Hospital cheio e futebol vazio

O Brasil passou de 1 milhão de casos confirmados de Covid-19 na última sexta-feira (19), um dia depois do Campeonato Carioca recomeçar com a vitória do Flamengo sobre o Bangu por 3 a 0 no Maracanã.

Mesmo sem presença de torcedores, não é hora do retorno da programação esportiva do País. Infelizmente, os números de casos e mortes continuam crescendo.

Flamengo e Vasco retornaram aos treinos há poucas semanas e querem que a competição aconteça. Já Fluminense e Botafogo não estão prontos e criticam a Federação carioca e os rivais pelo reinício precoce. Inclusive, os dois grandes do Rio, que são contrários, entraram com ações no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para não entrarem em campo.

É óbvio e comprovado que os clubes perdem dinheiro ao ficarem sem jogar, por isso Flamengo e Vasco quiseram o retorno o quanto antes. Eles destacam que é seguro. O Mengão tem o elenco mais caro do País e está preocupado com a situação financeira. Os outros também. Aliás, quem nesse País não está?

Entretanto, as atitudes são erradas desses dois clubes. A Federação também erra. Não há segurança para os jogadores, profissionais de imprensa e outros que se mobilizam para realizar as partidas. Outra coisa que sempre digo é que futebol é um esporte de contato. Assintomáticos podem estar em campo mesmo que sejam testados antes. Vale lembrar que existem testes rápidos com ‘falsos negativos.

Não adianta querer imitar o futebol europeu que, na maioria dos campeonatos, voltou na última semana. O velho continente está com a situação mais controlada do que o Brasil. E por lá, autoridades esperaram até o momento em que sentiram que seria seguro voltar o futebol.

No Rio de Janeiro, a situação é delicada em relação à Covid-19. Os hospitais estão lotados e quase não há leitos de UTI para os infectados. E não é porque o jogador é rico que ele vai se livrar de se infectar ou precisar de uma UTI no Estado. O vírus atinge pessoas de qualquer classe social, e mesmo em hospitais particulares, os leitos de UTI estão lotados.

Portanto, a atitude de alguns clubes e da Federação do Rio de Janeiro é errada e vergonhosa.

Weslen Máximo

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