
A região de São João da Boa Vista manteve-se à fase Laranja (Controle) do Plano São Paulo, após atualização dos status do Plano São Paulo nesta sexta-feira (24). Contudo, a real possibilidade de regressão tem gerado preocupação entre comerciantes da cidade. O crescente número de casos e óbitos pela Covid-19 é um dos indicadores da evolução da pandemia e tem mantido o Departamento Regional de Saúde (DRS-14) em alerta. Caso este índice continue crescendo, regredir será inevitável.
No caso de voltar à fase vermelha – Alerta Máximo –, as 20 cidades que compõem a região sanjoanense deverão adotar os protocolos de flexibilização gradual da economia anteriores, o que tem deixado comerciantes de diversos segmentos apreensivos, uma vez que já amarguram os reflexos das medidas adotadas no início da pandemia.
“Isso vai trazer bastante prejuízo para o comércio. Todo mundo está trabalhando praticamente para pagar as contas, que é o meu caso”, afirmou Graziela Arruda Pio, proprietária da loja Hope São João, no Centro. “Hoje a gente não pensa mais em lucro. Estamos pensando em pagar todas as contas e impostos, o que é bem difícil”, completou.
A comerciante explica que o panorama atual tem sido bastante complexo para o empresariado. “A gente não tem quase nenhum benefício do governo. […] O que a gente está fazendo é vivendo a cada dia. As vendas diminuíram praticamente 50% em relação a um mês normal”, revelou.
Em meio à crise, Graziela afirma que tem investido nas vendas online para tentar manter as contas equilibradas. “Além do site, a gente tem o App e estamos atendendo pelo WhatsApp e fazendo delivery. Estamos fazendo tudo o que dá para tentar aumentar as vendas e, mesmo assim, nossas vendas estão bem reduzidas”.
Em meio a este cenário, ela destaca a importância dos sanjoanenses em ajudar a resgatar a economia local. “Contamos com a população. Quando tudo isso passar, deem preferência para o comércio local! Muitas pessoas compram fora mesmo tendo o produto na cidade”, comentou a empresária. “A gente espera da população que tenha consciência e ajude a economia da cidade”, frisou.
REFLEXOS
Para o comerciante Guilherme Augusto Germinari dos Santos, sócio-proprietário do bar Traz Mais Uma, localizado na Vila Conrado, o setor de alimentação tem sido um dos mais afetados com o isolamento social. “Estamos trabalhando muito com a criatividade para manter nosso funcionamento, pelo menos o suficiente, para sobreviver até a reabertura na fase amarela. Nossa forma de trabalho não será afetada com a regressão, mas indiretamente com a baixa movimentação no comércio, diminuirá a procura do nosso setor”, apontou.
Com a pandemia, ele relata que o bar precisou passar por algumas mudanças. “No nosso ramo, que é bar noturno de porções, não tínhamos apelo para delivery, como lanches e pizzas. Tivemos que iniciar o serviço de entrega e adaptar nosso cardápio para conseguir levar um diferencial para nossos clientes. Focamos então em combos onde a maioria das porções que servíamos são levadas à casa”, relatou.
SITUAÇÃO DIFÍCIL
Outro setor que tem sofrido com isso é no ramo alimentício. Com uma eventual regressão no Plano São Paulo, a expectativa não tem sido animadora para Luiz Carlos Missassi Rivera, proprietário da Paraki Lanchonete, no Jardim Industrial. “Já estamos vivendo uma fase muito difícil do jeito que está. Estamos trabalhando muito duro para manter nossos compromissos, tanto com os funcionários, como com os fornecedores. Se regredirmos, tudo ficará mais difícil. Todos precisamos nos conscientizar e ajudar para que logo tudo fique bem”, comentou.
De acordo com ele, desde que iniciou o período de isolamento social, os reflexos têm sido grandes nas vendas. “Assustou a gente no início. Tivemos uma queda de quase 80%, pois o público maior nosso era aqui [no estabelecimento] e a gente não tinha um fortalecimento do disk”, explicou. “Sentimos muito e estamos sentindo até agora”, lamentou, ao se referir sobre o impacto financeiro que sofreu.
Luiz Carlos conta que houve uma queda menor nas vendas na lanchonete durante a noite, porém, mesmo assim, necessitou dispensar alguns funcionários. “Vamos torcer para que tudo passe e volte ao normal logo, se Deus quiser, e a gente possa reinaugurar. Eu acredito que no nosso ramo será uma reinauguração, porque com todo este tempo parado, o cliente acaba esquecendo um pouco da gente, pois fica em casa. Vamos nos reestruturar para receber novamente os clientes na hora que tudo voltar ao normal, se Deus quiser!”, disse esperançoso.




