocasião, ou o Aedes tem proliferado uma maneira preocupante, mesmo com o trabalho preventivo – de remover criadouros do mosquito transmissor da dengue, chikungunya, febre amarela e zika vírus – e organizado pelo Centro de Controle de Zoologia ( CCZ).

TIPO 2
Em 2020, a dengue tipo 2 tem sido a principal preocupação das autoridades de saúde de São João, em razão da agressividade do vírus.

Ludimila Borato Barros Zan, chefe do setor de vigilância epidemiológica, explica que, no Brasil, circula quatro tipos de vírus: Denv-1, Denv-2, Denv-3 e Denv-4.

“Ao ser infectado, o paciente obtém imunidade contra o sorotipo pelo qual foi infectado, mas permanece suscetível aos demais. Como complicações ocorrem, geralmente, quando uma pessoa é exposta após um segundo tipo de vírus, ou pode causar dengue severa, anteriormente chamada de dengue hemorrágica ou dengue com complicações. Apesar dos sorotipos 2 e 3 serem considerados mais agressivos, qualquer reinfecção por dengue pode acarretar um quadro mais grave ”, finalizou.

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