Prefeitura pede bloqueio de bens de indústria que demitiu em massa

Mobilização: em busca de ireitos, funcionários se reuniram em frente ao sindicato da categoria na terça-feira (28) (Divulgação/Carioca/Notícias Policiais)

A indústria metalúrgica D7 anunciou esta semana a demissão de 67 funcionários e o encerramento de suas atividades no Distrito Industrial de São João da Boa Vista. O fato veio à tona na segunda-feira (27) e tem gerado uma grande polêmica, uma vez que a empresa não comunicou a decisão ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos de São João da Boa Vista, nem a Prefeitura e a Câmara Municipal.

Na manhã desta terça-feira (28), os funcionários da metalúrgica participaram de uma reunião realizada em frente à sede do sindicato para tratar do assunto. Na ocasião, o presidente José Roberto Moreira conversou com os colaboradores e explicou a situação.

De acordo com ele, em momento algum, a D7 procurou a instituição para comunicar que iria encerrar suas atividades e nem mesmo informou os poderes Executivo e Legislativo – uma vez que lhe concederam a isenção de impostos e o Município arcava com o aluguel do barracão da indústria.

Diante deste panorama, o Moreira relatou que o sindicato irá impetrar uma ação contra a empresa e solicitar à Justiça a liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do Seguro Desemprego dos trabalhadores. Além disso, ele pretende entrar com uma ação principal reivindicando todos os direitos trabalhistas.

 

BLOQUEIO DE BENS

José Roberto Moreira relatou que, ao tomar conhecimento da decisão da D7 na segunda-feira (27), imediatamente procurou o prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (MDB) para reportar o fato.

Diante disso, o chefe do Poder Executivo solicitou providências urgentes do Departamento de Justiça e Cidadania, uma vez que a metalúrgica recebe auxílio do Município. “Peço que seja requerido o bloqueio dos bens da empresa e dos sócios até que seja apurado possíveis débitos com o Município”, pediu o prefeito, por meio do Despacho P/270/2020.

Ainda no documento, o prefeito ainda menciona: “Informo que, extraoficialmente, tivemos notícias que a empresa pretende começar a desmontar as máquinas imediatamente e transportá-las para outro local”.

 

ALUGUEL

Em novembro de 2012, a Prefeitura concedeu o auxílio mensal para pagamento integral do aluguel de um galpão industrial para a D7. O projeto foi aprovado pela Câmara Municipal, na época, e o valor do auxílio era de R$ 70 mil mensais, o qual seria reajustado anualmente.

Conforme consta na lei, para receber este benefício, a empresa assumiria alguns encargos, como o compromisso de iniciar as atividades da nova planta com um total mínimo de 175 funcionários registrados, por exemplo.

 

REUNIÃO TENSA

Na segunda-feira (27), em reunião com porta-vozes da indústria, os trabalhadores foram comunicados  da demissão e que receberiam 50% das verbas rescisórias e 20% do FGTS. Após o anúncio, houve alvoroço entre os funcionários.

A reportagem do jornal O MUNICIPIO teve acesso a alguns vídeos que mostram trechos desta reunião. Conforme apurado, os advogados da empresa estavam presentes na ocasião. Em uma das gravações, as imagens mostram o clima tenso entre eles e um dos funcionários se exaltando e cobrando uma postura da efetiva da direção. “Todo mundo está ciente que vai fechar […]. Nós só queremos receber o que nós trabalhamos”, disse o trabalhador, aos gritos.

 

ACAMPADOS

Na noite de terça-feira (28), um grupo de trabalhadores fez piquete e acampou em frente à empresa para impedir que maquinários fossem retirados do local.

Indústria: 67 funcionários da empresa foram demitidos com o encerramento das atividades (Reprodução/Arquivo/D7 Metalúrgica)
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