
Na quarta-feira (24), o governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou a volta paulatina das aulas presenciais a partir do dia 8 de setembro em toda a rede de ensino paulista – pública e particular -, o que inclui creches, educação infantil, educação básica, ensino superior e cursos técnicos e profissionalizantes.
Em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, o tucano e o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, anunciaram que o retorno, que contará com uma restrição de 35% da capacidade máxima de alunos nas escolas. De acordo com o governo, o Estado possui, ao todo, 13,3 milhões de alunos.
A proposta prevista levará em conta uma retomada geral em três fases, em comum acordo a todos os municípios paulistas, e considerará que, na data estimada, o território paulista esteja enquadrado na fase amarela de flexibilização da economia há pelo menos 28 dias.
O plano, segundo o governo, também estabelece uma série de critérios e protocolos de distanciamento e higiene que devem ser cumpridos por todas as instituições.
Todavia, para que a previsão se mantenha, a observância dos critérios deve ser a permanência de todas as regiões do Estado por 28 dias seguidos na fase amarela (ou superior) do Plano São Paulo de flexibilização da quarentena, e que no anúncio de atualização do plano pelo governo – agendado para 4 de setembro – se confirme a estabilização das áreas na fase amarela (ou superior) e que as redes pública e particular apresentem protocolos de planejamento para a retomada. Veja os critérios:
COMO FUNCIONARÁ
Segundo a Secretaria de Estado da Educação, a volta às aulas será de forma paulatina e por esquema de rodízio de alunos definido pelas próprias escolas e dividida em três fases de retomada:
1ª – somente 35% dos alunos de cada classe poderão frequentar as escolas a cada dia – em um dia vai um grupo; em outro dia, vai outro. (A Pasta não informou qual modelo de rodízio as escolas devem se inspirar). O intuito, conforme apurado, é garantir distanciamento de 1,5 metro entre os estudantes, havendo exceções, como na educação infantil e creches, em que não há como manter essa distância entre bebês e cuidadores;
2ª – Até 70% dos alunos poderão frequentar as escolas a cada dia;
3ª – Cem por cento dos estudantes podem retornar às salas de aula.
DEFINIÇÃO DE CADA FASE
1ª – Todas as regiões do Estado deverão estar na fase amarela do Plano São Paulo por pelo menos 28 dias seguidos;
2ª – Sessenta por cento das regiões do território paulista deverão estar na fase verde do Plano São Paulo por pelo menos 14 dias seguidos;
3ª – Oitenta por cento das regiões deverão estar na fase verde do Plano São Paulo por pelo menos 14 dias.
DISTANCIAMENTO
– Estudantes, professores e funcionários devem manter distanciamento de 1,5 metro entre si;
– Horários de entradas e saídas serão organizados para evitar aglomeração, e serão preferencialmente fora dos horários de pico do transporte público;
– Continuam proibidos: feiras, palestras, seminários, competições e campeonatos esportivos, comemorações e assembleias;
Intervalos e recreios devem ser feitos sempre em revezamento de turmas com horários alternados;
– As atividades de Educação Física estão permitidas desde que se cumpra o distanciamento de 1,5 metro. Preferencialmente devem ser realizadas ao ar livre e com cuidado da higienização dos equipamentos;
– Recomendado que o ensino remoto continue em combinação com a volta gradual presencial.
HIGIENE
– O uso de máscara é obrigatório para todos dentro da instituição e no transporte escolar;
– A instituição deve fornecer equipamentos de proteção individual (EPIs) para os funcionários;
– Bebedouro será proibido. Água potável deve ser fornecida de maneira individualizada. Cada um deverá ter seu copo ou caneca;
– Banheiros, lavatórios e vestiários devem ser higienizados antes da abertura, depois do fechamento e a cada três horas;
– Lixo deve ser removido no mínimo três vezes ao dia;
– Superfícies que são tocadas por muitas pessoas devem ser higienizadas a cada turno;
– Ambientes devem ser mantidos ventilados, com janelas e portas abertas, evitando toque em maçanetas e fechaduras.
MONITORAMENTO DA SAÚDE
– Profissionais e estudantes que pertencem a grupos de risco para Covid-19 devem permanecer em casa e realizar atividade remotamente;
– Recomendação para os pais medirem a temperatura de seus filhos antes de mandá-los para a escola (caso esteja acima de 37,5°, deve ficar em casa);
– Recomendação para que as instituições meçam a temperatura das pessoas a cada entrada;
– Uma sala ou área deve ser separada na instituição para isolar pessoas que apresentem sintomas até que possam voltar para casa.
RECUPERAÇÃO DO APRENDIZADO
– O governo de São Paulo afirma que será feita uma avaliação individual dos estudantes para a recuperação do conteúdo que não foi aprendido durante o período de ensino à distância;
– Escolas também deverão investir em acolhimento socioemocional e em programas de recuperação para alunos com dificuldades nas matérias;
– Segundo o governo, o programa de recuperação terá material didático, “apoiado pelo ensino híbrido e com foco em habilidades essenciais”;
– Será oferecido, em 2021, o 4º ano do Ensino Médio optativo para os estudantes que quiserem se preparar antes do ingresso no ensino superior.
Escolas municipais, estaduais e privadas preparam retomada
A Rede Municipal de Educação de São João já está se preparando para o retorno às aulas presenciais, que se dará de acordo com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, desde que a cidade esteja, pelo menos, na fase amarela.
