
Equipe composta por três biólogos desenvolveram, na semana passada, uma das fases da campanha de monitoramento de fauna na área que abrigará a futura represa – barragem do Rio Jaguari-Mirim – às margens da rodovia Governador Ademar de Barros (SP-342), na altura da Ponte do Arco, em São João da Boa Vista.
Durante cinco dias, incluindo noites, profissionais trabalharam em campo. Após essa etapa, ocorrerá a produção de relatórios para atender umas das condicionantes da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) para o início das obras de execução do empreendimento. O serviço está previsto na Licença Ambiental de instalação obtida junto à Companhia.
Segundo o engenheiro Júlio Luis de Almeida Lino, diretor do Departamento de Gestão e Planejamento Urbano da Prefeitura de São João, a equipe é composta por uma empresa especializada e contratada – por meio de licitação – pela Prefeitura. “O mesmo monitoramento ocorreu quando da construção dos piscinões. E toda vez que vai acontecer uma supressão vegetal, é necessário um acompanhamento do tipo”, frisou.

Coordenadora responsável pelo primeiro estágio do monitoramento na área, a bióloga Thaís Arrigucci Bernardes detalhou os primeiros passos dos trabalhos desenvolvidos na semana pela equipe por ela capitaneada.
À reportagem, a profissional explica a necessidade do programa de fauna dentro do licenciamento ambiental fornecido pela Cetesb tratando-se de um empreendimento desse porte.
“Quando existe a instalação de um empreendimento de grande impacto, há necessidade de programas que atendam à preservação da nossa vegetação e fauna. Para isso, existem dois tipos de subprogramas de fauna: o monitoramento de fauna e o afugentamento e resgate de fauna”, explicou.
Segundo Thaís, nestes casos, há um diagnóstico realizado para o início do processo de licenciamento na Cetesb. Contudo ela relembra que em aproximadamente 2011 já houve um levantamento da fauna no local, indicando as espécies que ali habitavam. “Já por volta de 2012, ocorreu uma primeira campanha de monitoramento e agora estamos realizando a segunda campanha, o qual tem o objetivo o diagnóstico, monitorar e comparar com os outros dados das campanhas anteriores”, disse.
De acordo com ela, geralmente, tais monitoramentos duram de 2 a 3 anos, devido à necessidade de haver as campanhas pré-obra, outras durante (execução do projeto) e pós-obra.
“O tempo do subprograma depende do tempo em que a fase de implantação do projeto demora, passando pelo processo de licença de instalação e de operação. No nosso caso já tem a licença de instalação, o que permite a construção da barragem”, completou.

Conforme a bióloga, a Cetesb solicitou, nesta etapa, análise de dados dos grupos: Avifauna (aves), Mastofauna (mamíferos não voadores) e Herpetofauna (anfíbios – sapos, rãs e pererecas – e répteis – lagartos, tartarugas, cobras etc).
“Para uma melhor tomada de decisão, o órgão ambiental tem o conhecimento da fauna local através destes relatórios, assim como o acompanhamento da locomoção dessa fauna durante a fase de implantação do empreendimento. Concomitantemente ao subprograma de monitoramento, o subprograma de afugentamento e resgate de fauna ajudam direcionando os animais para um local de vegetação sem interferência das obras, ajudando a preservação das espécies”, explicou.
Ainda segundo Thaís, tal monitoramento e diagnóstico direciona o órgão ao conhecimento de espécies que possam ser encontrados nas listas de ameaça de extinção.
Ela reforça que ainda é cedo para ter tais dados mais detalhados, já que estão no curso da campanha, mas adianta: “Quanto ao grupo da Mastofauna, algumas espécies como o sagui-de-tufo-preto estão quase sempre presentes, assim como a capivara. Quanto ao Avifauna, há uma lista de mais de cem espécies só nesta campanha de monitoramento. E no grupo Herpetofauna, apesar do clima, algumas espécies de lagartos, cobra e rãs foram encontradas”.



SAZONALIDADE
De acordo com a coordenadora, as campanhas comunmente são feitas com base na sazonalidade – períodos de clima frio e de seco, além dos chuvosos e quentes. “Este é um fato que interfere na quantidade de espécies da Herpetofauna, que são animais de sangue frio. Por apresentar um metabolismo mais baixo que animais de sangue quente, estes animais permanecem entocados mais neste período. Já campanhas realizadas durante o clima quente e chuvoso, o número provavelmente aumentará”, contou, lembrando justamente que a semana foi com temperaturas baixas.
EQUIPE
A equipe de Thaís é composta por três biólogos – ela e outros dois -, sendo um deles responsável pela Mastofauna (ela), outro por Avifauna e o terceiro por Herpetofauna. “É uma determinação com base na instrução normativa de número 146 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), e seguimos a metodologia da Decisão de Diretoria 167, de 2015, da Cetesb”, afirmou.
METODOLOGIA
No caso das espécies da Mastofauna, Thaís conta que são colocadas armadilhas fotográficas (câmera trap), que filmam à noite por meio de sensores de movimento infravermelho, além de busca ativa. “Estou em campo toda vez procurando um animal ou qualquer vestígio que ele possa deixar, como dejetos e pegadas”, afirmou.
Já em relação às espécies da Avifauna, também é realizada busca ativa, ponto de escuta e lista de maquino. E a Herpetofauna é somente busca ativa, pois não há autorização para capturar animais. “Então, toda a nossa metodologia é simplesmente de observação”, disse.
Por fim, a bióloga disse que o cronograma deve ser seguido e outras campanhas de monitoramento devem ser propostas. “Provavelmente, a próxima já vamos propor na parte de sazonalidade de verão, época chuvosa, para conseguir um contraste com essa primeira campanha e esperar o aceite da Cetesb para a execução da obra”, finalizou.
Primeiro estágio para execução do empreendimento em São João teve início na segunda (29)
O primeiro estágio das obras de construção da represa de São João da Boa Vista começou com o monitoramento de fauna na segunda-feira (29), aproximadamente 11 anos após renovação de convênio de distribuição e tratamento de água na cidade entre Prefeitura de São João e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
Conforme a reportagem do O MUNICIPIO tem acompanhado, a barragem do Rio Jaguari-Mirim – nas imediações da Ponte do Arco – ocupará área total de 60 hectares, o equivalente a dezenas de campos de futebol. Posteriormente, nas demais etapas, haverá a movimentação de terra e construção do barramento.
MAPA E PROJETO EXCLUSIVOS
Em 12 de março, o mapa e projeto em 3D (terceira dimensão) da represa foram divulgados após algumas alterações no projeto original, em atendimento à Cetesb.
“Tivemos que fazer algumas alterações no projeto original da represa para atender à Cetesb; contratamos, também, na Prefeitura, um engenheiro para nos auxiliar em todo o processo licitatório da represa e na fiscalização. É um engenheiro de barragem, que cuidará de todo o processo”, afirmou o prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (MDB), há alguns meses.
Pelo mapa que integra o projeto, do total de 60 hectares, 20 deles serão compostos pelo espelho d’água.
No entorno da represa haverá área de lazer com playground (3), área de ginástica destinada à terceira idade (2), quatro praias – sendo três maiores e uma mini -, quadras poliesportivas (3), três campos de futebol – dois deles mini -, pista de skate (1), anfiteatro (1), quiosques (3), sanitários (2), decks (4), três estacionamentos para veículos e oito entradas, duas delas com acesso pela barragem.





