Polícia Civil apura ameaças feitas em rede social

‘‘São João à Direita’: membros cogitam se infiltrar em manifestação e até agressões aos participantes do ato antirracista (Reprodução/Redes Sociais)

Nas principais capitais do Brasil, coletivos de torcedores denominados antifascistas têm se articulado para manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a favor da democracia. Inspirados pelo recente protesto de corintianos, palmeirenses, são-paulinos e santistas, militantes de esquerda pretendem ir às ruas neste final de semana.

Os manifestos já estão confirmados em São Paulo (SP), no Rio de Janeiro (RJ), em Belo Horizonte (MG) e em Salvador (BA). Em Porto Alegre (RS), atos do tipo têm acontecido há ao menos três semanas. Em outros Estados, torcidas conversaram ao longo da semana para confirmar data e local dos atos.

Em São João da Boa Vista, uma carreata/manifestação ocorreu neste domingo (7), às 15h30, no centro da cidade. Organizado pelas redes sociais, o protesto não reuniu torcidas de times, porém, foi inspirado nos atos antirracistas que ocorrem pelo mundo. O protesto – que teve caráter pacífico –, segundo organizadores, teve como foco principal a defesa da democracia e levantar as ‘bandeiras’ de combate não só ao racismo, mas também à homofobia e qualquer outro tipo de preconceito.

INFILTRAR E AGREDIR

O anúncio da manifestação, na semana passada, despertou a atenção de pessoas contrárias. Em um grupo no Facebook intitulado ‘São João à Direita’, alguns participantes postaram mensagens de ódio contra a manifestação e até mesmo cogitaram infiltrar algumas pessoas. “Devo ir infiltrada, só pra gravar o que os débeis mentais vão falar sobre fascismo. Se é que sabem o que é…”, comentou uma integrante do grupo, que conta com a participação de profissionais dos mais variados segmentos.

Já outros sugeriram ações para sabotar e tirar o caráter pacífico da manifestação, cogitando até o recrutamento de algumas pessoas para agredir os manifestantes. “Devíamos fazer como o Wanderlei Silva e chamar o pessoal das academias pra fazer uma visita! Aí teremos anarquia contra a disciplina. Iria rachar de rir vendo os antifas [antifascistas] sendo disciplinados”, sugeriu.

VAZAMENTO DE OFÍCIO E PERSEGUIÇÕES

As intimidações não pararam por aí. A organização da manifestação protocolou, também na semana passada, um ofício junto ao Setor de Trânsito (Setran) solicitando a interdição de via pública para a realização do ato. Pouco tempo depois, a identidade da responsável pelo pedido já estava sendo mencionada no grupo. “Uma pessoa citou meu nome e sobrenome e disse que não me conhecia, mas que sabia que era eu a organizadora”, relatou em entrevista ao jornal O MUNICIPIO. “Teve comentários se referindo a gente como ‘bandidos’ e espalhando fake news de que seria uma manifestação agressiva”, contou.

Diante das ameaças e do vazamento de informações pessoais, a organizadora tomou providências. Na tarde de quinta-feira (4), ela denunciou o caso à Policia Civil, registrando um boletim de ocorrência e já manifestou intenção de representar criminalmente contra um dos autores das ameaças. Algumas provas já foram reunidas e o caso está em investigação. Já na sexta-feira (5) foi enviado um ofício à Prefeitura, solicitando esclarecimentos sobre o vazamento do ofício do Setran, com os dados pessoais da organizadora.

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