Conforme Decreto nº.: 6.444, de 1º de junho de 2020, foi organizada uma Comissão, formada por representantes da Saúde, Conselho Municipal de Educação, Assistência Pedagógica e representantes de Supervisores e Diretores de Escola, que vem se reunindo para traçar o protocolo da volta às aulas.
“Já foi enviado para os pais ou responsáveis, um questionário que fornecerá dados para a Comissão na tomada de decisões para este retorno”, afirmou Maria Helena Angelini Santana, diretora do Departamento Municipal de Educação.
“Segundo o secretário estadual de Educação [Rossieli Soares] e o governador [João Doria], a primeira etapa será em 8 de setembro, com 35% dos alunos, o que significa em nossa Rede um total de, aproximadamente, 2.450 alunos distribuídos em 34 escolas”, disse. Em São João, a rede municipal conta com cerca de 6,7 mil alunos devidamente matriculados.
A titular da Pasta avisa, também, que todos os insumos e equipamentos para o retorno já estão sendo adquiridos pela Prefeitura, tais como: confecção de máscaras para alunos, professores e funcionários em geral, álcool em gel a 70%, sabonete líquido, termômetros a laser, hipoclorito de sódio, água sanitária “e o que mais for necessário para a segurança máxima à proteção da saúde de todos os envolvidos.”
Já nas 11 escolas estaduais da cidade, as aulas retomam para 35% dos quase 4.800 alunos. Serão, em média, 1.700 estudantes que serão assistidos na primeira fase de retomada.
Dentre as escolas particulares, o colégio Experimental Integrado afirma ser uma escola de referência e excelência e que tem buscado, diariamente, soluções para que a retomada das aulas beneficie e acolha todos os alunos, seja na escola ou em casa.
“Com referências nacionais e internacionais, buscamos os caminhos mais adequados pedagogicamente. Estaremos totalmente adaptados para a retomada gradual em setembro, seguindo todos os protocolos, medidas e recomendação de proteção e saúde determinadas pelo governo – entre outras adicionais que entendermos serem pertinentes. A escola está absolutamente preparada do ponto de vista de infraestrutura tecnológica, com equipamentos de ponta para seguir com o ensino híbrido, em um projeto que deve combinar aulas presenciais com aulas e encontros online – pois sabemos que, mesmo com a retomada gradual, nem todos voltarão para a escola em setembro. Portanto, no Experimental Integrado, quem optar por ficar em casa, seguirá sendo acolhido e abraçado pelas iniciativas pedagógicas da escola, sem que haja perda das matérias e atividades apresentadas, presencialmente, dentro da sala de aula”, garantiu.
O QUE OS PAIS PENSAM
Supervisora de Departamento de Pessoal, Maria José Viola é mãe de Pedro Yuri Viola, 9, aluno da 4ª série da Escola Municipal de Ensino Básico (Emeb) Germano Cassiolato, na Vila Valetim. Ela comenta que é a favor de voltar as aulas se a escola estiver preparada para receber os alunos e se continuar sem casos graves em São João.
“Melhor decisão é cada prefeito decidir se o município tem condições de retornar. No começo foi bem difícil, ele não queria fazer as lições, não se interessava. Agora, estamos nos saindo bem. Como trabalho, fazemos a lição à noite e é bem corrido para mim, mas gosto de ensinar e recordar [risos!]… faz tempo que passei por essa fase”, disse.
Apesar de concordar com o retorno diante da observância de protocolos sanitários, Maria José está insegura, já que Pedro faz parte do grupo de risco por ter diabetes. “Mas se a escola passar segurança para os alunos e para os pais, acredito que podemos voltar com os devidos cuidados”, afirmou.
Já Viviane Tavares Schilive, 32, há oito meses tem se dedicado somente aos afazeres de casa e aos dois filhos: Miguel Tavares Morais, 9, que também frequenta a Germano Cassiolato, mas no 3° ano; e Isabella Tavares Morais, de apenas 1 ano e 3 meses.
“Após a minha licença maternidade, pedi exoneração do cargo público que ocupava, como agente comunitário de Saúde. Devido à situação atual, não consigo ver o retorno das aulas em setembro. E mesmo que isso aconteça, o meu filho só voltará às aulas presenciais quando eu tiver certeza que ele estará seguro. Caso contrário, mesmo que volte, ele não irá”, avisou.
Na opinião de Viviane, ninguém ainda sabe como ficará a situação e que todos sofrem. “Tanto professores, para virarem ‘blogueiros’ de hora para outra e darem conta de passar todo o conteúdo para o aluno, [como] os pais serem professores. E muito mais as crianças que, além de estarem trancafiadas sem entender direito o que acontece, ainda têm obrigação de aprender de forma totalmente diferente. E muitas pessoas ainda estão preocupadas se as crianças vão perder o ano letivo. Para mim, o conteúdo que não foi dado esse ano será dado no próximo ano. Acho que se for obrigado ter um conteúdo escolar, que seja muito suave, pois já basta a situação tensa em que vivemos”, desabafou.
Por fim, a mãe lembra que todos os pais poderiam, neste momento, aproveitar esse tempo para conhecer mais os filhos, “ensinar boas maneiras, amor ao próximo e evitar esse desgaste excessivo que estamos tendo com essas aulas, pois o ano letivo se recupera e a vida não”, terminou.




